Vivendo em Santidade e Integridade


Introdução
I-Conselhos para uma vida de santidade;
II-A ordem da santidade;
III-A natureza da igreja.
Conclusão

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivos:
Compreender os conselhos de Pedro para uma vida de santidade;
Refletir a respeito do mandamento divino para sermos santos em toda a nossa maneira de viver;
Saber acerca do fundamento e da natureza da igreja.

Palavras-chave: Esperança, alegria, crescimento e firmeza.
Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio de autoria do pastor Valmir Nascimento:

Depois de falar sobre a esperança da salvação, Pedro exorta os leitores da sua carta para uma vida santa. Ele havia destacado a importância de caminhar em esperança, agora sua ênfase é caminhar em santidade. As duas coisas andam juntasi.

O apóstolo estava preocupado com a salvação dos crentes, mas também com a integridade moral deles. Afinal, fomos salvos “de”, como também “para” alguma coisa. Por essa razão, para muitos estudiosos, a primeira carta de Pedro também poderia ser chamada de “Epístola da Vida Santa”, pois enfatiza a importância da santidade após o novo nascimento.

Conselhos para uma Vida de Santidade

Preparando a mente (1.13,14)

A palavra “portanto…” empregada por Pedro em 1.13, conecta o raciocínio anterior com o tema a seguir apresentado. Uma vez que os crentes foram agraciados com a salvação, e adquiriram uma esperança viva, devem agora dar mostras da nova vida por meio de uma conduta íntegra.

O apóstolo, então, dá três conselhos para uma vida ajustada e compatível com as bênçãos da salvação:

Prepare a mente. A expressão “cingindo os lombos do vosso entendimento” tem um sentido metafórico; remete à prática da época de amarrar a vestimenta acima da cintura para ficar pronto para a ação. O conselho é que os crentes preparem as suas mentes, a fim de poderem pensar adequadamente e com profundidade as coisas de Deus e o mundo à sua volta. Ênio Muller explica que o termo grego dianoias (entendimento) é um pouco diferente de nous (mente). Ele denota mais a mentalidade, aquilo que a mente produz, de sorte que “cingir o entendimento” significa, então, “pensar nisso, e tirar as conclusões apropriadas”ii.

Por que Pedro está falando sobre isso? Porque a santificação abrange primeiramente a mente, o centro das decisões e das faculdades da pessoa. Vivemos a partir do que pensamos. Se os nossos pensamentos são ruins, todas as nossas decisões o serão igualmente.

Apreender a pensar corretamente é uma tarefa difícil, pois a mente humana tem a obscura tendência de inclinar-se para o caminho errado. Mas a Bíblia nos revela que quando aceitamos a Cristo, em arrependimento, passamos por um processo de conversão, do grego metanoia (At 3.19), que significa mudança de pensamento. Por isso, Paulo diz que temos a mente de Cristo! (1 Co 2.16), ou nos insta a sermos transformados pela renovação do entendimento (Rm 12.2).

Que isso quer dizer? Numa profunda e extensa pesquisa a respeito da visão de Paulo sobre a mente transformada, Craig Keener destaca que o apóstolo dos gentios fazia em suas cartas uma contraposição entre a mente corrompida/carnal (Rm 1.18-32; 7.22-25) – que distorce os indícios de Deus com uma cosmovisão falsa e, com isso, interpreta incorretamente o restante da realidade, inclusive a identidade e o propósito dos seres humanosiii – e a mente da fé, a mente do Espírito ou a mente transformada e regenerada (Rm 8.5-7; 12.2) – a mente que confia em Cristo reconhece uma nova identidade, na qual o passado foi perdoado e os impulsos da carne não determinam as ações da pessoaiv.

Keener explica que ao escrever a carta aos Coríntios, Paulo não argumenta apenas que a sabedoria humana é incapaz de compreender Deus, mas também que, pelo Espírito, os crentes podem entender os desígnios do Senhor. Assim, ter a mente de Cristo ou agir com base na habitação interior de Cristo (Rm 8.10; Gl 2.20) inclui provavelmente toda uma gama de elementos: capacitação moral; uma estrutura de pensamento teocêntrica, cristocêntrica, eclesiocêntrica e missionalv.

