Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas

Confira a introdução do novo livro de Valmir Nascimento, Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas, que servirá de literatura de apoio para a lição bíblica jovens da Escola Dominical.

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A grande maioria de nós, cristãos, não sabemos lidar muito bem com a palavra mundo. Somos rápidos em apontar suas mazelas, feiuras e horrores, mas não temos tanta habilidade assim para propor soluções genuinamente bíblicas para os seus problemas. É lugar comum se afirmar que vivemos em um mundo corrompido, onde impera a desordem, a imoralidade, a violência e todos os demais efeitos estruturais do pecado, todavia, poucos no meio evangélico têm se preocupado em enfrentar as questões sociais e culturais da nossa época.

Na melhor das hipóteses, temos sido demasiadamente simplistas ao tratar de questões sociais complexas. Temos a mania de dar respostas prontas para temas difíceis, proferimos bordões para amenizar o medo e invocamos o “poder da oração” quando não sabemos o que fazer. Tal se deve à enorme inabilidade para compreender a cultura de hoje e para nos envolver com assuntos que fogem da rotina eclesiástica. Somos bons em louvor congregacional, mas não sabemos nada sobre meios de comunicação; demonstramos grande competência na área de educação cristã, mas pouco nos preocupamos com o ensino secular; temos um certo conhecimento em administração eclesiástica, mas quase nada em envolvimento político; pregamos bastante sobre o amor, mas revelamos negligência sobre temas como desigualdade, violência, fome, corrupção e outros assuntos urgentes.

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A importância da leitura para o alicerce da fé cristã

por Valmir Nascimento

As pessoas que desejam ter uma fé sólida e aprender a defender consistentemente as doutrinas do Cristianismo precisam desenvolver o hábito da leitura. Embora as Escrituras Sagradas sejam, como já disse, a fonte primária da defesa da fé cristã, os livros – de bons autores – servem como guias e nos ensinam a entender melhor alguns pontos da fé cristã, lançando luz sobre questões bíblicas complexas e, por via de consequência, contribuindo para uma boa formação apologética.

Infelizmente o brasileiro lê pouco. Não obstante o analfabetismo tenha recrudescido em nosso país nos últimos anos, o hábito de leitura ainda é tímido. A questão é que muitos dos nossos compatriotas foram do analfabetismo à TV sem passar na biblioteca[1]. O brasileiro lê, em média, 1,8 livro/ano. Um estudo realizado em 2005 pelo Instituto Paulo Montenegro apontou que 74% da população brasileira, entre 16 e 64 anos de idades, não sabem ler ou possuem muita dificuldade em entender o que leem[2]. Em 2011, o Instituto Pró-Livro apontou que em 2007 55% da população era considerada leitora (havia lido pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa). Já em 2011 o índice diminuiu para 50% da população.

Sobre o ambiente religioso, Altair Germano também adverte em seu livro O cristão e o hábito da leitura que “o líder cristão ainda não reconhece no ato de ler o seu valor para o desenvolvimento intelectual, adequação de comportamentos à nova realidade cultural e social, sem falar da possibilidade de conduzir a igreja, o ministério ou grupo que lidera a um processo de desenvolvimento e entendimento a realidade”, o que segundo ele produziria uma igreja mais atuante, conhecedora dos grandes desafios deste século e capaz de adequar suas práticas ao novo contexto[3].

Não podemos generalizar. Muitos líderes cristãos compreendem o valor e a importância do ato de ler para o crescimento intelectual e espiritual da igreja. Mas, poucos incentivam ou idealizam algum programa em suas congregações com o objetivo de disseminar esse hábito. A criação de pequenas bibliotecas no ambiente da igreja seria uma importante ação eclesiástica, que certamente beneficiaria a vida de muitos crente, inclusive jovens.

É preciso reacender em nossas igrejas o apreço pela leitura, afinal, ela é ingrediente vital no processo de tomada de consciência e até mesmo fervor espiritual. Em seu livro, Altair Germano demonstra como a leitura foi importante no Antigo e Novos Testamentos, entre os pais da igreja, na Reforma Protestante, nos períodos de reavivamento e das missões modernas.

