O Cristão Diante da Pobreza e da Desigualdade Social

INTRODUÇÃO
I – A ASCENSÃO ECONÔMICA E O CUIDADO COM O POBRE
II – JUSTIÇA SOCIAL E PROFETISMO
III – A POLÍTICA ECONÔMICA E A DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL
CONCLUSÃO

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivo central ajudar os jovens a refletirem a respeito da relação entre justiça social e profetismo bíblico. Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, leia o subsídio abaixo:

“Existem vários tipos de pobreza, mas o que temos em mente aqui é a pobreza no seu sentido material. Nesse aspecto, pobre é a pessoa cuja renda anual é insuficiente para arcar com as despesas básicas de sua família, vivendo abaixo da linha da pobreza. Esta é a pobreza extrema, a situação de miséria. O Banco Mundial estima que tal condição existe quando se recebe menos de US$ 1,9 dólares por dia. Mas a pobreza também pode se referir às pessoas de classe social inferior que, por causa da vulnerabilidade, sofrem vários tipos de opressão.

No Antigo Testamento, encontramos as palavras ãnî, ebyôn e rãs para se referir à pessoa pobre, fraca, necessitada ou desamparada em termos financeiros. O ãnî vive do ganho de cada dia e é socialmente indefeso, estando sujeito à opressão 1. Outra palavra empregada é dal, referindo-se a alguém empobrecido ou de meios reduzidos; descreve aqueles que são as contrapartes dos grandes (Lv 19.15; Am 2.7). Dal sugere algum tipo de aflição, ebyôn enfatiza necessidade e rãs indica destituição 2. Em o Novo Testamento, a palavra ptõchos tem o sentido amplo de pobre, miserável ou impotente (Mt 11.5; 26.9,11; Lc 23.1).

Como vimos no capítulo anterior, a raiz primária da escassez foi a maldição decretada por Deus no Éden. A pobreza, igualmente, veio à existência após este evento. Aaron Armstrong observa que ‘a Queda fez da pobreza a configuração padrão, uma atração gravitacional com a intenção de nos arrastar para baixo. Isso é assim não só porque agora é mais difícil produzir riqueza material, mas também porque a Queda provocou uma cascata constante de desafios relacionais, caracterizada por desculpas e transferência de culpa pelo nosso pecado, bem como por um desejo contínuo em cada um de atuar como Deus uns sobre os outros’ 3. Biblicamente, portanto, devemos compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador.

Uma vez que a Queda é a raiz mais profunda da pobreza, a sua causa primária, as demais causas responsáveis pela miséria e má distribuição de renda são simples galhos que surgem daquela raiz, as quais podemos chamar de fatores externos da pobreza.

Existem vários fatores econômicos e sociais que podem levar alguém a essa condição, tais como opressão e sistema judiciário favorável aos poderosos (Lv 19.15), juros altos (Êx 22.25-27), salários baixos injustificáveis (Jr 22.13), dívidas (2Rs 4.7; Pv 22.26), falta de emprego, política econômica inadequada e até mesmo preguiça (Pv 19.15; Ec 10.18).

A permanência da pobreza

Em decorrência desses fatores, a Bíblia declara a constância da pobreza sobre a face da terra (Mc 14.7). Contudo, longe de indicar uma postura de conformismo e indiferença, e servir como desculpa contra a ação social, tal afirmação tem o propósito de nos conduzir ao cuidado permanente dos necessitados, enquanto eles existirem (Rm 15.25, 26; Gl 2.10; 1Jo 3.17).

É preciso observar o contexto em que tal afirmação foi dita pelo Senhor Jesus (Mc 14.7). Os discípulos estavam repreendendo a mulher que havia acabado de despejar um vaso de alabastro repleto de unguento nos pés do Mestre, como sinal de adoração. Para eles, tal ação era um verdadeiro desperdício. Na opinião dos discípulos, a mulher deveria vender o unguento e distribuir o dinheiro entre os pobres. Jesus, então, afirma: “Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me boa obra. Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes” (Mc 14.6,7).
O que Jesus está afirmando é que aquela era uma oportunidade única, momentânea, que a mulher não poderia deixar passar. Enquanto o cuidado com os pobres poderia ser realizado a qualquer momento, ante a permanência da pobreza (cf Dt 15.11). Adolf Pohl capta o ensino subjacente da afirmação de Cristo ao dizer: “Para fazer o bem não é preciso só ter dinheiro, mas também o tempo e a oportunidade certa. O bem não se pode fazer seguindo um princípio rígido, mas submetendo-se ao tempo e ao plano de Deus” 4.

