Escola Dominical: Universidade oficial do cristão

Valmir Nascimento aceitou a Cristo em 1997, aos 19 de idade, em Pontes e Lacerda (MT). Desde então, nasceu no seu coração o desejo de aprender as Escrituras e o amor pela Escola Dominical. A cada nova lição bíblica, ele crescia na graça e no conhecimento, transformando a ED na melhor e mais importante faculdade da sua vida. Por isso, ele a chama de a “Universidade Oficial do Cristão”.

A ED teve, por isso, importância vital durante o período que Valmir frequentou a Faculdade de Direito. Embora tenha sido aconselhado na época a desistir do curso superior, sob o argumento de que o ambiente acadêmico poderia fragilizá-lo espiritualmente, levando ao abandono da fé, a hostilidade ateísta e o relativismo moral do campus nunca o abalaram. “Penso que isso ocorreu por causa da graça de Deus e da minha assiduidade às Escolas Dominicais. As lições bíblicas ajudaram sobremaneira a fortalecer a minha fé e a resistir aos ataques sofridos durante o período universitário”. Hoje, Valmir é jurista, teólogo, mestre em Teologia e pós-graduado em Direito, com estudos na Universidade de Coimbra (Portugal) e Universidade de Oxford (Inglaterra). É professor universitário, editor da revista acadêmica Enfoque Teológico (Feics) de Cuiabá (MT). É ainda membro e diretor de assuntos acadêmicos da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure); escritor e palestrante no 9º Congresso Nacional da Escola Dominical, comentarista da revista de Jovens deste trimestre e evangelista da AD em Cuiabá (MT).

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A Escola Dominical dos ateus

por Valmir Nascimento Milomem Santos

Artigo publicado na Revista Ensinador Cristão – Ano 11 n.º 41

Por que até os ateus também estão adotando escolas dominicais?

Nas manhãs de domingo, a maioria dos pais que não acreditam no Deus dos cristãos, ou em qualquer deus, provavelmente estarão tomando café da manhã ou numa divertida partida de futebol com as crianças, ou fazendo alguma tarefa doméstica ou, com sorte, dormindo. Sem religião, não há nenhuma necessidade por igreja, certo? Talvez. Mas alguns não crentes estão começando a achar que necessitam de algo para os seu filhos. Quando você tem crianças, diz Julie Willey, uma engenheira de design, você começa a notar que seus colegas de trabalho ou amigos têm uma igreja e se reunem para ajudar a ensinar os valores às crianças. Assim todas as semanas, Willey que é budista e nunca acreditou em Deus, e o marido dela colocam suas quatro crianças em uma minivan azul e vão ao Centro da Comunidade Humanista em Palo Alto, Califórnia, para a escola dominical ateísta[i].

Assim inicia a matéria intitulada “Sunday School for Atheist” (Escola Dominical Ateísta), publicada na revista americana, Time, em que traz à evidência uma prática relativamente recente entre ateus norte-americanos, que é a escola dominical para os filhos de não crentes. O programa pioneiro ocorreu em Palo Alto, Califórnia, com expectativas de abertura de novos trabalhos em Phoenix, Albuquerque, Portland e outras localidades dos Estados Unidos. Segundo a revista, o movimento crescente de instituições para crianças de famílias de ateus também incluia acampamentos de verão em cinco estados mais Ontario, e a Academia Carl Sagan, na Flórida, a primeira escola pública Humanista do país que abriu com 55 crianças no outono de 2005.

O Programa Palo Alto Family, registra a revista, usa música, arte e discussão para encorajar expressão pessoal, curiosidade intelectual e colaboração. Em um domingo de outono, anotam, pode-se encontrar até uma dúzia de crianças de até 6 anos de idade e vários pais que tocam instrumentos de percussão e cantam hinos como “Ten Little Indians”, em vez de canções como “Jesus me ama”. Em vez de ouvirem história da Bíblia, a classe lê parábolas seculares.

Algumas reflexões

Como se percebe, vários pais não crentes entenderam a importância de levarem seus filhos a escolas dominicais localizadas em centros humanistas onde possam, segundo eles, aprender a refutar os argumentos religiosos dos cristãos. Assim, a ED ateísta nasceu com o principal propósito de ensinar as crianças como responder à maioria dos cristãos, segundo princípios humanistas e seculares.

Ao tomarmos conhecimento desse fato, nós, cristãos, somos inundados por um sentimento de estranheza e perplexidade, é claro. Isso porque, bem sabemos, a essência dessa instituição está intimamente relacionada ao cristianismo, ao ensino bíblico e à crença inabalável em um Deus que criou todas as coisas.

