Uma nota sobre a nota pública sobre debates entre calvinistas e arminianos


Felizmente, a repercussão da nota pública sobre debates teológicos entre calvinistas e arminianos tem sido positiva. A grande maioria tem apoiado o manifesto e subscrito os seus termos.

Entretanto, é claro, uma minoria de ambas tradições se levantou raivosa e enfurecidamente contra um documento que defende – vejam só vocês – o respeito e a cordialidade na exposição de convicções cristãs. Os descontentes ficaram horrorizados com tamanho descalabro e se mostraram preocupados com as consequências que isso pode gerar. Heresia! Alguém bradou.

Esperar unanimidade dentro do evangelicalismo é utopia infantil, obviamente. A liberdade de expressão e de opinião divergente é um princípio básico para a democracia em geral e o protestantismo em particular. Todavia, quando os argumentos contrários não superam minimamente a sensatez, especialmente do ponto de vista bíblico, logo percebemos do que é feita uma parte da massa de nossa cristandade.

Um liberal disse que a nota era impertinente, porque estava atrasada. Um arminiano radical afirmou que era pura hipocrisia, e por isso não deveria existir. Um calvinista ortodoxo expressou que aqueles que subscreveram a nota não tinham legitimidade para fazê-lo. Enquanto isso, os proselitistas dogmáticos e os mantenedores de páginas de humor gospel a trucidaram, afinal, é claro, ela contraria o cerne do seu negócio: a teologia infantil e ofensiva.

Sobre o teor da nota, em si, nada disseram. A divergência se manteve na marginalidade do fato e na hermenêutica das entrelinhas, tentando encontrar uma teoria conspiratória em um simples documento que diz o essencial, daquilo que se espera de verdadeiros cristãos, sejam eles arminianos ou calvinistas. Afinal, espera-se que os seguidores de Cristo sejam, antes de tudo, cristãos.

Em tempos em que a simplicidade é difícil de ser compreendida, é preciso dizer o óbvio ululante: a nota não impede a confrontação gentil e o debate produtivo. Ela simplesmente diz discordar das discussões e ataques pessoais realizados em nome da fé.

Ainda que a nota tivesse simplesmente citado expressamente João 3.16, a turma do “nós contra eles” não estaria satisfeita. Sectários, por natureza, não aceitam a convivência pacífica com aqueles que fazem parte de outra tradição religiosa. Eles farão de tudo para manter o status quo da ponte que o separa, confrontando qualquer tentativa de aproximação respeitosa.

(Valmir Nascimento)

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5 comentários em “Uma nota sobre a nota pública sobre debates entre calvinistas e arminianos

  1. Diz a NOTA PÚBLICA que o “intercâmbio” de ofensas e agressões variadas ocorre “principalmente entre calvinistas e arminianos”. Bem, é óbvio, elementarmente óbvio, que a extravasão do pensamento não é apenas livre, mas necessária, desde que respeitado o direito intocável do semelhante. Dito isto, gostaria apenas de relembrar que, LAMENTAVELMENTE, o próprio francês João Calvino “ensina”(sic) em seu livro tão celebrado pelos adeptos como ofender e difamar pessoas, na medida em que ele se refere a TODOS QUANTOS DELE DISCORDEM EM TERMOS DOUTRINÁRIOS com adjetivos do tipo: CÃO, CÃO IMUNDO, PORCO, BILTRE, SUÍNO, SERPENTES SINUOSAS etc. etc. Portanto, sugiro que os signatários da NOTA façam essa ressalva no sentido de que, APESAR DOS PÉSSIMOS EXEMPLOS DE JOÃO CALVINO, os seus partidários hão de evitar imitá-lo, para o bem da convivência gregária hígida.

  2. Seria de bom alvitre que o irmão José Rubens Medeiros citasse a fonte. Também me aborrece a ignorância de calvinistas e arminianos superficiais em seus comentários, que menosprezam a boa conduta cristã e se comprazem com a discussão por si mesma. Seria uma boa oportunidade, lembrar aos nossos irmãos calvinistas o que devem rejeitar em Calvino.

  3. Edilson Meirelles:
    A fonte a que você se refere foi tacitamente citada no meu comentário, ou seja, a produção literária conhecida como “Institutas da Religião Cristã”, formato pdf, quatro volumes, tradução de Waldyr Carvalho Luz; ou caso alguém prefira, a versão na língua inglesa, “The Institutes of the Christian Religion”, volume único, tradução de Henry Beveridge. A propósito, o cidadão francês e maçom João Calvino não apenas tinha o estranho hábito de dirigir xingamentos a quaisquer pessoas que dele divergissem em termos doutrinários, mas chegou ao ponto de, nesse mesmo livro, apregoar que fossem PERSEGUIDOS E ELIMINADOS. Vou transcrever exemplos específicos:
    01. “…Mas, a novidade (se assim se deve denominar) de termos desta espécie então vem a uso mui relevante, quando se tem de afirmar a verdade contra seus detratores, os quais, em tergiversando, a evadem, o que hoje experimentamos sobejamente. Elas vêm muito a propósito para que os inimigos da pura e sã doutrina sejam desbaratados, mormente em que, com seu serpear sinuoso e insinuante, estas serpentes escorregadias se escapolem, a menos que sejam acossadas com vigor e, apanhadas, sejam esmagadas.” (vol. I). Veja o equivalene na versão em inglês: “…Of this, we of the present day have too much experience in being constantly called upon to attack the enemies of pure and sound doctrine. These slippery snakes escape by their swift and tortuous windings, if not strenuously pursued, and when caught, firmly held.” (vol. único)
    02. Alguns exemplos de xingamentos ridículos por parte do João Calvino:
    a) “…E obviamente não estão mentindo totalmente, pois que há muitos suínos que conspurcam a doutrina da predestinação com essas impuras blasfêmias, e, até com este pretexto, evadem a todas e quaisquer advertências e censuras…(vol. III)
    b) “…Mas esse repelente grunhido de suínos é por Paulo corretamente contido. Dizem prosseguir seguros em seus desregramentos porque, se forem do número dos eleitos, os desregramentos nada haveriam de impedir a que, finalmente, sejam conduzidos à vida.” (vol. III)
    c) “…Impõe-se-nos, entretanto, precaver-nos da diabólica imaginação de Serveto, que, enquanto pretende exaltar a grandeza da graça de Cristo, ou, pelo menos, finge querer, abole totalmente as promessas, como se chegassem ao fim juntamente com a lei. Pretexta ele que pela fé no evangelho se nos depara o cumprimento de todas as promessas. Como se, na verdade, nenhuma distinção haja entre nós e Cristo!

    Enquanto isso, nos ordena o Espírito Santo a reclinarmos sobre as promessas, a cuja autoridade entre nós deve conter todos os ladridos desse cão imundo.” (vol. II)
    Claro que, além dessas agressões verbais sem sentido e sem qualquer infinitésima justificativa (OBVIAMENTE), existem, ainda, na mesma fonte, HERESIAS notórias.

  4. Olá, Edilson Meirelles: Informo-lhe que respondi ao seu comentário, mas estranhamente minha resposta não foi publicada, isto é, sofreu uma espécie de “censura” pelos administradores do sítio COSMOVISÃO.

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