O escritor A. W. Tozer também dizia que ter a mente de Cristo significa que devemos ter os pensamentos de Deus. Em suas palavras: “O cristão cheio do Espírito e que tem vida de oração possui de fato a mente de Cristo, de modo que as suas reações ao mundo exterior são as mesmas de Cristo”vi. Contudo isso não é automático. Para agir dessa maneira, devemos cooperar com Deus, aprendendo a pensar continuamente como Ele. Só assim iremos experimentar a santificação das nossas mentes.

Seja sóbrio. Pedro também assevera que o cristão deve ser sóbrio, ou seja, ter domínio próprio, autocontrole, pois a vida cristã é incompatível com os excessos. Além de significar ao crente abster-se da embriaguez, a sobriedade refere-se também ao viver com moderação, em constante equilíbrio (Rm 12.3; Ef 5.18). Tal virtude deve ser uma característica dos salvos, porquanto as Escrituras assim nos exortam reiteradamente (1 Ts 5.6; 2 Tm 4.5).

Espere na graça. A santificação envolve ainda esperar inteiramente na graça. Diante do contexto sombrio a que estavam submetidos, os destinatários são encorajados a olharem para frente e aguardarem em Deus. Isso não é passividade, é paciência: o ato de confiar na providência divina.

Pedro está dizendo aos leitores da sua carta: Não se afobe, espere na graça! Não se desespere, espere na graça! Quando tudo ao nosso redor parece ruir, descansamos em Deus e deixamos que Ele cuide de nós e do nosso futuro. O salmista disse: Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor (Sl 40.1). O que isso tem a ver com santidade? Tudo! Mentes agitadas, estressadas e impacientes são muito mais propensas a cometerem falhas morais, conforme apontam pesquisas na área da psicologia comportamental.

Vivemos em uma cultura imediatista e acelerada, na qual as pessoas perderam o hábito de esperar. “Tudo ao mesmo tempo e agora” é um dos slogans que caracteriza bem a sociedade contemporânea. O adoecimento emocional e psíquico que acomete boa parte da população de hoje é em grande parte consequência da ansiedade descontrolada. Portanto, a espera confiante em Deus, além de preparar o coração para o futuro, contribui para que o crente tenha uma vida emocionalmente saudável.

A Ordem da Santidade (1.15-17)

Considerando que a santificação se prova com ações reais, Pedro exorta-nos como “filhos da obediência” (ARA) a termos um padrão de conduta exemplar. Tal expressão, comum naquele tempo, demonstra que os crentes pertencem à família de Deus, cuja vida se caracteriza pela obediência ao Pai celestevii.

A prova dessa obediência sincera é a inconformidade com o mundo (Rm 12.2) e com as concupiscências – os desejos e as paixões carnais da antiga vida. Quando a santidade de Deus molda o nosso caráter, não nos conformamos com o pecado. Ainda que o cristão esteja sujeito a uma batalha interna contra a carne (Rm 7.20), não deve achar normal cometer qualquer tipo de pecado, muitas vezes sob a justificativa do “não tem problema”.

O apóstolo Pedro reitera, então, uma ordem divina contida nas Escrituras: Sede santos, porque eu sou santo! (Lv 11.44; 19.2). Deus não nos dá uma opção sobre sermos ou não santos. A santidade é uma exigência divina. O seu propósito é que tornemos cada vez mais parecidos com aquele que nos chamou (Sl 99.9; Ap 4.8). É bem verdade que nunca chegaremos à perfeição de Deus, mas é nosso dever vivermos numa constante busca pelo padrão divino, refletindo a sua glória.

Muitos concebem a santidade como algo bastante severo e até mesmo opressor, resultado do esforço humano. Longe disso, a santificação decorre da ação libertadora e transformadora de Deus em nós. Quando o Senhor nos ordena a santidade, na verdade, está querendo que deixemos Ele trabalhar em nós, corrigindo, guiando e purificando as nossas vidas (Jo 17.17; 1 Ts 5.23). A santificação não decorre do mérito do homem, mas da graça de Deus. Mas este processo requer a disposição e a cooperação do indivíduo (2 Tm 2.21,22; 1 Jo 3.3). O Espírito Santo é o agente da santificação (Rm 1.4) e a Palavra de Deus, o instrumento (Jo 17.17; Ef 5.26).

É importante perceber que a santidade não envolve somente uma área de nossas vidas, mas se aplica a toda a nossa maneira de viver. Isso porque, santidade tem a ver com integridade. A santificação produz uma conduta autêntica, honesta e virtuosa, que afasta o salvo das práticas reprováveis. Nas palavras de John Eldredge: “Você não consegue se tornar íntegro sem se tornar santo, nem pode se tornar santo sem se tornar íntegro. As duas coisas andam juntas”. Por esse motivo, logo adiante, Pedro vai apresentar uma lista de cincos vícios morais que os cristãos devem deixar: malícia, engano, fingimentos, invejas e murmurações (2.1).

