A teologia de Avatar


Christian Gillis

O sucesso de “Avatar” foi bilionário. Os efeitos visuais do filme de J. Cameron são mesmo incríveis — assisti em 3D. A mensagem central é alinhada ao que tem sido considerado politicamente correto pelo paradigma socialoide, tanto antropológica como ecologicamente. Milhares de povos têm sido de fato destruídos ao longo da história por causa da ganância império-colonialista, que passa como um rolo compressor por cima de terras, casas, referências culturais, corpos e o que mais for preciso em nome do lucro. Tangencialmente somos informados que a Terra já teria seu habitat destruído — e agora vemos os homens (machos brancos) exportando para os limites da galáxia a cultura de exploração destrutiva, garantida por tropas militares (mercenários sem bandeira, mas que se comunicam no idioma do mercado…), enquanto os frágeis (mulher e deficiente físico) salvam o mundo imaginado no espaço. Uma projeção na telona das angústias e anseios da humanidade.


Então, a mensagem de preservação de povos, culturas e o meio ambiente é bacana e necessária. Porém chamo a atenção para a teologia (o discurso sobre o deus, o divino, a deidade) que é sedimentada na mente dos expectadores “almiabertos” (boquiabertos). Não é questão de demonizar a produção e não assistir ao filme, mas de saber os corantes e conservantes que o compõem e aos quais somos expostos (e que não são informados na embalagem) e que, em alguns casos, colateralmente, poderão redundar nalgum câncer espiritual.

Cito a Wikipédia, por ser uma referência popular: “Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal, segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito ‘Avatāra’, que significa ‘descida’, normalmente denotando uma (religião), encarnações de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade… Qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra…” Quando essa forma impersonalizada de Deus transcende daquela dimensão elevada para o plano material do mundo, ele — ou ela — é conhecido então como a encarnação ou Avatara… Em uma concepção mais abrangente, a encarnação poderia ser descrita como o corpo de carne. Mas essa concepção seria talvez errada, conquanto tais formas divinas não se tornam reais seres de carne e osso, ou assumem corpos materiais. Uma alma comum assume corpos materiais de carne e osso, mas no caso dessa manifestação divina, seu corpo e sua alma transcendem a matéria e, embora apareçam como impersonalizações, aquele corpo também pertence a sua essência espiritual… Essa palavra “Avatar” se tornou popular entre os meios de comunicação e informática devido às figuras que são criadas à imagem e semelhança do usuário, permitindo sua “impersonalização” no interior das máquinas e telas de computador… Tal criação assemelha-se a um avatar por ser uma transcendência da imagem da pessoa, que ganha um corpo virtual, desde os anos 80, quando o nome foi usado pela primeira vez em um jogo de computador… Mas a primeira concepção de avatar vem primariamente dos textos hindus, que citam Krishna como o oitavo avatar — ou encarnação — de Vishnu, a quem muitos hindus adoravam como um Deus”.

Não há como ignorar o componente teológico envolvido no filme. Primeiro, pelo nome do filme em si (a orientalização do Ocidente é uma tendência que vem crescendo desde meados do século 20), assim como por um linguajar que faz referência e remete ao hinduísmo. Segundo, pela ideia de espírito / mente de um ser “transmigrar” para outro corpo (em “Avatar”, paralelamente, num mesmo tempo e espaço; no hinduísmo, sucessivamente, noutro tempo e forma de vida). Terceiro, e principalmente, pela noção panteísta de divindade, ou seja, um poder divino embutido na natureza, visualizado e adorado em forma de árvore especial, com a qual é possível estabelecer contato e comunicação (é pessoal), que elege seres para tarefas salvíficas, que mantém aquele mundo em equilíbrio, que move os elementos (animais, por exemplo) que compõem aquele cosmos, que toma a vida (decide quem continua a viver), que realiza o milagre de transferir efetivamente uma alma de um corpo para outro. Quarto, pela semelhança sonora entre o nome da divindade (Eiwa) com Jeová. Seria a tentativa de alguma redefinição do Deus revelado por Jesus, segundo a Escritura? (A tendência atual não é ateísmo, mas uma forma religiosa natural, mais palatável que o Deus bíblico.) Ainda há outros aspectos, mas esses bastam para mostrar o ponto: “Avatar” está cheio de elementos teológicos, no caso, panteístas.

O contraste com o Deus da Bíblia é enorme, pois ele é o Deus Eterno, Criador, o Deus Soberano no universo (não limitado a uma lua do cosmos), o Deus que é espírito puro, o Deus Pai de Jesus Cristo (chamado por alguns hindus modernos de um avatar…), o Deus que ama e salva a sua criação entrando na história e assumindo a cruz para resgatá-la.

Sem paranoia, mas vigiando (levando em conta que J. Cameron patrocinou um documentário que questiona a ressurreição de Jesus), o que a cultura contemporânea vem sedimentando em nossa alma? Quais serão os efeitos espirituais reais que tal cosmovisão terá sobre a mente de milhões de consumidores desse tipo de cultura?