O pobre e o amor ao próximo

Portanto, Jesus não estava a menosprezar o cuidado com os pobres, tanto que destaca que os discípulos poderiam fazer-lhes o bem quando quisessem. Afinal, o amor pelo pobre e o cuidado pelos vulneráveis foram dimensões importantes do ministério terreno de Cristo, tendo Ele próprio estabelecido o mandamento de amarmos o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39).

Os evangelhos retratam com fidelidade que Jesus de fato conviveu com os carentes. Ele andou entre os pobres e marginalizados (Mt 9.13). Anunciou a chegada do Reino, efetuou milagres e ensinou o plano de Deus aos menos favorecidos. Incitou os seus discípulos a ajudarem os pobres, ao mesmo tempo em que elogiava a generosidade dos menos afortunados (Mc 12.42,43). Em Lucas 14 vemos o Nazareno aconselhando as pessoas a abrirem suas casas e carteiras aos pobres, aos cegos e aos aleijados. Quando deres um jantar, disse o Mestre, não convides teus amigos, nem teus irmãos, tem teus parentes, nem os vizinhos ricos, para que não aconteça que eles também te convidem, e recebas isso como retribuição. Mas, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos (Lc 14.12,13).

Segundo Timothy Keller, o conselho de Jesus parecia mais um suicídio econômico. Pois ele estava mandando que os discípulos fizessem amizade não com as pessoas da classe alta, as quais poderiam trazer-lhes benefícios, e sim com os pobres, que não poderiam retribuir a mesma gentileza. Em outras palavras, afirma Keller, “Ele está dizendo que devemos gastar muito mais dinheiro e bens com os pobres do que com nosso próprio divertimento, seja em férias, seja em restaurantes, seja em reuniões com gente importante”5.

Ao interpretamos tais palavras, não é adequado olharmos para o povo daquela época como se tivessem sido uma massa homogênea que vivia apenas da religião 6, como bem lembrou David Fiensy ao citar H. Kreissing. De acordo com Fiensy, é necessário apreciar a história bíblica, nesse caso o Novo Testamento, também pelo prisma socioeconômico. Nesse aspecto, é importante ter em conta que Jesus viveu em condições típicas das antigas sociedades agrárias e interagiu com diversas classes econômicas. Fiensy rememora que as parábolas de Cristo “não eram apenas imbuídas de ideias teológicas, mas também de conteúdo econômico. Seu estilo de vida não refletia simplesmente as necessidades da pregação itinerante; resultou também de escolhas socioeconômicas conscientes” 7.

De Gênesis a Apocalipse é nítida a preocupação de Deus com as pessoas carentes e necessitadas, que se encontram em situação de opressão e desigualdade:

  • Não roubes ao pobre, porque é pobre, nem atropeles na porta o aflito. (Pv 22.22)
  • O que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições. (Pv 28.27)
  •  Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício. (Pv 19.17)
  •  O que oprime o pobre insulta aquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado honra-o. (Pv 14.31)
  •  Não perverterás o direito do teu pobre na sua demanda. (Êx 23.6).
  •  Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tg 2.5)
  •  Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. (1Jo 3.17,18)

Essa última passagem bíblica é contundente. A pergunta do apóstolo João nos leva a perceber que a ajuda ao necessitado é um teste da genuína fé cristã. Como podemos dizer que temos o amor de Deus em nossas vidas se, tendo condições, não ajudamos aqueles que precisam? João afirma, então, que não podemos amar de palavras, mas por obras e em verdade.

A declaração do apóstolo é importante para desfazer certa desconfiança evangélica em torno da palavra “obras”. Isso se deve em grande medida à interpretação equivocada de Gálatas 2.16: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada”. Obviamente, nenhuma pessoa é salva pelas obras da Lei, afinal, pela graça somos salvos, por meio da fé (Ef. 2.8). Contudo, é crucial perceber que Paulo está se referido às obras da Lei, e não às obras de caridade. Tanto uma quanto outra não são capazes de levar o homem a se restabelecer espiritualmente diante de Deus. Todavia, as obras de caridade refletem os frutos da salvação. Em outras palavras: a fé se manifesta em obras. Por esse motivo a declaração de Tiago: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.17). A esse respeito, Alexandre Coelho afirma: “A fé sem obras é igualmente passível de ser extinta, de ser apenas um movimento intelectual. Pode haver teologia, mas sem prática da fé cristã demonstrada nas obras, a teologia será apenas um pensamento distante, mesmo que ortodoxo 8.

