Caminhos contra a intolerância religiosa

Há dois caminhos viáveis para o combate à intolerância religiosa: liberdade religiosa e respeito. E ambos são vias de mão dupla. Um na esfera jurídica, outro no âmbito pessoal.
O direito à liberdade religiosa (não a diversidade religiosa) é um direito humano fundamental de primeira grandeza. Sem ele os demais direitos não se efetivam plenamente
Enquanto isso, o respeito é a virtude da consideração pelo outro. O respeito não implica aceitação acrítica do pensamento contrário, mas a valorização humana do próximo, ainda que divergente.
Com efeito, a tolerância não é o resultado da permissividade e um salvo conduto para a arbitrariedade.
A tolerância pode ser classificada de duas maneiras legítimas.
Primeiro, a tolerância legal que é o direito que cada pessoa tem de acreditar em qualquer crença (ou em nenhuma) que se queira acreditar. Tal tolerância é muito importante em nossa sociedade, e nós, como cristãos, devemos manter nossa convicção de que ninguém jamais deve ser coagido a crer no que cremos.
Segundo, existe a tolerância social, o compromisso de respeitar todas as pessoas mesmo que discordemos frontalmente de sua religião e ideias. Quando nos envolvemos com outras religiões e questões morais na feira ideológica, deve ser com cortesia e bondade. Temos de viver em paz com todos os indivíduos, mesmo com os de convicções e crenças divergentes.
Segundo D. A. Carson, “as melhores formas de tolerância, em uma sociedade livre e aberta, são as receptivas e tolerantes com as pessoas, mesmo quando há grande desacordo acerca das ideias delas”. Entretanto, hoje, a tolerância, em muitas sociedades ocidentais, foca cada vez mais as ideias, não as pessoas. O resultado de adotar essa nova tendência de tolerância “é haver menos discussão dos méritos das ideias conflitantes – e menos civilidade”.
A tolerância religiosa, portanto, não significa abraçar a crença do outra tomando-a como verdadeira. Tolerar significa suportar outrem na exata medida em que queremos ser suportados.
Por outro lado, a imposição ideológica de um tolerância absoluta com as ideias diferentes e até mesmo estranhas, no fundo revela um outro tipo de arbítrio e intolerância: a intolerância dos tolerantes!

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O bonde do funk agora é cultura

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por Ruth de Aquino

Mas se liga aí novinha, por favor tu não se engane. Abre as pernas e relaxa. Que esse é o Bonde do Inhame. Que esse é o Bonde do Inhame. Esse é o bonde dos cria que enfogueta as novinhas. Esse é o bonde dos cria que enfogueta as novinhas. Vai na treta do Nem que a Kátia tá também eeemmm. Larga o inhame na Silvinha.

Essa letra edificante é exemplo tosco de um funk – o ritmo oficializado na terça-feira como “manifestação cultural” no Rio de Janeiro. Na Assembleia Legislativa, o funk saiu enfim da “tutela da polícia” e passou para o campo da Cultura. Agora, é ilegal a repressão policial aos bailes.

Eu não conhecia o “Bonde do Inhame” até uma semana atrás. No engarrafamento do Túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, um motorista sem camisa fazia ecoar o batidão pelas janelas escancaradas. O asfalto tremia. Quem tinha criança no carro despistava para não traduzir “enfoguetar as novinhas” ou “ir na treta do Nem” – chefe do tráfico da Rocinha. A letra fazia apologia do tráfico, das drogas e da pedofilia.

Antes que os amigos do funk, os deputados, os acadêmicos e os jornalistas do funk digam que sou de elite e não gosto de “som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado” (“Som de preto”, de Amilcka e Chocolate), queria dizer que nada tenho contra o funk popular e inocente. Tocado sem encher o ouvido alheio.

Entendidos dizem que o funk nasceu do cruzamento da cultura pop e da música negra americana com o cancioneiro popular nacional. “Existe muito preconceito. Acham que funk é coisa de favelado e estimula violência e consumo de drogas”, diz a antropóloga Adriana Facina.