Apesar disso, tal acontecimento deve ser observado de modo reflexivo, a fim de tirarmos algumas conclusões, tendo por base a indagação: Por que até os ateus também estão adotando escolas dominicais?

A nova perspectiva ateísta

Em um primeiro enfoque, é preciso assentar que a ED ateísta é decorrência de uma nova perspectiva por parte dos antiteístas (incrédulos, ateus, agnósticos, céticos etc) da atualidade. O ateísmo (pós) moderno difere-se em muito do ateísmo de um passado não muito distante. Se outrora eles não faziam questão de expor abertamente suas idéias, hoje estão a defendê-las de maneira ostensiva, baseados em uma visão de mundo eminentemente secularizada.

Com efeito, vislumbra-se no atual contexto uma espécie de ativismo ateu. Nesse sentido, podemos citar um dos seus principais precursores, o ateu Richard Dawkins, o qual, por exemplo, encabeçou recentemente uma campanha publicitária em que a frase “Provavelmente Deus não existe; então, pare de se preocupar e aproveite sua vida” foi estampada em centenas de ônibus no Reino Unido. Dawkins, inclusive, em seu livro “Deus, um delírio”, não satisfeito em simplesmente defender suas idéias, faz questão ainda de tecer duras críticas direcionadas aos cristãos, chegando ao ponto de escrever que Deus é um delinquente psicótico, inventando por pessoas loucas, iludidas”.

Nesse foco, uma ala mais fanática dos ateus estão a defender sua descrença com contornos de verdadeira religiosidade, tanto é assim que Alister McGrath no livro “O delírio de Dawkins”, escreve que “tal como um evangelista, Dawkins prega a seus devotos do ódio a Deus, os quais se deliciam com o bombardeio retórico e erguem as mãos, prazenteiros”… “os verdadeiros cientistas rejeitam a fé em Deus! Aleluia![ii].

Como anotou Ravi Zacharias[iii], infelizmente o ateísmo está vivo e é mortal. Mais perigoso ainda agora com nuanças de religiosidade materialista para quem o homem é o seu próprio Deus e a lógica científica a única forma de revelação. E assim como uma igreja que possui escola para a instrução, ensino, e fortalecimento da fé de todos os seus membros, o ateísmo da atualidade tem buscado também formas de educar as crianças segundo a visão ateísta

Ora, se o ateísmo contemporâneo adquiriu características de religião, a criação de ED para o ensino do pensamento ateu é realmente uma decorrência lógica (apesar de triste) dessa nova onda de incredulidade. É a educação para a descrença!

Escola Dominical: modelo para ser copiado

Sob um outro enfoque, porém, a utilização do modelo de ensino cristão por parte dos ateus revela algo positivo: a importância da escola dominical. A sua existência histórica tem se mostrado tão válida e necessária que até mesmo os ateus copiaram o padrão educacional cristão a fim de instruirem seus próprios filhos. Idealizada por Robert Raikes, a ED cresceu, multiplicou e deu tantos frutos que é impossível não tê-la como um padrão de sucesso educacional e digna de ser seguida. Como escreveu a missionária Ruth Doris Lemos:

“No mundo, há muitas coisas que pessoas sinceras e humanitárias fazem, sem pensar ou imaginar a extensão de influência que seus atos podem ter. Certamente, Robert Raikes nunca imaginou que as simples aulas que ele começou entre crianças pobres, analfabetas da sua cidade, no interior da Inglaterra, iriam crescer para ser um grande movimento mundial. Hoje, a Escola Dominical conta com mais de 60 milhões de alunos matriculados, em mais de 500 mil igrejas protestantes no mundo. É a minúscula semente de mostarda plantada e regada, que cresceu para ser uma grande árvore cujos galhos estendem-se ao redor do globo”.[iv]

Mas, é importante ressalvar com o Pastor Antônio Gilberto em seu livro A Escola Dominical (citado por César Moisés), que a ED é uma instituição moderna da maneira como a conhecemos, mas que o seu princípio fundamental, ou seja, o do ensino bíblico determinado por Deus ao povo de Israel como aos gentios, remonta a alguns milênios. Segundo o Pastor Antônio Gilberto: “A Escola Dominical é a fase presente da instrução bíblica milenar que sempre caracterizou o povo de Deus”.[v]

Esse fato, por si só, é um excelente ponto de análise para aqueles que sempre olharam a ED com desconfiança ou a têm como desnecessária. A sua importância, vale dizer, não é somente história, mas, sobretudo, prática. Ken Hemphil, no livro Redescobrindo a alegria das manhãs de domingos, lembra que “a Escola Dominical não é um dinossauro”[vi], o que existe é uma compreensão equivocada sobre a forma como ela deve ser mantida, de modo que nossa intenção não deve ser preservá-la por simples nostalgia; temos de descobrir ferramentas e organizações que nos capacitem a cumprir a Grande Comissão da maneira mais eficiente possível”.