Apesar do cuidado com o pobre, não encontramos nas Escrituras respaldo para a Teologia da Libertação, corrente teológica de origem católica que centraliza na pobreza a ênfase do Evangelho, e interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido. Trata-se de uma doutrina revolucionária e humanista que interpreta as Escrituras a partir da ideologia marxista, dando ênfase exagerada à justiça social. Tal teologia não coaduna com perspectiva da ortodoxia cristã, uma vez que compreende o Reino de Deus como sendo um governo eminentemente político no tempo atual, que deve ser conquistado por meio da luta dos pobres contra a opressão.

A Teologia da Libertação trata o pecado em termos de coletividade, e não como rebelião individual. A mensagem básica dos seus defensores “é a condenação dos ricos e dos opressores e a libertação dos pobres e dos oprimidos”, com se estes não pudessem pecar, contrariando assim o princípio bíblico da universalidade do pecado (Rm 3.23; 5.12).

Se a pobreza não é por si só uma virtude espiritual, como sinal de ausência de pecado, a riqueza também não corporifica em si a iniquidade. Ainda que sejamos advertidos para não ajuntarmos tesouros na terra (Mt 6.19), e também sobre os perigos do amor ao dinheiro (1Tm 6.7-10), não se pressupõe que os ricos tenham conquistado sua riqueza por meio desonesto.

Tanto o rico quanto o pobre carecem da graça de Deus (Pv 22.2), e devem igualmente ser tratados com equidade (Êx 23.3,6). Não obstante, os pobres precisam de maior proteção, porquanto se encontram em situação de maior vulnerabilidade econômica. Daí porque as Escrituras vão reiteradamente alertar para os perigos da opressão sobre aqueles que se encontram em situação de pobreza e contra a injustiça.

JUSTIÇA SOCIAL E O PROFETISMO

No Antigo Testamento, justiça — ao lado da Lei — é um dos temas centrais no relacionamento entre Jeová e seu povo, e significa de forma geral a virtude pela qual se age com retidão, justeza e integridade, de acordo com o padrão divino (Êx 9.27). Aqueles que assim procedem são chamados de justos (Jó 22.19, Sl 1.6; 14.5). Um dos termos hebraicos usados para justiça, sedhaqah, “descreve a postura e as ações que Deus possui e que espera que seu povo também preserve. Ele é inequivocamente justo; a justiça é inteiramente sua prerrogativa. Seu povo deve semear justiça e, como recompensa, receberá justiça (Os 10.12). Ele trata com seu povo segundo a irrepreensibilidade que eles demonstram (2Sm 22.21; Ez 3.20)”9. O termo refere-se ainda à punição do erro e à condição daqueles que foram justificados, isto é, considerados inocentes (Jó 11.2; Is 50.8).

Além desse aspecto, a justiça para Israel também possuía um aspecto social, envolvendo o cuidado com os pobres e vulneráveis (Mq 6.8; Zc 7.9; Sl 146.7). Nessas passagens bíblicas, justiça (hb. mishpat) denota a necessidade de tratamento igualitário aos menos afortunados, aos órfãos, às viúvas e aos estrangeiros (Jr 22.3). Enquanto povo escolhido, Israel deveria implantar uma cultura de justiça e paz, agindo com generosidade em relação ao próximo.

Em termos bíblicos, portanto, a justiça social parte do pressuposto que todas as pessoas devem ser tratadas com igual respeito e dignidade, observadas as suas diferenças. Nesse sentido, afirma-se que justiça é tratar de maneira igual os iguais e de modo desigual os desiguais, na medida de duas desigualdades. Uma vez que o homem foi criado à imagem de Deus (Gn 1.26), a injustiça (Sl 92.15) e a acepção de pessoas (Rm 2.11) são rejeitadas por Ele.

Por esse motivo, Timothy Keller chama de justiça generosa a justiça que nasce da graça de Deus. Fazer justiça, diz ele, “inclui não apenas o conserto do que está errado, mas também generosidade e interesse social, especialmente em relação aos pobres e vulneráveis. Esse tipo de vida reflete o caráter de Deus”10.