Pessoalmente, não gostaria de viver em sociedades como as que a teologia hindu pariu (idealizada pela novela “Caminho das Índias”). É claro, portanto, que há uma relação direta entre a teologia e o modo de vida, entre uma teologia idólatra e um modo de vida igualmente reduzido, entre uma concepção panteísta da divindade e uma espiritualidade esvaziada da cruz.

Não vivemos sem cultura. Alimentamo-nos constantemente dela. Esse artigo tem por objetivo despertar a atenção para as expressões culturais que ingerimos. A ideia é provocar reflexão e reação. Gostaria muito de saber quais foram as suas impressões sobre o filme, de ouvir sua ressonância, ainda mais que o diretor já anunciou a continuação de “Avatar” em mais um ou dois filmes.

• Christian Gillis é casado com Juliana e pai de 3 garotos. Pastor da Igreja Batista da Redenção por 20 anos, é envolvido com ministérios relacionados a missões, reflexão e juventude.

Fonte: Ultimato

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10 comentários em “A teologia de Avatar

  1. Ah, claro: todo o mal da Humanidade nasce da conjunção cromossomo Y mais pigmentação clara, que cria um monstro chamado “Homem Branco Mau”. Os povos de pele mais escura sempre viveram em perfeita harmonia (interna, uns com os outros e com a Mãe Natureza). Na África e nas Américas, antes do “Homem Branco Mau”, não havia guerra nem violência, só paz e amor. E se o mundo fosse governado só pelas mulheres, tudo seria perfeito.

    Falando sério: os povos tecnologicamente primitivos do passado e do presente não destruíam a ecologia, não por uma harmonia mística com a Natureza, mas por pura falta de capacidade para fazê-lo. Eles extinguiram a maioria dos animais de grande porte (incluindo a ave-elefante, parecida com o avestruz, de três metros de altura). A Ilha da Páscoa é um grande exemplo de que ser humano é ser humano, não importa a cor de pele e a origem sócio-cultural.

    O mal não está apenas no cromossomo Y combinado com a pigmentação clara, nem na tecnologia em si. O mal está no âmago do ser humano. A solução não é retornar a um hipotético passado primitivo de harmonia (que na verdade nunca existiu), mas administrar nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais de forma equilibrada e sensata.

    Mas mesmo que as pessoas aceitassem cooperar com esta solução, ela seria parcial. A solução completá está além da capacidade humana e virá apenas pelo Reino de Deus.

    atos17.blogspot.com

  2. Caro irmão Valmir,

    Parabéns pela postagem. Muito boa a análise do Christian sobre o filme Avatar. Me lembrei quando lá pelos anos de 1996/1997, eu dava estudo bíblico nas igrejas sobre herisiologia e falava sobre a Nova Era e a infiltração da religião hindu no Ocidente. É uma grande realidade hoje em dia.

    Um abraço.

  3. Sua forma de expressar e muito bem ponderada, existe uma necessidade de explicacoes desta natureza, pois vemos um povo errando , porque lhes faltam conhecimento. quero incentiva-lo a continuar escrevendo, ainda nao tive oportunidade de ver o filme, mas assim que o fizer, mandarei nossos comentarios. Que Deus abencoe seu ministerio.

  4. Procurando aqui por esse mundo da blogosfera, encontrei essa pérola de explicação sobre Avatar e por coincidência assistirei o filme hoje em companhia do meu esposo. Busco blogues cristãos para a inter-ação e o seu é o primeiro que visito. Espero que em tantos outros eu possa encontrar ponderação, discernimento e sabedoria como aqui encontrei!
    ósculo santo para ti!

  5. Olá!

    Desculpa mas acho que abordar este tema a partir deste filme realmente não vem ao caso… mas já que é disso que se comenta, então vamos discutir também se os efeitos visuais do filme são ou não cristãos. Ou qualquer outra coisa que tenha toda essa mesma utilidade.

    Abraço!

  6. Prezado pastor: em seu texto está explicita a necessidade de colocar o “seu Deus” no filme. Ora, por favor, tente enxergar o filme com a alma para sentir as mensagens subliminares de respeito, amor ao próximo e espiritualidade que o diretor do filme tenta passar para a humanidade. Respeite as crenças dos outros povos porque estes são na verdade filhos do mesmo Deus que te criou. As diferentes culturas da Terra são expressões humanas e, sendo humanas, fazem parte da história do Homem. Por acaso não existia Deus antes da Bíblia? Os homens que habitavam a Terra não eram também filhos de Deus? A Bíblia não está também repleta de alegorias? O mais importante de tudo isso, é tentar fazer um mundo melhor através de nossas próprias atitudes e deixar a cada um o entendimento possível sobre sua fé. União pela diversidade enriquece o planeta e nos torna mais humanos. É o princípio para se começar a entender a grandeza do Criador.

