Graça Preveniente

por Valmir Nascimento

Graça preveniente é o termo teológico que explica a forma como Deus capacita o homem previamente para que possa atender ao chamado da salvação. Assim como muitas outras doutrinas bíblicas, a exemplo da Trindade e da depravação total, o termo “graça preveniente” não se encontra expressamente[1] nas Escrituras, mas o ensino sim, visto tratar-se de uma categoria bíblica tácita, evidenciada por meio da interpretação sistemática do Texto Sagrado.

É importante dizer que o estudo sistemático das convicções cristãs, isto é: a reflexão teológica, tem como fonte primária as Escrituras Sagradas; no entanto, historicamente o cristianismo tem se valido também de três fontes e normas secundárias para contribuir com a hermenêutica bíblica: a tradição, a razão, e a experiência. Conforme Olson, o Sola Scriptura é o princípio ideal que capta e expressa corretamente a convicção de que a Bíblia é a regra normativa (norma normans) e a fonte mais importante para determinar a correção em todos os assuntos da fé e vida cristãs.

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Uma cosmovisão distintamente pentecostal

(….) De modo mais específico, em sintonia com o tom desta obra, devo realçar o que vem sendo chamado de “cosmovisão pentecostal”, uma perspectiva que, sem menosprezar a tradição protestante maior, enfatiza as características que assinalam a diferença do movimento pentecostal em relação às demais vertentes da Cristandade; uma forma distintiva de encarar a vida e a sociedade tendo como pressupostos o mover do Espírito e a atualidade dos dons espirituais. Nesse sentido, segundo Byron Klaus, “a cosmovisão pentecostal reflete um modo de entender que abrange a realidade de todos os aspectos da vida – naturais e sobrenaturais”. Assim, “A profecia, a orientação divina, as visões, as curas e os demais milagres, não são considerados exemplos estáticos daquilo que Cristo fazia. São realidades que continuamos a esperar nos dias de hoje; realidades estas que permitem que sejam demonstradas a grandeza e glória de Deus”.

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Pentecostalismo e Pós-modernidade, de César Moisés Carvalho

O teólogo pentecostal Gary McGee escreveu que alguém, certa vez, comentou que o “Pentecostalismo é um movimento à procura de uma teologia, como se não estivesse ele radicado à intepretação bíblica e à doutrina cristã”. Embora McGee não tenha concordado com a afirmação, é preciso questionar sobre o tipo de teologia o movimento Pentecostal estaria à procura. Se for uma teologia racionalista e antissobrenatual, do tipo que rejeita a atualidade dos dons e a experiência do Espírito, certamente não há sequer necessidade de sair em sua busca, muitos menos achá-la; por outro lado, se estamos falando de uma teologia genuinamente pentecostal, que valoriza a sua Tradição focalizada no mover do Espírito, então a assertiva talvez tenha um certo sentido.

Por esse prisma, o Pentecostalismo é em grande medida um movimento à procura de uma teologia que honre o seu histórico e suas premissas fundamentais, precisamente a crença na atuação divina nos dias de hoje de modo real e não meramente em palavras. Tal procura é legítima, visto que, além de revelar um ato de humildade – diante da profundidade daquilo que se busca, destaca a identidade própria e distintiva do movimento, cuja preocupação sempre foi privilegiar a prática e o dinamismo da vida no Espírito, em detrimento da sua teorização.

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Pentecostalismo e protestantismo

Em tempos de comemoração do aniversário da Reforma Protestante, que neste ano completa 499 anos, é comum reacender a discussão a respeito de quem faz parte da tradição protestante dentre os grupos do segmento evangélico. É uma espécie de análise do divino direito hereditário ao movimento reformista do início do Século XVI, conduzido em regra por certo elitismo teológico que insiste em monopolizar um evento que combatia esse tipo de postura.

Nesta mesma época do ano passado chamei a atenção para a complexidade e heterogeneidade do movimento reformador, com implicações eclesiásticas, morais, políticas e econômicas. Em seu cerne estava o protesto contra a corrupção religiosa e a venda de indulgências pela igreja, assim como a defesa de que cada cristão pudesse, por si só, ler e compreender as Escrituras. A Reforma combateu, entre outras coisas, a autoridade central e o monopólio clerical como fonte única e oficial de interpretação da Bíblia.
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A secularização e a dessacralização da teologia

Depois da secularização da sociedade, vivemos o tempo da secularização da teologia. Ou então, a dessacralização da religião.
Se a teologia transforma Deus em mero coadjuvante do seu estudo, então não há razão para ser chamada por este nome. Um estudo onde são priorizados os efeitos sociais da religião, em detrimento da sua causa principal, que é Deus, talvez deva ser chamado não de teologia, mas de religiologia.

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