Profetizado contra as injustiças

Vemos o interesse de Deus com a implantação da justiça por meio das mensagens proféticas do Antigo Testamento. Isaías bradou contra os príncipes da sua época por não fazerem justiça ao órfão e não se importarem com a causa das viúvas (Is 1.23). Obedecendo a ordem de Deus, Jeremias disse para o rei de Judá exercer o juízo e a justiça, livrar o espoliado da mão do opressor; não oprimir ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva (Jr 22.3). Cheio do poder do Espírito do Senhor Miquéias alçou a voz contra a corrupção dos poderosos e a subjugação do povo (Mq 3). Zacarias disse para o povo mostrar piedade e misericórdia para com os vulneráveis (Zc 7.9). Em um contexto difícil, Amós condenou o desprezo e a opressão dos ricos em relação aos pobres, que eram pisados (Am 5.11) e vendidos ao preço de sandálias (2.6). Contra essa situação desumana e degradante, o profeta saiu em defesa das pessoas carentes (4.2).

Como vemos, a função profética sobrepuja a tarefa de transmitir mensagens de bênçãos da parte de Deus. Ela envolve também a denúncia do erro e a exortação contra as injustiças. Em outras palavras, o profetismo bíblico é abrangente, pois compreende, além do aspecto eminentemente religioso, as esferas econômicas e política.

Conclusão

A igreja cristã brasileira tem diante de si um enorme desafio social. Afinal, o país em que vivemos é marcado pela desigualdade social. Enquanto existe enorme concentração de renda entre as pessoas mais ricas, milhares de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, em condições de miséria. Apesar dos avanços nas últimas décadas, o Brasil ainda é um país que apresenta diferença abissal entre ricos e pobres.

Vários fatores são responsáveis pela desigualdade social, um deles é a adoção de visões econômicas distorcidas. O termo economia origina-se das palavras gregas oikos (casa) e nomos (normas). Na Grécia antiga, Economia significava a arte de bem administrar o lar, levando-se em conta a renda familiar e os gastos efetuados durante um período. Modernamente, define-se Economia como a ciência que estuda o emprego de recursos escassos, entre usos alternativos, com o fim de obter os melhores resultados, seja na produção de bens ou na prestação de serviços 11. Em outras palavras, trata-se da “ciência humana que analisa os comportamentos individuais (micro) e coletivos (macro) na medida em que estes últimos se defrontam com o problema da escassez, da falta e, da frustração humana”12.

É papel da política econômica de uma nação avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa. A economia, portanto, é um elemento importante para a vida das pessoas e das instituições públicas. Por essa razão, considerando que os princípios que norteiam a economia são vitais para o desenvolvimento sustentável da comunidade, adotar uma visão econômica coerente e que considere adequadamente a natureza humana (especialmente o seu estado decaído) é essencial para a redução da pobreza.

R. W. Mackey explica que, além da eficiência produtiva, por meio do equilíbrio dos fatores de produção (território, trabalho e equipamento), ‘uma economia equilibrada produz emprego para todos aqueles que necessitam trabalhar e oferece treinamento adequado para desempenhar a contento a sua função’ 13 . Tal aspecto é importante, afinal, a melhor maneira de reduzir a pobreza e a desigualdade social é tratando das raízes sociais e econômicas do problema. A cultura de ajuda ao necessitado, embora tenha a sua importância, pode perpetuar a condição da pobreza, enquanto a adoção de uma política econômica adequada pode estancar o problema na sua raiz”.

*Este subsídio foi adaptado de NASCIMENTO, Valmir. Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp. 50-58.

Que Deus o(a) abençoe.

Telma Bueno
Editora Responsável pela Revista Lições Bíblicas Jovens


1 VINE. W. E.; UNGER, M. F.; WHITE JR.; W. Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 232.
2 VINE; UNGER; WHITE JR., p. 233.
3 ARMSTRONG, 2015, p. 31-32.
4 POHL, A. O Evangelho de Marcos: Rio de Janeiro: Editora Esperança, 1998, p. 332.
5 KELLER, T. Justiça Generosa: a graça de Deus e a justiça social. São Paulo: Vida Nova, 2006, p. 64.
FIENSY, D. A. Christian Origins and the Ancient Economy. Oregon: Cascade Books, 2014, p. 5.
7 FIENSY, 2014, p. 6.
8 COELHO, A.; DANIEL, S. Fé e obras: ensinos de Tiago para uma vida crista autêntica. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 92.
9 BENTHO, E. C. (Coord.). Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. 3a ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, 1883.
10 KELLER, 2006, p. 36.
11RAMBALDUCCI, M. Fundamentos da economia. Disponível em http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/nilson/materiais/FUNDAMENTOS_DE_ECONOMIA.pdf. Acesso em 13/ago/2012.
12 VERVIER, J. Economia e ética: uma reflexão sobre as quatro últimas décadas no Brasil. Revista Eclesiástica Brasileira, número 247. 2002, p. 605.
13 MACARTHUR, 2005, p. 471.

