Tempo Presente


Valmir Nascimento

Dentre as fases do tempo, o presente é o mais breve. Ele vive entre o passado e o futuro, espremido entre o que o foi e o que há de vir.

Mas, o que é o presente? Seria ele o dia que chamamos hoje? Mas, este também tem o seu passado e o seu futuro, dividido pelas horas e minutos que passam entre os nossos dedos e aqueles que rapidamente inauguram um novo instante.

Como disse Agostinho, “o tempo [presente] voa tão rapidamente do futuro ao passado que não tem nenhuma duração. Se a tivesse, dividir-se-ia em passado e futuro. Logo, o presente não tem nenhum espaço”.

Para o bispo de Hipona, a alma humana é como uma ampulheta cuja âmbula superior detém todo o tempo futuro que se torna presente na alma ao passar pelo exato meio do orifício que o faz passar para a âmbula inferior, de futuro para passado.

Reside aqui o desafio de viver no tempo presente: aproveitar sabiamente o instante de cada grão de areia que passa pelo divisor entre o futuro e o passado.

O presente, afinal, não é contado no relógio, mas na alma; não pode ser medido pela sua duração, e sim pela experiência que nos marca e pela intensidade com que o vivenciamos.

Nisso também reside a beleza do presente: cada passagem da areia pelo centro da ampulheta é único, pois, diferentemente do objeto, a ampulheta da vida não será virada.

Viva cada pedacinho da sua existência com singularidade e intensidade, pois cada grão que se foi não voltará mais.

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