Em outros termos, a Escola Dominical deve ser mantida não somente por se tratar de algo histórico e que vem sendo utilizado ao longo dos anos; mas sim em razão da enorme e crescente necessidade de genuíno e sadio alimento espiritual que só pode ser obtido pelo estudo claro, metódico, continuado e progressivo da Palavra de Deus.

A valorização dos cristãos à ED

Outro ponto que deve ser considerado acerca da matéria da Time, diz respeito à importância que os pais ateus dão à educação de seus filhos. Essa observação faz-nos refletir acerca de como os cristãos, principalmente os pais, tem valorizado a educação de seus filhos, a ED e até que ponto existe verdadeiro investimento nela. Afinal, se os ateus começaram agora a valorizar o modelo educacional da ED, mais ainda devem fazê-lo os cristãos, que conhecem de perto o seu valor.

Essa conscientização torna-se necessária porque, não poucas vezes, percebemos um visão equivocada acerca dessa agência de ensino dentro mesmo das igrejas cristãs. Como bem anota Renato Vargens, “154 anos se passaram desde que os Kalley organizaram a EBD no Brasil, e de lá para cá muita água passou debaixo da ponte. Sem titubeios afirmo que inúmeras gerações foram impactadas pelo ensino das doutrinas bíblicas nas salas de aula das escolas dominicais esparramadas pelo nosso imenso território nacional”. Entretanto, escreve ele: “Hoje, em detrimento a pós-modernidade, o que era absoluto foi relativizado. Os que outrora pregavam sobre a importância da EBD, não o fazem mais. Para piorar a situação, os crentes optaram por fazer do domingo o seu dia de lazer deixando em segundo plano o estudo da Palavra de Deus”.[vii]

Portanto, além de outros elementos, a evidenciação da ED ateísta remete-nos a uma reflexão sobre o valor que temos dado à nossa escola dominical, afinal é nela que o cristão recebe alimento substancial para a sua caminhada cristã. Como arremata Antônio Gilberto:

“É evidente que se a igreja de hoje cuidasse devidamente do ensino bíblico junto à crianças e aos novos convertidos, teríamos uma igreja muito maior. Pecadores se convertem aos milhares, mas poucos permanecem porque lhes falta o apropriado ensino bíblico que lhes cimente a fé. Falta-lhes a raiz ou base sólida e profunda. A planta da parábola morreu, não porque o sol crestou-a, mas, sim principalmente, porque não tinha raiz” (MT. 13.6).”[viii]

Valmir Nascimento Milomem Santos, é graduado e pós-graduado em Direito. Presbítero da AD. em Cuiabá/MT. Editor dos blogs www.comoviveremos.com e www.ensinodominical.com.br

Notas:


[i] JENINNE LEE-ST, John. Sunday School for Atheist. Time. Disponível em http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1686828,00.html. Acesso em 06/10/2009. (Tradução livre).

[ii] MCGRATH, Alister. O delírio de Dawkins. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p.23.

[iii] ZACHARIAS, Ravi. Pode o homem viver sem Deus? São Paulo: Mundo Cristão, 1997, p. 21.

[iv] LEMOS, Ruth Doris. A minúscula semente de mostarda que se transformou numa grande árvore. Disponível em http://www.cpad.com.br/artigos/artigo_1.htm. Acesso em 06/10/2009.

[v] GILBERTO, Antônio, citado por CARVALHO, César Moisés. Marketing para a Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.101.

[vi] HEMPHILL, Ken. Redescobrindo a alegria das manhãs de domingo. São Paulo: Eclesia, 1997, p.10.

[vii] VARGENS, Renato. Escola Dominical uma estrutura em extinção?. Disponível em http://renatovargens.blogspot.com/2009/09/escola-dominical-uma-estrutura-em_08.html. Acesso em 08/10/2009.

[viii] CARVALHO, César Moisés; op. cit.