Prezado professor, aqui você pode contar com mais um recurso no preparo de suas Lições Bíblicas de Jovens. Nossos subsídios estarão à disposição toda semana. Porém, é importante ressaltar que os subsídios são mais um recurso para ajudá-lo na sua tarefa de ensinar a Palavra de Deus. Eles não vão esgotar todo o assunto e não é uma nova lição (uma lição extra). Você não pode substituir o seu estudo pessoal e o seu plano de aula, pois o nosso objetivo é fazer um resumo das lições. Sabemos que ensinar não é uma tarefa fácil, pois exige dedicação, estudo, planejamento e reflexão, por isso, estamos preparando esse material com o objetivo de ajudá-lo.

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A Cosmovisão Cristã em um Mundo de Vãs Ideologias

INTRODUÇÃO
I – UM MUNDO MOVIDO POR IDEAIS E IDEAS
II – CARACTERÍSTICAS DAS IDEOLOGIDAS CONTRÁRIAS AO EVANGELHO
III – MENTES RENOVADAS PARA UM MUNDO CHEIO DE IDEOLOGIAS
CONCLUSÃO

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivo central ajudar os jovens a refletirem a respeito das ideologias contrárias ao Evangelho. Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, leia o subsídio abaixo:

“Em uma época carregada de ideologias, tanto antigas quanto novas, como o cristão pode escutar a serena voz de Deus e discernir a sua perfeita vontade quando tantas vozes humanas invadem o nosso espaço e tentam nos convencer de que são elas — e não o Evangelho — a resposta para os problemas do mundo?
Sabendo que a sociedade atual é dominada por sistemas de pensamentos incompatíveis com a fé cristã, iremos refletir a respeito do conceito de ideologia e como formar uma mentalidade essencialmente cristã, uma visão de mundo abrangente, pela qual possamos discernir as vozes do nosso tempo e refutar os sistemas de ideias incompatíveis com as Escrituras.

UM MUNDO MOVIDO POR IDEIAS E IDEAIS

Com o fim da Guerra Fria e o colapso do comunismo, muitos pensadores chegaram a declarar o fim das ideologias. O cientista político, nipo-americano, Francis Fukuyama foi um dos principais profetas dessa decadência ideológica. Fukuyama acreditava que o capitalismo e a democracia liberal representavam o último estágio da história humana e, após o esgotamento do comunismo e do fascismo, não haveria mais espaço para novas lutas ideológicas. Tal prognóstico, porém, não foi confirmado pela realidade. Embora todas as ideologias e promessas históricas que marcaram o século XX, baseadas na autonomia do indivíduo, tenham falido, caindo uma após a outra como soldadinhos de brinquedo1, outras ideologias se apresentaram para preencher o vácuo deixado 2, porquanto a mente caída do homem é habilidosa para inventar (Ec 7.19) sistemas sociais e políticos que visam dar sentido ao mundo e resolver os problemas decorrentes da Queda no pecado. Porém, quando tal idealização se firma em fundamentos secularizados, que partem da premissa da inexistência de Deus, então o desmoronamento ideológico é inevitável.

Mas, afinal, que é uma ideologia?

Em linhas gerais, os dicionários a definem como o conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo ou grupo social. Seu propósito básico é estabelecer um conjunto de premissas e pressupostos que sirvam como norte para a conduta pessoal ou coletiva. 

A ideologia pode ser vista como uma falsa consciência, utilizada com o intuito de justificar uma determinada ordem social; uma suposta leitura verdadeira da realidade 3. Nesse sentido, ideologia é um elemento básico em qualquer visão de mundo, pois fornece as crenças básicas e estabelece os ideais de vida de uma pessoa 4. Pense por exemplo no socialismo. Aqueles que acreditam nessa ideologia vivem de acordo as suas declarações básicas, pois acreditam serem elas verdadeiras. A ideologia molda as opiniões e o comportamento das pessoas, instigando-as a agirem dessa ou daquela outra maneira.

Ideias e consequências

Considerando que as ideologias não são simples modelos teóricos, elas têm repercussões. Afinal, ideias tem consequências! Thomas Sowell diz que “políticas baseadas em uma determinada visão de mundo têm consequências que se espalham pela sociedade e reverberam durante anos, ou mesmo por gerações, ou séculos”5 .

