Graça Preveniente

por Valmir Nascimento

Graça preveniente é o termo teológico que explica a forma como Deus capacita o homem previamente para que possa atender ao chamado da salvação. Assim como muitas outras doutrinas bíblicas, a exemplo da Trindade e da depravação total, o termo “graça preveniente” não se encontra expressamente[1] nas Escrituras, mas o ensino sim, visto tratar-se de uma categoria bíblica tácita, evidenciada por meio da interpretação sistemática do Texto Sagrado.

É importante dizer que o estudo sistemático das convicções cristãs, isto é: a reflexão teológica, tem como fonte primária as Escrituras Sagradas; no entanto, historicamente o cristianismo tem se valido também de três fontes e normas secundárias para contribuir com a hermenêutica bíblica: a tradição, a razão, e a experiência. Conforme Olson, o Sola Scriptura é o princípio ideal que capta e expressa corretamente a convicção de que a Bíblia é a regra normativa (norma normans) e a fonte mais importante para determinar a correção em todos os assuntos da fé e vida cristãs.

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Uma nota sobre a nota pública sobre debates entre calvinistas e arminianos

Felizmente, a repercussão da nota pública sobre debates teológicos entre calvinistas e arminianos tem sido positiva. A grande maioria tem apoiado o manifesto e subscrito os seus termos.

Entretanto, é claro, uma minoria de ambas tradições se levantou raivosa e enfurecidamente contra um documento que defende – vejam só vocês – o respeito e a cordialidade na exposição de convicções cristãs. Os descontentes ficaram horrorizados com tamanho descalabro e se mostraram preocupados com as consequências que isso pode gerar. Heresia! Alguém bradou.

Esperar unanimidade dentro do evangelicalismo é utopia infantil, obviamente. A liberdade de expressão e de opinião divergente é um princípio básico para a democracia em geral e o protestantismo em particular. Todavia, quando os argumentos contrários não superam minimamente a sensatez, especialmente do ponto de vista bíblico, logo percebemos do que é feita uma parte da massa de nossa cristandade.

Um liberal disse que a nota era impertinente, porque estava atrasada. Um arminiano radical afirmou que era pura hipocrisia, e por isso não deveria existir. Um calvinista ortodoxo expressou que aqueles que subscreveram a nota não tinham legitimidade para fazê-lo. Enquanto isso, os proselitistas dogmáticos e os mantenedores de páginas de humor gospel a trucidaram, afinal, é claro, ela contraria o cerne do seu negócio: a teologia infantil e ofensiva.

Sobre o teor da nota, em si, nada disseram. A divergência se manteve na marginalidade do fato e na hermenêutica das entrelinhas, tentando encontrar uma teoria conspiratória em um simples documento que diz o essencial, daquilo que se espera de verdadeiros cristãos, sejam eles arminianos ou calvinistas. Afinal, espera-se que os seguidores de Cristo sejam, antes de tudo, cristãos.

Em tempos em que a simplicidade é difícil de ser compreendida, é preciso dizer o óbvio ululante: a nota não impede a confrontação gentil e o debate produtivo. Ela simplesmente diz discordar das discussões e ataques pessoais realizados em nome da fé.

Ainda que a nota tivesse simplesmente citado expressamente João 3.16, a turma do “nós contra eles” não estaria satisfeita. Sectários, por natureza, não aceitam a convivência pacífica com aqueles que fazem parte de outra tradição religiosa. Eles farão de tudo para manter o status quo da ponte que o separa, confrontando qualquer tentativa de aproximação respeitosa.

(Valmir Nascimento)