  7. Paz do Senhor!

    Gostaria de parabenizar a sua analise do filme Avatar, pois assisti e como cristã senti que haviam coisas que deixavam a duvidar no filme.
    Como cristãos nao precisamos nos privar de assistir um filma mais saber filtrar as informaçoes que estamos absorvendo, e sua analise deixa claro que mesmo nao sendo explicito o filme traz a exaltação a outro deus.
    Como leigos no assunto podemos apenas assistir, mas certos esclarecimentos são necessarios para que possamos explicar aos filhos, adolescentes a realidade que vivenciamos..

  8. “No princípio era o Verbo.
    E o Verbo era Deus.
    E Deus era o Verbo.”

    Já perceberam que em nenhuma igreja é informado que verbo era esse?

    Pensem um pouco: Você, se imaginando como o único ser que existe. Que verbo usaria e em que pessoa?

    Usaria o verbo SER em primeira pessoa.
    EU SOU!
    Eu Sou está na Bíblia várias vezes e é tido como o nome de Deus. “Eu Sou” é mensagem de Deus, o resto é invenção para controle da sua vontade.
    “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida”, nesta frase, Jesus não se referia a si mesmo, mas a Deus “(aquele que se chama) Eu Sou (é) o caminho, a verdade e a vida.”

    Se você reparar, na Bíblia (que é o único texto religioso que conheço um pouco, por isso é citado) há várias mensagens de união. Essas mensagens são seguramente vindas de fonte de amor (que é Deus) e mensagens de desunião, que não demonstra amor (e não é de Deus, mas usado para controle: Eles contra Nós) e só gera conflitos.

    Obviamente, ninguém que esteja desperto, acredita que Deus, criador de tudo, tenha escolhido determinado povo para amar mais que outros… isso é ridículo, infantil até… Como pode o AMOR decidir não amar uma parte de SI MESMO?
    (Lembre-se que no princípio só havia Deus, e ele criou tudo e, portanto, SOMOS PARTE DELE!!!)

    Então, a idéia de que Deus não é a árvore, não é a água, não é o ar, não é a fauna, não é o planeta, a estrela e o espaço vazio começa a ser muito útil pra quem não quer se importar com tudo isso.
    E quanto aos nossos irmãos e irmãs? Se você pensa que Deus não somos todos nós também, fica muito mais fácil se afastar, ou pior: agredir, prejudicar (afinal, não é você que está sofrendo, é o outro…)

    Pois, se você entende que TUDO É DEUS, inclusive você, eu e todos os outros, então você está agrendindo A VOCÊ MESMO! E isso… é, no mínimo, burrice!

    Acho realmente engraçado como todas as religiões se esforçam tanto, por tanto tempo, em criar teorias pra sustentar mentiras que um simples sopro derruba.
    Elas fazem isso através do que chamam de Dogmas (afirmações que você tem que aceitar como verdadeiras, mesmo que absurdas, mas sem as quais as religiões não se sustentam). As mentiras maiores para sustentar as menores. Mas há aquelas pessoas que gostam. “Pensem por mim.” “Digam-me o que fazer e farei para garantir minha salvação” (pois se não conseguir a minha salvação com o que você me disse para fazer, a culpa não será minha, mas sua que me orientou errado).
    Não… a culpa é sua que aceitou a verdade de outro e abriu mão da sua verdade.
    Ser maduro não é idade cronológica, é assumir a responsabilidade sobre sua vida TODA SUA VIDA. Você é feliz ou não por sua responsabilidade. Você faz o que gostaria ou não por sua responsabilidade.
    Portanto, cresça espiritualmente e assuma as rédeas da sua vida ao invés de entregá-la a outros.
    Ps.: mas se quiser continuar a pautar sua vida pela opinião dos outros (mesmo as opiniões ditas escritas a mais de 2.000 anos) então, pelo menos não culpe essas pessoas pela sua vida, se a sua vida for infeliz.
    Seja Feliz agora mesmo!
    Um abraço!

  9. Boa noite e a Paz do Senhor!Amados estava louca para assistir o filme,por causa dos efeitos e também pela história,onde pela primeira vez nós somos os invasores! bem realmente o filme foi muito bem feito,te emociona,te faz refletir sobre essa ambição desmedida,fala sobre amor,união,ingenuidade,enfim…só que como uma pessoa comentou não nos é falado sobre esssa parte espiritual do filme,que está presente o tempo todo,respeito o diretor e até concordo que se ele tem uma crença deve procurar induzir outros a ela e se essa é a ferramenta dele! pelo que sei ele também produziu titanic,que também traz fundamentos religiosos.Mas a minha experiência é que após ver o filme passado alguns dias tive um sonho e resolvi me livrar do dvd(essa foi a minha experiência).Tudo me é lícito porém nem tudo me convém…Peça em oração para Deus falar ao coração de cada um de vocês.

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