Altair Germano escreve:

“Os benefícios da leitura, uma vez revelados, poderão influenciar positivamente na tomada de consciência sobre a necessidade de ler. O interesse pela leitura tende a crescer quando se sabe que, além da emancipação crítica e da autonomia como indivíduo, o hábito de leitura proporciona o desenvolvimento intelectual, o enriquecimento do vocabulário, a fluência verbal, a apropriação dos bens culturais, a informação e o conhecimento, a saúde emocional e psíquica, o estímulo e saúde mental e comunhão com as grandes mentes”.[4]

No clássico A vida intelectual, A.D. Sertillanges propõe que a leitura é o meio universal para o aprendizado, e é a preparação próxima e remota para a produção. Ele escreveu:

“Nunca pensamos isoladamente: pensamos em sociedade, em colaboração imensa; trabalhamos com os trabalhadores do passado e do presente. Graças à leitura, pode comparar- se o mundo intelectual a uma sala de redacção ou repartição de negócios, onde cada qual encontra no vizinho a sugestão, o auxílio, a crítica, a informação, o ânimo de que carece. Portanto, saber ler e utilizar as leituras, é necessidade primordial que o homem de estudo não deve esquecer”.[5]

Quando lemos, nos beneficiamos da pesquisa e do conhecimento de pensadores do presente e do passado. Eles abrem nossas mentes, instrui nosso pensamento e nos fornecem informações valiosas. Nesse sentido, Sertillanges vai dizer que o contato com escritores geniais nos faz granjear vantagens imediatas de elevar-nos a um plano alto; somente pela sua superioridade eles conferem um benefício sobre nós mesmos antes que nos ensinem alguma coisa[6].

Quanto à forma de leitura, cabe aqui dois conselhos: um de Sertillanges e outro de C. S. Lewis.

Sertillanges dizia que embora a leitura seja importante, ela deve ser feita na quantidade adequada. Por isso, ele diz: Leia pouco!. Esse conselho parece paradoxal, já que estamos falando da importância e da necessidade de leitura. Mas o que Sertillanges tem em mente é a qualidade da leitura, e nem tanto a quantidade. Ele diz que a leitura deve ser feita com inteligência, pois

“(…) a leitura desordenada não alimenta, entorpece o espírito, torna-o incapaz de reflexão e concentração e, por conseguinte, de produção; exterioriza-o no seu interior, se assim se pode dizer, e escraviza-o às imagens mentais, ao fluxo e refluxo das ideias que ele se limita a contemplar na atitude de simples espectador. É embriaguez que desafina a inteligência e permite seguir a passo os pensamentos alheios e deixar-se levar por palavras, por comentários, por capítulos, por tomos.

A série de excitações assim provocadas arruína as energias, como a constante vibração estraga o aço. Não esperemos trabalho verdadeiro de quem cansou os olhos e as meninges a devorar livros; esse encontra-se, espiritualmente, em estado de cefalalgia, ao passo que o trabalhador, senhor de si, lê com calma e suavidade somente o que quer reter, só retém o que deve servir, organiza o cérebro e não o maltrata com indigestões absurdas”. [7]

Por seu turno, o conselho de Lewis é o seguinte: Leia livros antigos. Ele dizia que depois de ler um livro novo, “nunca se permitir outro novo até que se leia um antigo entre os dois. Se isso for demais para você, então leia um velho pelo menos a cada três novos”. Lewis não está menosprezando os livros novos. Ele diz que devemos contrabalancear nossas leituras com livros novos e livros antigos – os clássicos da literatura. Nañez captou essa mesma ideia ao afirmar que somente depois de apreciar os mestres da prosa e poesia do passado, consegue-se meditar a qualidade de obras mais recentes. Ele nos incentiva a deleitarmos em Cícero, Calvino, Dickens, Dillard, Dostoievski; partir o pão com Buechner, Burroughs, experimentar Tolstói ou Newman, Carnell ou Merton, O’Connor ou Chesterton. Poderia acrescentar Jacob Armínio, Agostinho, Tomás de Aquino, John Bunyan e muitos outros. Não levará muito tempo e então perceberemos, diz Nañez, a profundidade marcante de autores e reconhecer o abismo significativo que separa a literatura cristã popular de hoje do concentrado de informações espirituais e cognitivas das penas de antigamente.[8]

O Cristão e a Universidade

Fonte: Nascimento, Valmir (O Cristão e a Universidade, CPAD, 2016).

Referências

[1] SOEIRO, Rafael. Por que o brasileiro lê pouco. Disponível em http://super.abril.com.br/cultura/brasileiro-le-pouco-610918.shtml. Acesso em 14 de janeiro de 2015.

[2] GERMANO, Altair. O líder cristão e o hábito da leitura. CPAD: Rio de Janeiro, 2011, p. 12.

[3] GERMANO, Altair, 2011, p. 12.

[4] GERMANO, Altair, 2011, p. 86.

[5] SERTILLANGES, A.D. A vida intelectual. Cópia disponível na internet. p. 48.

[6] SIRE, James, 2005, p. 203.