Minha manicure vive na Rocinha. É mãe de uma menina de 9 anos. Perguntei o que ela acha da lei que torna o funk um movimento cultural.

“Cultura? É obscenidade, isso sim. Aqui em casa meus filhos estão proibidos de escutar ou cantar funk. As letras são pornográficas. Fico impressionada com mãe que deixa a filha ir nos bailes, de shortinho, top, tudo de fora, sainha sem nada por baixo. No fim dos bailes, todo mundo doidão, porque tem droga livre, botam funks pesados. Tem baile de domingo pra segunda até 7 horas, como se ninguém trabalhasse.”

Quem vai reprimir, no Rio, os bailes que fazem
apologia do tráfico e da pedofilia?

Queria ver os intelectuais do asfalto morando ao lado de uma quadra com o pancadão varando a madrugada. Se a elite tem direito à Lei do Silêncio, por que os pobres têm de ficar surdos?

Para proteger minha amiga, não posso publicar seu nome. Todos têm medo. Mas, não é cultural? Quem desvirtuou o funk foram os chefes dos morros, não a sociedade civil. Eles se apropriaram de um ritmo legítimo. Hoje, muitos favelados associam funk a bandidagem.

Injusto generalizar. Mas quem fala não é elite. É mãe, trabalhadora, sem coragem de apoiar publicamente a repressão aos bailes. Qual seria o resultado de um plebiscito anônimo nas favelas?

Algumas músicas, vendidas em CDs por camelôs ou tocadas nas ruas, me foram enviadas por moradores de favelas. As letras são chulas, baseadas em estribilhos. Aí vai um exemplo: “Ela vira de frente e vem assim,…Vem x…eca, vem x…eca, bem gostosinho. Ela vira de costas, ô, empina pra mim, ô e vem assim. Vem c…inho, vem… (voz de menina) Você quer meu c…? Você quer minha b…?” (repetida ad nauseam). O funk diz sofrer o preconceito que o samba já enfrentou. É sacrilégio comparar o samba com letras de mulher-fruta e créééu.

O lobby da periferia terá de recuperar a imagem do funk nas comunidades. Adianta só condenar no microfone quem incita a crimes? Os líderes do movimento precisam expurgar quem demoniza os bailes. Um dos autores da lei que tira o funk das sombras, o deputado Marcelo Freixo (PSOL) sugere que o ritmo seja “instrumento pedagógico nas escolas”. Propõe “oficinas profissionalizantes de DJs”.

Não faz sentido mesmo vetar um gosto musical. Ou fechar os olhos a um fenômeno que movimenta R$ 10 milhões por mês no Rio e gera milhares de empregos, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Mas que se instalem banheiros químicos, câmeras e isolamento acústico, que se proíbam os proibidões. Que se controlem horários. E se fiscalize o consumo.

Eu queria que inhame fosse uma raiz. Que os bondes fossem aqueles sobre trilhos. Que as novinhas continuassem a ser meninas. E que Nem não passasse de um advérbio de negação.

Fonte: Época

 

LEITURA DO CONTEXTO (2)

Vítima do vazio existencial – Infelizmente, notícias de mais uma vítima do vazio existencial. Marcelo Silva, o ex de Suzana Vieira. Não. Não foi de overdose, como dizem as reportagens, mas sim de overvazio. As drogas são as consequências penúltimas de uma vida sem sentido legítimo, cujo propósito era a fama, a traição e a troca de corpos. O que dirão os defensores da liberação das drogas?

Óbvio ululante – Matéria da Veja que tem como título “Consumo Emocional” diz que a “A ciência conseguiu mapear as regiões do cérebro ativadas no momento da compra. A conclusão: o consumo está muito mais ligado às emoções do que à razão”. E imaginar que ninguém havia pensando nisso antes?!.

Descriminalização – A Carta Capital, revista de viés esquerdista, traz na sua página da internet a seguinte enquente: “Você é a favor da descriminalização do aborto?”. No momento em que acessei o site a opção [sim] ganhava com 71%, contra 28% do [não]. Não me perguntem onde foi parar esse 1% que falta. De qualquer forma, dê uma passadinha por lá e mude esse resultado.