Para ilustrar o poder das “meras ideias”, Dallas Willard relembra o livro de 1889 do romancista francês Paul Bourget, intitulado O discípulo. O livro narra a história de um importante filósofo e psicólogo, que vivia basicamente absorto em coisas “meramente” acadêmicas. Ele morava em seu apartamento e a sua rotina consistia basicamente em refeições, passeios, cafés e aulas e, três vezes por semana recebia visitas de professores e aluno das quatro às seis, depois jantava, fazia uma curta caminhada. Depois, trabalhava um pouco mais e ia se deitar pontualmente às dez horas. Era a existência de um erudito inofensivo que, nas palavras de sua empregada, “não machucaria uma mosca”. Um dia, entretanto, ele foi chamado a prestar depoimento num inquérito policial sobre um de seus ex-alunos, um rapaz brilhante que costumava ir à casa de seu mestre para aprender e embriagar-se em discussões iluminadoras e libertadoras. E, na prisão, enquanto aguardava o julgamento por homicídio, o jovem rapaz escreveu ao seu mestre falando sobre aquilo que havia feito e sobre como todas as teorias aprendidas e discutidas em sala de aula foram colocadas em prática por ele. Ao final, Willard diz que “só raramente as consequências envolvem assassinato, mas os acontecimentos do mundo e da vida das pessoas navegam sobre as águas de um mar ideológico. As matanças no Camboja procedem de discussões filosóficas em Paris 6” .

Outro exemplo marcante dos efeitos negativos de ideias distorcidas está em um dos maiores assassinos da história mundial: Adolf Hitler. Suas concepções sobre a superioridade da raça ariana e as suas teses racistas e antissemitas foram responsáveis pelo genocídio de milhares de pessoas, desencadeando a 2ª Guerra Mundial. Hitler simplesmente aplicou os conceitos teóricos de sua ideologia de seleção natural aos seres humanos. Prova disso foi Auschwitz, campo de concentração e símbolo do holocausto provocado pelo nazismo.

Jesus afirmou que uma árvore é conhecida pelos seus frutos (Mt 7.15-20). Assim como árvores ruins não podem dar bons frutos, ideologias maléficas, portadoras de visões distorcidas acerca da humanidade e da moralidade, não podem dar bons resultados; ao contrário, elas trazem prejuízos e levam ao caos social. Por esse motivo, devemos ter cautela e discernimento para não nos tornarmos presas de ideologias desvirtuadas, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo (Cl 2.8).

Conclusão

Conceitualmente, vimos que ideologia corresponde a um sistema específico de ideias, uma visão totalizante da vida. Enquanto tal, ela busca resolver os problemas sociais, econômicos e políticos do mundo, apresentando-se como uma ‘tábua de salvação’. Em certo sentido, todos os sistemas de ideias possuem uma dimensão religiosa, ao prometer ao ser humano libertação de certos males que afligem a sociedade. O que distingue uma ideologia da outra é a ênfase dada a algum aspecto ou elemento presente no mundo. Com efeito, o ponto comum a todas as ideologias é a veneração excessiva a algum aspecto da criação, o que faz surgir um tipo de idolatria” (Êx 20.3; Rm 1.25; 1Co 10.7). Geralmente, pensamos em idolatria exclusivamente como o culto de imagens e esculturas feitas por mãos humanas. Mas a idolatria envolve muito mais. É o pecado que tenta substituir o Deus verdadeiro por falsos deuses criados pelo homem, sejam eles físicos ou não, tanto em forma material quanto teórica (Sl 96.5). Em sentido mais amplo, portanto, “a idolatria em formas teóricas pode incluir as vãs filosofias dos homens, pois ela tira parte da glória de Deus (Rm 1.23) e confere honras divinas a outrem. Assim, o naturalismo, o humanismo e o racionalismo são tipos de idolatria 7” .

*Este subsídio foi adaptado de NASCIMENTO, Valmir. Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp. 13-26.

1 COLSON, C.; PEARCEY, N. E agora, como viveremos. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p. 360.
2 KOYZIS, D. T. Visões e ilusões políticas: uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 17.
3 RAMOS, L. Os ídolos do nosso tempo: a cosmovisão cristã em um mundo de esquerdas e direitas. In: RAMOS, L; CAMARGO, M; AMORIM, R. Fé cristã e cultura contemporânea: cosmovisão cristã, igreja local e transformação integral. Viçosa/MG: Ultimato, 2009, p. 138.
4 PALMER, 2001, p. 26.
5 SOWELL, T. Conflito de visões: origens ideológicas das lutas políticas. São Paulo: É Realização, 2011, p. 20, 21.
6 WILLARD, 2001, p. 27.
7 PFEIFER; VOS; REA, 2000, p. 946.