O livro didático dos insultos

criança

por Joêzer Mendonça

A escola está desesperada. Como o aluno parece mais interessado em atualizar suas fotos no Orkut, os pedagogos acreditam que a escola precisa falar o idioma natural infantojuvenil para fazer o estudante de muito MSN e poucos engenhos se interessar pelo idioma natural acadêmico. A novidade é simples: se “todos” falam palavrão, então que os livros didáticos também falem palavrões.

Apesar do que sugerem expressões fortes como “os catetos da hipotenusa” ou “ácido desoxirribonucleico” ou, tirem as crianças do blog, “oração coordenada sindética aditiva”, os palavrões nesses livros são mais prosaicos.

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Deus não dará coroa pela ignorância

Coroa no céu pela ignorância?

Valmir.Nascimento 

Pode parecer brincadeira mas em pleno século XXI ainda existe uma turma dentro das igrejas evangélicas que se manifestam em contraridade ao estudo, à leitura e à busca do conhecimento.

É muito comum ouvirmos pastores e/ou pregadores reverberando contra aqueles que se dedicam ao estudo secular, ou que procuram ampliar seus conhecimentos teológicos.

Nas igrejas pentecostais, especialmente, o cristão intelectual é tido como rebelde, frio, calculista, modernista, liberal e inveterado insurgente. James Sire (1) chama isso de versão popular do intelectual.

Diz-se, de modo recorrente, que a igreja não precisa de mais conhecimento ou de doutores, já que ela foi criada e levada adiante por pessoas que nunca estudaram, e que, portanto, a intelectualidade é desnecessária e sobretudo perigosa, já que a “letra mata e o Espírito vivifica” (falei sobre esse tema aqui).

Hedonismo mental

O anti-intectualismo, percebe-se, ainda é uma realidade no nosso meio. Como escreveu Os Guinness:

“O anti-intelectualismo é uma disposição em não levar em conta a importância da verdade e a vida da mente. Vivendo numa cultura sensual e numa democracia emotiva, os americanos evangélicos da última geração têm simultaneamente revigorado seus corpos e embotado suas mentes. O resultado? Muitos sofrem de uma forma moderna do que os antigos estóicos chamavam de “hedonismo mental” – possuem corpos saudáveis e mentes obtusas”. (2)

Sem devaneios e meias voltas, portanto, constatamos a existência de uma batalha ridícula dentro das igrejas locais: ignorantes versus intelectuais.

De um lado aqueles que não aceitam a busca do conhecimento, e do outro, aqueles que se empenham em buscá-lo. Nessa peleja, os ignorantes vão levando a melhor, é claro, já que despudoradamente se valem da opressão e de falsas técnicas de interpretação bíblica para defender suas idéias.

Ocorre que, infelizmente, muita desse pendenga inóqua é criada pelo receio que os líderes possuem de perderem espaço àqueles que possuem mais conhecimento que eles (ou que pelo menos estudam mais que eles). Essa é uma triste realidade. O resultado é a criação da imagem de que todo cristão intelectual é arrogante por natureza, que exclui Deus da sua vida cristã.

É preciso dizer a esse pessoal que a arrogância não é afeta somente aos estudiosos, mas também àqueles que não buscam conhecimento. E o que existe de cristão que se arroga da sua própria ignorância não está escrito, como se no céu fossem receber de Deus uma coroa pela burrice exercida na terra: “Toma  filho, sua coroa, pela ignorância que demonstraste”. É risível!

 Evitando equívocos

Não quero com isso dizer que o cristão intelectual é superior ou inferir àquele que não aprecia o estudo ou a leitura. Não, não e não!

Quero simplesmente ressaltar que a vida intelectual não é sinônimo de arrogância ou de desvio doutrinário, e que tanto estudioso quanto não estudioso estão sujeitos aos mesmos erros. É claro que a vida cristã não pode pautar-se jamais pelo grau de conhecimento que possuimos, mas sim pela dependência plena à Cristo. Como escreveu Paulo: “A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (I Co. 2:5,6). O que a Bíblia censura não é o conhecimento em  si mesmo, mas o orgulho dele decorrente, como também se lê em I Co. 8:1,2.

Portanto, prezado leitor. Se você possui interesse em dedicar-se à leitura, ao estudo e à vida intelectual. Não se preocupe. Faça isso sem receios. Por mais que a tropa de choque anti-intelectual tente dissuali-lo.

 

 Notas

 1 – James Sire, Hábitos da Mente – a vida intelectual como um chamado cristão. São Paulo, SP. Editora Hagnos. 2005. p. 19.

 2 – Os Guinness, citado por James Sire, obra citada, p. 23.