Pentecostalismo e Pós-modernidade, de César Moisés Carvalho

O teólogo pentecostal Gary McGee escreveu que alguém, certa vez, comentou que o “Pentecostalismo é um movimento à procura de uma teologia, como se não estivesse ele radicado à intepretação bíblica e à doutrina cristã”. Embora McGee não tenha concordado com a afirmação, é preciso questionar sobre o tipo de teologia o movimento Pentecostal estaria à procura. Se for uma teologia racionalista e antissobrenatual, do tipo que rejeita a atualidade dos dons e a experiência do Espírito, certamente não há sequer necessidade de sair em sua busca, muitos menos achá-la; por outro lado, se estamos falando de uma teologia genuinamente pentecostal, que valoriza a sua Tradição focalizada no mover do Espírito, então a assertiva talvez tenha um certo sentido.

Por esse prisma, o Pentecostalismo é em grande medida um movimento à procura de uma teologia que honre o seu histórico e suas premissas fundamentais, precisamente a crença na atuação divina nos dias de hoje de modo real e não meramente em palavras. Tal procura é legítima, visto que, além de revelar um ato de humildade – diante da profundidade daquilo que se busca, destaca a identidade própria e distintiva do movimento, cuja preocupação sempre foi privilegiar a prática e o dinamismo da vida no Espírito, em detrimento da sua teorização.

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Um pastor no TED: Idéias que merecem ser disseminadas

O TED é uma plataforma de divulgação de conferências com os maiores especialistas do mundo. Seu lema é “ideias que merecem ser disseminadas”.

Nesta palestra, o pastor batista Jeffrey Brown fala sobre o programa “Boston Miracle” que diminuiu a violência juvenil em Boston em 79%.

O vídeo é um refrigério em tempos de violência crescente e espiritualidade alienada.

Jeffrey diz que tinha a intenção de ser pastor de uma mega igreja, mas se deu conta que a sua vocação era outra. Pastor de um igreja de vinte membros, viu a necessidade de intervir na realidade social da comunidade que desmoronava ao seu redor, com as drogas e violência de gangues controlando os jovens nas ruas.

O primeiro passo para a recuperação: ouvir esses jovens, não apenas pregar para eles e ajudá-los a reduzir a violência em seus próprios bairros.

O vídeo é curto, mas a mensagem é poderosa!

Primeiramente, nos faz lembrar a importância do envolvimento da igreja com a comunidade local. O crescimento econômico tem feito com que as comunidades cristãs construam grandes templos longe dos seus bairros de origem, em busca de maior espaço e estacionamento. O resultado disso é o afastamento da igreja local da comunidade.

Segundo, Jeffrey recorda que a redução da violência começa não na punição, mas na prevenção. A solução não é simplesmente uma questão de construir mais prisões e encarcerar mais criminosos. O “melhor modo de reduzir o crime não é reagir depois do fato com castigos e reabilitação, mas desencorajá-los antes que aconteça, criando uma vida em comunidade civilizada e ordenada”, escreveram Charles Colson e Nancy Pearcey.

Por fim, o vídeo nos mostra que as ideias cristãs tem muito a contribuir com a sociedade. Basta saírmos de nossos cativeiros culturais!

 

https://embed.ted.com/talks/lang/pt-br/jeffrey_brown_how_we_cut_youth_violence_in_boston_by_79_percent

Participação política dos evangélicos: Da laicidade à liberdade religiosa

por Valmir Nascimento

O presente artigo discute os fundamentos da legitimidade da participação política dos evangélicos no Brasil, tendo como referencial teórico Jónatas Machado e Michael Mandel. Enfatiza o conceito de cidadania política, destacando o direito fundamental à liberdade religiosa e o modelo de laicidade adotado no país.

Artigo publicado na Revista Democrática.

Acessar o conteúdo.

Podcast: “O Cristão na Universidade”

Muito bem (3x), o seu podcast semanal de teologia está no ar. Bibo e Will recebem o pastor e escritor Valmir Nascimento para juntos pensarem sobre a fé em contexto universitário.