Confira a vídeo-aula:

 

Relevantes como o Sal, Resplandecentes como a Luz

INTRODUÇÃO
I – COMISSIONADOS PARA TRANSFORMAR O MUNDO
II – RELEVANTES COMO O SAL
III – RESPLANDECENTES COMO A LUZ
CONCLUSÃO

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivo central mostrar aos jovem o poder do Evangelho para transformar o ser humano e a realidade social. Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, leia o subsídio abaixo:

“A metáfora ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’ empregada por Jesus é das mais contundentes e significativas do Novo Testamento, fornecendo aos discípulos inspiração e responsabilidade para o cumprimento da missio Dei1 no mundo. A ilustração empregada pelo Mestre foi decisiva para pavimentar o testemunho cristão no curso da história e ainda permanece igualmente válida para a igreja contemporânea, instigando-a ao cumprindo da missão que lhe foi confiada.
Para compreendermos a essência das palavras de Jesus, é importante destacar as palavras de Roy Zuck e Darrel Bock, a respeito do Evangelho de Mateus: ‘[…] o assunto das missões é um ponto de transição apropriado para mudar da discussão sobre Deus e sua obra para os discípulos e seu trabalho, já que o tópico diz respeito ao objeto, ao sujeito e à motivação que reúnem Deus, seu povo e os que precisam de salvação’2 . Assim, as missões ‘são uma questão de suprema importância para Mateus, fato esse demonstrado pelo lugar que ocupam no ponto culminante de seu Evangelho’3 .

As palavras registradas em Mateus 28.19, ‘[…] ide, ensinai todas as nações’ é uma ordem que assume lugar central à medida que o Evangelho de Mateus se aproxima do fim, cujo contexto ‘tem o efeito de transformar esse comissionamento em um decreto que se perpetua, já que Jesus estipula que o processo de fazer discípulos deve incluir ensiná-los ‘a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado (v.20)’4 . Dentro dessa perspectiva, ‘a principal ordem entre os mandados de Jesus que devem ser ensinados e obedecidos diz respeito às missões’5 . Mais:

Mateus não espera o fim do evangelho para enfatizar o tema das missões no ensinamento de Jesus. Na verdade, o primeiro chamado de Jesus para seus discípulos é uma convocação para que se juntem a Ele na obra de fazer mais discípulos: “Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens” (4.19). Dessa forma, as primeiras e as últimas palavras de Jesus para os discípulos se tornam uma ordem para ampliar e entender o grupo de comunhão6.

De fato, ao passo que descortinamos as narrativas do evangelho, vislumbramos não somente a preocupação de Cristo com o ministério que apontava para a cruz, mas também o seu investimento no chamado e formação de discípulos, de maneira tal que pudessem pôr em prática a estratégia de Deus neste mundo. Nas palavras de Robert Coleman: ‘O objetivo inicial do plano de Jesus era o de arregimentar pessoas que fossem capazes de testemunhar a respeito de sua vida e manter sua obra em andamento depois que retornasse ao Pai’ 7.

Não é de surpreender, portanto, que a eloquente e inconteste afirmação de Jesus para os seus discípulos sobre a qual estamos abordando, está situada logo após as bem-aventuranças, sugerindo com isso que para ser sal e luz neste mundo o discípulo deve primeiramente compreender as características e o comportamento que dele se espera. As beatitudes servem como preâmbulo constitucional da missão cristã na terra e estabelece valores que devem dirigir o encargo sociocultural dos crentes, sem os quais não temos condições de testemunhar efetivamente no presente tempo. Isso diz respeito a caráter e integridade, que devem fazer notar o sabor e a transparência da vida autenticamente cristã.

Noutras palavras, Jesus anuncia antecipadamente as qualidades daqueles que hão ser sal da terra e luz do mundo: os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores e os que sofrem perseguição. Assim o é porque, enquanto a metáfora diz respeito à diferença que os cristãos devem fazer no mundo, as bem-aventuranças destacam as diferenças que os cristãos devem ter em relação aos padrões do mundo. O expositor bíblico Warren Wirsbe disse com propriedade que as bem-aventuranças ‘[…] mostram uma perspectiva radicalmente diferente daquela do mundo ao nosso redor. O mundo estimula o orgulho e não a humildade. O mundo incentiva o pecado, especialmente se for possível escapar impunes. O mundo está em guerra com Deus, enquanto Deus deseja se reconciliar com seus inimigos e recebê-los como filhos’ 8.