Embora a santidade refira-se à separação do homem para viver para Deus, ela não significa uma exclusão da vida social. Tornamo-nos santos não pelo fato de vivermos em guetos espirituais, apartados daquilo que chamamos de “mundo secular”. O mundo é único, e como tal a santidade se expressa em qualquer lugar em que estejamos. Logo, a santidade envolve colocar em prática as palavras do apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). A santidade não é outra coisa senão viver para a glória de Deus, em total dependência à sua graça.

Juntamente com a exigência da santidade há também uma advertência: “E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação” (v.17). Pedro havia destacado que os crentes são “filhos da obediência”, agora enfatiza que o Pai celestial é também juiz. Noutras palavras “ser membro da família de Deus é um grande privilégio, mas isso não deve levar à presunção de que a desobediência passará em branco ou sem receber disciplina” . Por esse motivo, enquanto estamos nesta terra, suportamos a correção do Senhor, pois Ele está nos preparando para algo melhor. Afinal, somos filhos, e não bastardos. E assim somos disciplinados para o nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade (Hb 12.7-10).

Andar em temor não é o mesmo que andar com medo de Deus, como uma espécie de covardia religiosa. Conforme a expressão de J. B. Philips, “Deus não é um policial onipresente, que anda à espreita esperando o nosso vacilo”. Quem tem ao Senhor como um bondoso Pai compreende essa enorme diferença. O temor é resultado da veneração santa, firmada na íntima comunhão existente entre Pai e Filho.

Muitas pessoas poderão ter grandes dificuldades de comparar Deus com a figura de um pai, em virtude de amargas experiências da infância. Nesse caso, escreveu Philips, “se a pessoa tem medo do pai, consequentemente, o Pai do Céu lhe parecerá também, um ser terrível”ix. Certamente, este problema não é de ordem religiosa, e sim psicológica. Estes traumas fazem nascer um medo de Deus fora do normal, prejudicando a própria experiência cristã.

Como superar isso? Devemos compreender que “quando Cristo ensinou seus discípulos a considerar Deus como o Pai do céu, não significou, com isso, que a ideia que tinham de ter de Deus deveria ser baseada naquela que guardavam de seus próprios pais injustos, tiranos, grosseiros, falsos, irresponsáveis ou condescendentes”x . Em vez disso, é preciso ter em mente que Cristo estava destacando o relacionamento; “o amor existente no íntimo e o interesse externado nas atitudes de um bom pai terreno para com seu filho representam para os homens um relacionamento que é fácil de compreender, mesmo que sejam órfãos”xi.

Portanto, a analogia que as Escrituras fazem de Deus como o Pai celestial não levam em consideração qualquer pai, muito menos aquele relapso e malvado. O referencial é o pai piedoso, justo, amoroso e disposto a perdoar.  A visão distorcida que alguém possui sobre Deus por causa de sua experiência paterna pode ser curada. Você pode provar a bondade do Pai celeste entregando seus sentimentos, e pedindo que Ele transforme seu medo em temor, culpa em perdão e trauma em libertação!

Resgatados pelo Precioso Sangue (1.18-25)

Na sequência, Pedro faz recordar a razão para uma conduta digna por parte do crente.

Primeiro, porque fomos resgatados da nossa vã maneira de viver. Pedro faz uma alusão às práticas antigas em que pessoas presas ou escravas eram resgatadas com o pagamento de um valor. Éramos escravos do pecado e destituídos da glória de Deus, mas Cristo pagou o preço do nosso resgate. Este é o cerne do Evangelho. Logo, uma vez que fomos resgatados da nossa antiga vida fútil e sem propósito, não faz sentido continuarmos a viver da mesma maneira, na prática do pecado.

