Graça para ser vivida


por Valmir Nascimento Milomem

Durante essa semana conversei por alguns minutos com alguém acerca da graça de Deus. Essa pessoa me dizia sobre como era difícil para ela entender o tema. “Como conciliar o pecado do homem e a graça divina?” Ela me perguntou. “Graça” – disse eu – “não é para ser entendida, mas para ser aceita e vivida”.

Sim. Se olharmos a graça divina simplesmente pela ótica humana, certamente que não conseguiremos entender nada, isso porque, aparentemente, a graça de Deus é injusta. Pergunte isso  ao ciumento irmão do filho pródigo ou então aos trabalhadores da primeira hora (Mt. 19.20-16).

A graça é difícil de ser compreendida exatamente porque, como humanos, estamos atrelados à meritocracia. Para recebermos algo – pensamos – é preciso fazer algo em troca. Para ganharmos uma dádiva, necessitamos pagar um preço. Assim é a nossa mente. Eis a razão de sempre tentarmos justificar a nós mesmos, vivendo uma vida de legalismo ou nos martirizando por aquilo que fizemos, sem percebermos que com isso anulamos a graça de Deus.

Alguns dos primeiros judeus que haviam se convertido ao cristianismo no inicio da igreja primitiva também não conseguiram entender o mistério em torno da karis de Deus. Vários deles retornaram às práticas da lei mosaica, pondo em dúvida o poder redentor de Cristo. Por isso, os escritor da epístola aos Hebreus deixa dois conselhos valiosos. No primeiro ele diz: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno (Hb. 4:16). E o segundo:”Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem”. (Hb 12:15)

A consequencia de se privar da graça divina é devastadora. Quem o faz vive à margem da plenitude do relacionamento com Cristo. E existem duas maneiras de se fazer isso: achar que não precisa dela ou imaginar que ela é boa demais para ser verdade. Ambas atitudes são perigosissímas. A primeira nos leva ao legalismo; a segunda, nos deixa sem esperanças quando confrontado com nossa incapacidade.

Graça não é para ser entendida conceitualmente, mas para ser aceita, vivida e desfrutada. Mefibosete que o diga (2 Sm. 9). Filho de Jonatas, aleijado de ambos os pés, morando de favores em uma cidade por nome LoDebar, tinha como única expectativa de vida a morte. O que ele não sabia é que Davi havia feito uma promessa ao seu pai, de que haveria de preservar a sua descendência. Exatamente em razão desse desconhecimento foi que Mefibosete não acreditou inicialmente na proposta de Davi: ir morar na casa real.

Mefibosete, que significa desonra despedaçada,  se considerava um “cão morto”, alguém sem valor, desprezível. Foi difícil para ele entender a graciosa ação de Davi, de querer levá-lo para sua própria casa. Mas, independente disso, ele aceitou a graça e, como afirma o relato bíblico: “Morava, pois, Mefibosete em Jerusálem, porquanto de contínuo comia à mesa do rei;  e era coxo de ambos os pés“. (2Sm. 9.13)

Essa é a promessa para todo ser humano: morar com o Rei. Basta aceitarmos a graça. Afinal, ela não é para ser entendida, mas sim, para ser vivida!

Pense nisso!

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7 comentários sobre “Graça para ser vivida

  1. Muitíssimo obrigado pelo texto, Valmir!
    Devemos de tempos em tempos trazer à mente verdades como essa!
    Algumas vêzes nos afogamos em nossos problemas e acabamos por esquecer nossa verdadeira posição no plano de Deus.
    Deus continue abençoando sua vida!

    Lex Aleksandre
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  2. Sim, Lek!

    Não podemos perder o foco da nossa vida cristã, como disse o Ap. Pedro, a salvação da nossa alma, em que a graça é o centro.

    Nele. E quem temos a Redenção!

  3. Irmão Valmir, não foi à toa que seu blog foi indicado a concorrer ao prêmio de melhor Blog Cristão do Brasil. E isso, “graças” à
    gloriosa “Graça” com que o Senhor tem lhe dado inspiração e sabedoria pra escrever com tanto estilo, clareza e profundidade, não obstante a agradável simplididade de suas palavras.

    O assunto abordado neste artigo fez-me lembrar da forma como eu me rendi à gloriosa doutrina da Eleição, depois de ter lutado com ela como um gladiador espartano.

    Meu irmão e amigo Felipe Sabino a compreendeu primeiro e procurou me ensiná-la. Porém, como disse Spurgeon: há um preconceito nato no coração humano contra essa doutrina e todos os homens nascem arminianos”

    Depois de muito “brigar”, decidi tirar umas férias na casa de meus pais em Rondônia e pesquisar a fundo o tema. Dentre tantas obras lidas, Eleitos de Deus, de R.C. Sproul, (depois de três vezes lido e sempre com raiva por não resistir aos fundados argumentos apresentados em favor da doutrina) foi o instrumento que o Senhor usou para abrir a minha mente e compreender aquilo que, se não fosse a Graça de Deus, jamais teria entendido. “A Graça de Deus tansforma monstros em homens e lobos em cordeiros”.

    Foi uma experiencia fantastica, era como seu eu tivesse encontrado o Senhor novamente ou pela primeira vez.

    O escritor Sproul diz na introdução dessa obra que lutou com essa doutrina todo o tempo em que cursou a graduação em teologia até ir a um seminãrio onde o professor John Gesrtner, “o qual “- afirma Sproul- “era para a doutrina da eleição o que Einstein é para a teoria da relatividade”, desafiou-o com seu ensino. “Antes tivesse eu enfrentado Mike Tyson em um ringue, do que o professor Jhon Gerstner na doutrina da Eleição” disse ele, em tom de brincadeira, zombando de sua própria ignorância teológica anterior.

    A paz do Senhor! Depois conversamos pessoalmente sobre o assunto.

  4. Não é fácil falar sobre “graça,” só pelo grandioso fato de ser “graça.” Portanto, vou levar sua leitura sobre “graça” para nosso blog. Que Deus continue te dando sabedoria. Abraço.

  5. Eu não vejo problema algum se tivesse nascido em outro país, com outro estilo de vida e outra cultura. Bilhões fazem isto. Bilhões tem bom senso, são honestos e trabalhadores. Alguns paises onde o cristianismo é traço na estatística, tem um padrão de vida melhor e a criminalidade é muito menor. A questão das divindades é esta: são parciais ou imparciais? Se são parciais, não se pode confiar nelas; tem a mesquinhes humana. Se são imparciais, não adianta confiar; mas o carater já melhorou.

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