[7] SERTILLANGES, A.D. A vida intelectual. Cópia disponível na internet. p. 48.

[8] NÃNEZ, Rick, 2007, p. 342.

Graça Preveniente: Um estudo sobre o gracioso agir de Deus para salvação humana

Uma abordagem histórica, doutrinária e hermenêutica sobre a graça preveniente

A doutrina da graça Deus é um ponto seminal na teologia cristã, ocupando um lugar privilegiado na história do pensamento cristão em geral e no protestantismo em particular. Para além do aspecto cognitivo, o estudo desse ponto doutrinário evoca gratidão e esperança, na medida em que revela a face de um Deus bondoso e gracioso, que dispensa suas dádivas sobre a vida humana. É, por isso, um tema instigante e apaixonante, que nos conduz cada vez mais a chegarmos com mais confiança ao trono da graça, a fim de sermos ajudados (Hb 4.16).

Nesta obra, o autor descortina um dos belos aspectos do favor imerecido de Deus: a graça preveniente. Trata-se de uma doutrina extraída das Escrituras que revela a forma graciosa do agir de Deus para a salvação do homem, mediante sua iniciativa e capacitação espiritual, para que o pecador se arrependa e se converta a Cristo.

Com uma abordagem contundente e vigorosa, o autor resgata a historicidade do conceito da graça preveniente na história da tradição cristã, dando ênfase ao pais da igreja e à teologia de Jacó Armínio e John Wesley, enaltecendo a convicção bíblica e factual dos efeitos devastadores decorrentes da queda no pecado e da completa incapacidade do homem de conseguir o favor divino, seja pensar, querer, ou fazer, por si mesmo, o que é realmente bom, necessitando para tanto da benevolência prévia e contínua de Deus.

Além das abordagens histórica e doutrinária, o livro traz ainda um conteúdo biblicamente consistente do Texto Sagrado, analisando hermeneuticamente diversas passagens das Escrituras sobre a graça preveniente.

Autor: Valmir Nascimento

Adquira a obra na Editora Reflexão.

Resenha: “O Cristão e a Universidade”

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Há uma longa tradição no pensamento ocidental onde a fé em Deus é vista como infantilizante e paternalista, ou seja, o homem religioso não passa de um ser desprovido de inteligência e totalmente manipulável. Assim afirmavam alguns pensadores como Ludwig Feuerbach (1804- 1872), Karl Marx (1818-1883), Sigmund Freud (1856-1939) etc. Outros intelectuais contemporâneos como Michel Onfray, Richard Dawkins, Daniel Dennett ainda hoje mantêm essa tese viva.

Mas precisamos aceitar esse pensamento presunçoso como verdadeiro? O professor Valmir Nascimento vai mostrar que não. Em O Cristão e a Universidade (CPAD, 2016, 264 p.) Nascimento desenha uma trajetória ascendente para entendermos como o cristianismo é uma visão de mundo pronta a se apresentar com confiança e segurança na arena pública. Não podemos esconder a nossa fé no armário, para usar uma analogia da moda. O autor conseguiu resumir nessa obra os aspectos mais importantes da apologética contemporânea, a saber, a conceituação de cosmovisão, o papel da própria apologética, a autenticidade comportamental e os pontos fortes e fracos da cultura acadêmica contemporânea. E peço especial atenção aos capítulos 10 a 12, isso porque pior que um crente despreparado e sem base apologética é aquele que faz uma apologética mal feita. O Valmir Nascimento mostra bem o que é e o que não é apologética nesses capítulos.

Devo confessar que eu tinha medo da universidade na minha adolescência. Mas foi graças a livros como do Valmir que, quando adentrei na faculdade de jornalismo aos 18 anos, não tive qualquer crise de fé. Ao contrário, a minha fé saiu dali ainda mais fortalecida. Eu até tive professores que eram ateus militantes, mas naquele momento eu já conseguia discernir quando esses falavam como especialistas em suas áreas de formação ou quando falavam como crentes de uma antirreligião.  Ao ponto que quando um professor levantava alguma objeção à religião os meus colegas já olhavam pra mim esperando uma contrarresposta – e a cena era até engraçada.

Naquela época eu só conhecia o Valmir Nascimento de blog e esse livro não existia, mas devo agradecer a pensadores como ele que motivam os crentes a exercerem a fé cristã na universidade. Autores como Nancy Pearcey, Charles Colson, Norman Geisler, Ravi Zacharias, Francis Schaeffer e C. S. Lewis muito me ajudaram durante minha jornada como estudante. E, não fiquei surpreso de ver que todos eles são bases da obra do Valmir Nascimento.

Fonte: Teologia Pentecostal