Em segundo lugar, esse resgate não foi pago com coisas perecíveis, como o ouro e a prata. Esses metais até podem ser valiosos economicamente, mas não possuem valor algum para libertar o homem perdido. Podem ser úteis para o comércio, mas são inúteis para o resgate espiritualxii . Nenhuma alma pode ser salva por dinheiro algum, pois dinheiro algum pode quitar o alto valor de uma alma criada por Deus. Nós fomos resgatados pelo sangue de Deus, pois somente o sangue de Deus é precioso o suficiente para pagar a nossa dívida (Cl 1.14). Isso porque, seu sangue, que era a sua própria vida (Mt 20.28), foi derramado por nós. A expressão “o sangue de Cristo” quer dizer a sua morte em seus aspectos salvíficosxiii . A Bíblia diz que Jesus deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo (1 Tm 2.6).

Em terceiro lugar, não foi um resgate improvisado ou de última hora. Pedro diz que ele foi idealizado antes da fundação do mundo. Stanley Horton afirma que “mesmo antes da formação do mundo, o Pai e o Filho já haviam considerado o preço de nossa redenção”xiv.  Antes de todas as coisas, Jesus havia sido eleito o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O plano da redenção estava pronto desde a eternidade passada.

E por causa disso, prossegue o autor da carta, podemos confiar em Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos e lhe deu grande glória. Para que a nossa fé e esperança possam descansar em Deus (v. 21). E agora, então, fomos purificados e conduzidos à obediência da verdade, e podemos testificar com um amor verdadeiro por todos, com um coração puro (v.22). Essa é a santidade experimentada. Roy Nicholson afirma que “essa purificação é tanto negativa, deixando toda malícia (cf. 2.1), quanto positiva, revestindo-se do que é bom e crescendo nisso”xv. Conforme Nicholson, “a purificação é algo muito além daquilo que começou na regeneração (cf. v.3) e envolve uma resposta momento a momento em relação à revelação do Espírito Santo no que tange à vontade de Deus”xvi.

Somos santos, afinal, porque temos uma nova vida, transmitida a nós por meio de uma semente incorruptível, pela Palavra de Deus que é eterna (v.23). Cada criatura – o homem natural – como uma flor murcha e morre. A existência é transitória e fugaz. Mas a Palavra do Senhor dura para sempre (v.25).

Desenvolvendo a Santidade (2.1-3)

No capítulo 2, Pedro prossegue o raciocínio do trecho anterior. “Deixando, pois, toda malícia, e todo engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações…” (v.1). A palavra “pois” remete ao mandamento “amai uns aos outros” do verso 22, explicando com mais detalhes o sentido de “amar ardentemente”xvii. Aqui, Pedro diz que devemos nos despojar de cinco vícios que contrariam a vontade de Deus: malícia ou impiedade é o desejo de fazer o mal a alguém, trazendo-lhe sofrimento ou dor; engano ou dolo consiste na ação ardilosa para defraudar ou prejudicar o outro; fingimento ou hipocrisia é toda atitude para esconder as más intenções contra alguém atrás de uma máscara de santidade; inveja é o sentimento de querer ocupar o lugar do outro, ou de não se alegrar com a conquista do próximo; murmuração ou maledicência é falar mal a respeito da vida alheia.

Além de abandonar o pecado, os crentes em Cristo são aconselhados a “desejar afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo” (v. 2).  Pedro usa a ilustração de uma criança recém-nascida que precisa se alimentar para poder se desenvolver. Segundo Ênio Muller, “como os bebês anseiam pelo leite materno, assim os renascidos espiritualmente devem desejar com ardor o ‘leite racional’”xviii. Basta você olhar para uma criancinha que clama por leite quando está com fome para compreender a mensagem de Pedro. Ele está dizendo: “tenha aquela mesma vontade de se alimentar da Palavra como um bebê que chora pelo leite da sua mãe”.

O leite a que Pedro se refere é um leite puro, não contaminado, numa alusão à Palavra de Deus. Afinal, a Palavra de Deus nos fortalece e nos faz crescer espiritualmente. Assim como uma criança desnutrida, o crente que não se alimenta do leite espiritual é fraco e raquítico na fé. Somente a Palavra de Deus fornece os nutrientes necessários para o crescimento espiritual. Por isso, o povo de Deus precisa ser alimentado da Palavra. Infelizmente, vivemos dias em que as pessoas preferem fastfoods espirituais, em vez de uma palavra bíblica que dá sustância; preferem algodão doce para a emoção, no lugar de mantimento que fortalece a alma. Eis o motivo pelo qual temos tantos crentes doentes na fé e que não crescem no conhecimento de Deus.

O Povo Santo de Deus (2.4-10)

Após usar a figura do leite como metáfora para o crescimento espiritual, Pedro passa a empregar na sequência a imagem de um edifício. Como iremos perceber, o apóstolo desloca sua análise do crescimento individual para a edificação dos crentes enquanto povo de Deus.