Portanto, a perícope de Mateus 5.13-15 tem como pano de fundo a missão de Deus para os seus discípulos, e compõe um encargo bem específico, um comissionamento dentro da Grande Comissão (Mt 28.10-20). Partilham desse entendimento Roy Zuck e Darrel Bock, para quem tal passagem é um ‘comissionamento em miniatura’ 9, não por ser de menor importância, mas por estar associada ao mandato bíblico de proclamar a salvação e fazer discípulos.

Conclusão

Jesus inicia o seu discurso de maneira direta, sem rodeios ou meias palavras: “Vós sois o sal da terra” (v.13). Franz Zeinlinger refere que esta partícula é uma ‘determinação do ser’. Não há margem aqui para conjecturas. O Mestre diz de maneira explícita que os discípulos são o sal da terra, no sentido de obrigação, de dever ser. Por certo, tais palavras contrastam com uma cultura marcada pelas aparências e hipocrisias, presente até mesmo no campo religioso, em que as pessoas simulam comportamentos e virtudes para parecer ser alguma coisa. O comando divino não é para que o povo de Deus pareça ser sal, e sim que seja sal, de fato e de direito!

*Este subsídio foi adaptado de NASCIMENTO, Valmir. Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp. 11-16.

Que Deus o(a) abençoe.


Expressão latina que significa a missão de Deus.
2 ZUCK, R. B. (Ed). Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p. 43.
3 ZUCK, 2016, p. 43.
4 ZUCK, 2016, p. 43.
5 ZUCK, 2016, p. 43.
ZUCK, 2016, p. 44.
7 COLEMAN, R. E. Plano Mestre de Evangelismo. São Paulo: Mundo Cristão, 2016, p. 16
8 WIRSBE, W. W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento1. Santo André/SP: Editora Geográfica, 2007, p. 24.
9 ZUCK, 2016, p. 44.

Que Deus o(a) abençoe.

Telma Bueno
Editora responsável pela Revista Lições Bíblica Jovens

Confira a vídeo-aula da lição

 

O problema da fome no mundo contemporâneo

INTRODUÇÃO
I – A FOME NAS ESCRITURAS SAGRADAS
II – A FOME COMO SINAL DA VINDA DE JESUS
III – A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
CONCLUSÃO

“A falta de acesso a alimentação básica ainda é um problema crônico nesse início de Século XXI. Uma em cada sete pessoas passa fome no mundo, apontam as pesquisas mais otimistas. Não se trata de fome eventual, ocasionada pela ausência temporária de recursos financeiros. É a falta constante de comida em quantidade suficiente para saciar adequadamente as necessidades de indivíduos e famílias inteiras ao redor do planeta.

Mas como é possível explicar a insegurança alimentar no tempo presente? Por que as inovações tecnológicas e os novos meios de produção e distribuição de alimentos não foram capazes de solucionar até agora esse problema social que perdura por centenas de anos? Para responder esses questionamentos devemos nos voltar para as Escrituras, a fim de compreender a origem da escassez de alimentos e o que os cristãos podem fazer a respeito.

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Graça Preveniente

por Valmir Nascimento

Graça preveniente é o termo teológico que explica a forma como Deus capacita o homem previamente para que possa atender ao chamado da salvação. Assim como muitas outras doutrinas bíblicas, a exemplo da Trindade e da depravação total, o termo “graça preveniente” não se encontra expressamente[1] nas Escrituras, mas o ensino sim, visto tratar-se de uma categoria bíblica tácita, evidenciada por meio da interpretação sistemática do Texto Sagrado.

É importante dizer que o estudo sistemático das convicções cristãs, isto é: a reflexão teológica, tem como fonte primária as Escrituras Sagradas; no entanto, historicamente o cristianismo tem se valido também de três fontes e normas secundárias para contribuir com a hermenêutica bíblica: a tradição, a razão, e a experiência. Conforme Olson, o Sola Scriptura é o princípio ideal que capta e expressa corretamente a convicção de que a Bíblia é a regra normativa (norma normans) e a fonte mais importante para determinar a correção em todos os assuntos da fé e vida cristãs.

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