Quando as universidades abandonaram a cosmovisão cristã? O que leva um estudante a perder a fé em Jesus Cristo? Qual o papel da igreja nesse cenário? A apologética é o caminho? O que fazer para se manter firme? Essas e outras perguntas discutidas nesse podcast!

O podcast cristão do Bibotalk tem a missão de ensinar teologia em áudio para ver o crescimento bíblico-teológico da igreja brasileira. Com esse programa pretende encorajar os jovens cristãos a pensarem a sua vivência cristã em contexto universitário.

Confira aqui.

A importância da leitura para o alicerce da fé cristã

por Valmir Nascimento

As pessoas que desejam ter uma fé sólida e aprender a defender consistentemente as doutrinas do Cristianismo precisam desenvolver o hábito da leitura. Embora as Escrituras Sagradas sejam, como já disse, a fonte primária da defesa da fé cristã, os livros – de bons autores – servem como guias e nos ensinam a entender melhor alguns pontos da fé cristã, lançando luz sobre questões bíblicas complexas e, por via de consequência, contribuindo para uma boa formação apologética.

Infelizmente o brasileiro lê pouco. Não obstante o analfabetismo tenha recrudescido em nosso país nos últimos anos, o hábito de leitura ainda é tímido. A questão é que muitos dos nossos compatriotas foram do analfabetismo à TV sem passar na biblioteca[1]. O brasileiro lê, em média, 1,8 livro/ano. Um estudo realizado em 2005 pelo Instituto Paulo Montenegro apontou que 74% da população brasileira, entre 16 e 64 anos de idades, não sabem ler ou possuem muita dificuldade em entender o que leem[2]. Em 2011, o Instituto Pró-Livro apontou que em 2007 55% da população era considerada leitora (havia lido pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa). Já em 2011 o índice diminuiu para 50% da população.

Sobre o ambiente religioso, Altair Germano também adverte em seu livro O cristão e o hábito da leitura que “o líder cristão ainda não reconhece no ato de ler o seu valor para o desenvolvimento intelectual, adequação de comportamentos à nova realidade cultural e social, sem falar da possibilidade de conduzir a igreja, o ministério ou grupo que lidera a um processo de desenvolvimento e entendimento a realidade”, o que segundo ele produziria uma igreja mais atuante, conhecedora dos grandes desafios deste século e capaz de adequar suas práticas ao novo contexto[3].

Não podemos generalizar. Muitos líderes cristãos compreendem o valor e a importância do ato de ler para o crescimento intelectual e espiritual da igreja. Mas, poucos incentivam ou idealizam algum programa em suas congregações com o objetivo de disseminar esse hábito. A criação de pequenas bibliotecas no ambiente da igreja seria uma importante ação eclesiástica, que certamente beneficiaria a vida de muitos crente, inclusive jovens.

É preciso reacender em nossas igrejas o apreço pela leitura, afinal, ela é ingrediente vital no processo de tomada de consciência e até mesmo fervor espiritual. Em seu livro, Altair Germano demonstra como a leitura foi importante no Antigo e Novos Testamentos, entre os pais da igreja, na Reforma Protestante, nos períodos de reavivamento e das missões modernas.

Altair Germano escreve:

“Os benefícios da leitura, uma vez revelados, poderão influenciar positivamente na tomada de consciência sobre a necessidade de ler. O interesse pela leitura tende a crescer quando se sabe que, além da emancipação crítica e da autonomia como indivíduo, o hábito de leitura proporciona o desenvolvimento intelectual, o enriquecimento do vocabulário, a fluência verbal, a apropriação dos bens culturais, a informação e o conhecimento, a saúde emocional e psíquica, o estímulo e saúde mental e comunhão com as grandes mentes”.[4]

No clássico A vida intelectual, A.D. Sertillanges propõe que a leitura é o meio universal para o aprendizado, e é a preparação próxima e remota para a produção. Ele escreveu:

“Nunca pensamos isoladamente: pensamos em sociedade, em colaboração imensa; trabalhamos com os trabalhadores do passado e do presente. Graças à leitura, pode comparar- se o mundo intelectual a uma sala de redacção ou repartição de negócios, onde cada qual encontra no vizinho a sugestão, o auxílio, a crítica, a informação, o ânimo de que carece. Portanto, saber ler e utilizar as leituras, é necessidade primordial que o homem de estudo não deve esquecer”.[5]

Quando lemos, nos beneficiamos da pesquisa e do conhecimento de pensadores do presente e do passado. Eles abrem nossas mentes, instrui nosso pensamento e nos fornecem informações valiosas. Nesse sentido, Sertillanges vai dizer que o contato com escritores geniais nos faz granjear vantagens imediatas de elevar-nos a um plano alto; somente pela sua superioridade eles conferem um benefício sobre nós mesmos antes que nos ensinem alguma coisa[6].