A nossa edificação espiritual começa – e termina – em Cristo, a pedra viva que foi rejeitada pelos homens, mas é eleita e preciosa de Deus (v.4). Na primeira ocasião em que mencionou a igreja, Jesus comparou-a a um edifício: “Edi¬ficarei a minha igreja” (Mt 16:18). Numa interpretação equivocada desta passagem muitos acreditam que Pedro seja o fundamento da igreja. Mas, enquanto Pedro é uma pedra pequena, por isso também chamado de Cefas, Jesus é a rocha sobre a qual a igreja está edificada. A metáfora da pedra de esquina é uma referência direta a Cristo. Naquele tempo, pedra de esquina ou pedra angular era a mais importante de uma construção, aquela que ficava na base e dava a direção do edifício.

Logo, a base sobre a qual a igreja está edificada não é o apóstolo, mas o próprio Senhor Jesus. Ele é a pedra principal, o firmamento espiritual da sua igreja. Através dEle nos tornamos pedras vivas (v.5). Embora rejeitada pelos homens incrédulos e desobedientes, ele é a rocha eleita e preciosa para os crentes (vv.6,7). A rejeição de Cristo faz-nos lembrar de Isaias 53, especialmente o verso 3: “Era desprezado, e o mais indigno entre os homens…”. Isso porque, Cristo não veio para agradar aos homens, mas para cumprir o propósito de Deus de expiar o pecado da humanidade (Is 53.9).

Se somos edificados em Cristo, somos também pedras vivas e sacerdócio santo (v.5), indicando a íntima relação com o nosso Senhor, a quem devemos em tudo imitar.

O objetivo do apóstolo é demonstrar que os crentes se encontram numa posição privilegiada: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido…” (v.9). Tais designações, anteriormente aplicadas à nação de Israel, referem-se agora à igreja. Na antiga aliança, a nação de Israel foi eleita para ser um canal de benção para as demais nações (Gn 12.3).

Mas, devido a sua desobediência e fracasso, Deus faz surgir um novo povo, formado por todos aqueles que creram em Cristo e em sua obra salvadora, sejam judeus ou gentios (Ef 2.14). A missão desse povo é anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (2.9).

A expressão geração eleita evidencia que, em termos bíblicos, a eleição para a salvação não é individual, mas corporativa (cf. 2 Ts 2.13), sempre por intermédio de Cristo. A nossa eleição vem de Deus: “sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus” (1 Ts 1.4).

Ao dizer que somos o sacerdócio real, Pedro destaca que, enquanto o ofício de sacerdote era privilégio dos membros da tribo de Levi, na Nova Aliança a igreja ocupa a posição de sacerdócio real. Conforme Ênio Muller: “É significativo o fato de que todos fazem parte dEle, e não somente um grupo de clérigos institucionalmente ordenados ou alguma casta sacerdotal”xix .

Portanto, não precisamos de mediadores entre nós e Deus. A Reforma Protestante revigorou a doutrina do sacerdócio de todos os crentes, no sentido de que cada cristão tem livre acesso à presença do Pai, tendo como único mediador o Senhor Jesus Cristo (1 Tm 2.5).

*Adquira o livro do trimestre. NASCIMENTO, Valmir. A Razão da Nossa Esperança: Alegria, Crescimento e Firmeza nas Cartas de Pedro. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

 

i WIRSBE, 2007, p. 510.
ii MUELLER, 1988, p. 98.
iii KEENER, Craig. A Mente do Espírito: a visão de Paulo sobre a mente transformada. São Paulo: Vida Nova, 2018, p. 87.
iv KEENER, 2018, p. 113.
v KEENER, 2018, p. 285.
vi TOZER, A. W. Esse cristão incrível. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 92.
vii GRUDEM, 2016, p. 79.
viii GRUDEM, 2016, p. 82.
ix PHILLIPS, J.B. Seu Deus é pequeno demais. São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 13.
x PHILLIPS, 2007, p.15.
xi Idem.
xii LOPES, 2013, p. 53.
xiii GRUDEM, 2016, p. 86.
xiv HORTON, 2012, p. 25.
xv NICHOLSON, 2016, p. 222.
xvi Idem.
xvii GRUDEM, 2016, p.94.
xviii  MULLER, 1998, p. 121.
xix  MULLER, 1998, p. 127.

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