Quanto à forma de leitura, cabe aqui dois conselhos: um de Sertillanges e outro de C. S. Lewis.

Sertillanges dizia que embora a leitura seja importante, ela deve ser feita na quantidade adequada. Por isso, ele diz: Leia pouco!. Esse conselho parece paradoxal, já que estamos falando da importância e da necessidade de leitura. Mas o que Sertillanges tem em mente é a qualidade da leitura, e nem tanto a quantidade. Ele diz que a leitura deve ser feita com inteligência, pois

“(…) a leitura desordenada não alimenta, entorpece o espírito, torna-o incapaz de reflexão e concentração e, por conseguinte, de produção; exterioriza-o no seu interior, se assim se pode dizer, e escraviza-o às imagens mentais, ao fluxo e refluxo das ideias que ele se limita a contemplar na atitude de simples espectador. É embriaguez que desafina a inteligência e permite seguir a passo os pensamentos alheios e deixar-se levar por palavras, por comentários, por capítulos, por tomos.

A série de excitações assim provocadas arruína as energias, como a constante vibração estraga o aço. Não esperemos trabalho verdadeiro de quem cansou os olhos e as meninges a devorar livros; esse encontra-se, espiritualmente, em estado de cefalalgia, ao passo que o trabalhador, senhor de si, lê com calma e suavidade somente o que quer reter, só retém o que deve servir, organiza o cérebro e não o maltrata com indigestões absurdas”. [7]

Por seu turno, o conselho de Lewis é o seguinte: Leia livros antigos. Ele dizia que depois de ler um livro novo, “nunca se permitir outro novo até que se leia um antigo entre os dois. Se isso for demais para você, então leia um velho pelo menos a cada três novos”. Lewis não está menosprezando os livros novos. Ele diz que devemos contrabalancear nossas leituras com livros novos e livros antigos – os clássicos da literatura. Nañez captou essa mesma ideia ao afirmar que somente depois de apreciar os mestres da prosa e poesia do passado, consegue-se meditar a qualidade de obras mais recentes. Ele nos incentiva a deleitarmos em Cícero, Calvino, Dickens, Dillard, Dostoievski; partir o pão com Buechner, Burroughs, experimentar Tolstói ou Newman, Carnell ou Merton, O’Connor ou Chesterton. Poderia acrescentar Jacob Armínio, Agostinho, Tomás de Aquino, John Bunyan e muitos outros. Não levará muito tempo e então perceberemos, diz Nañez, a profundidade marcante de autores e reconhecer o abismo significativo que separa a literatura cristã popular de hoje do concentrado de informações espirituais e cognitivas das penas de antigamente.[8]

O Cristão e a Universidade

Fonte: Nascimento, Valmir (O Cristão e a Universidade, CPAD, 2016).

Referências

[1] SOEIRO, Rafael. Por que o brasileiro lê pouco. Disponível em http://super.abril.com.br/cultura/brasileiro-le-pouco-610918.shtml. Acesso em 14 de janeiro de 2015.

[2] GERMANO, Altair. O líder cristão e o hábito da leitura. CPAD: Rio de Janeiro, 2011, p. 12.

[3] GERMANO, Altair, 2011, p. 12.

[4] GERMANO, Altair, 2011, p. 86.

[5] SERTILLANGES, A.D. A vida intelectual. Cópia disponível na internet. p. 48.

[6] SIRE, James, 2005, p. 203.

[7] SERTILLANGES, A.D. A vida intelectual. Cópia disponível na internet. p. 48.

[8] NÃNEZ, Rick, 2007, p. 342.