Os perigos do evangelho pragmático (3)


 lucro

Como visto, o pragmatismo é um dos paradigmas nesta geração pós-moderna, inserindo-se inclusive no ambiente eclesiástico. Nesse caso, a adoção da teologia pragmática pode ser percebida tanto no discurso, onde o evangelho é enfatizado pelos seus benefícios terrenos, quanto na metodologia de trabalho do próprio ministério, por meio de práticas focadas em números e resultados em detrimento dos verdadeiros princípios bíblicos.

Aparentemente, a visão de benefícios, funcionabilidade e resultados pode não representar qualquer nocividade à fé cristã, porém, a utilização dos ideais pragmáticos na pregação do evangelho representam – sim – grandes perigos ao ministério pastoral, tanto quando usado no discurso, bem como no que se refere à metodologia empregada.
 
A importância da eficiência
 
Não podemos, é claro, desprezar a importância da prática em todas as esferas de atuação do homem. No casamento, na educação e na atuação profissional, por exemplo, existe um série de considerações do ponto de vista funcional que realmente precisam ser levados em conta. O princípio da eficiência, entendido como o emprego dos meios necessários para se atingir determinado fim, é fundamental no desempenho das atividade vitais do ser humano, inclusive no espaço eclesiástico. Entretanto, a praticidade não pode ser o único ou o principal ponto a ser ponderado na realização de qualquer tarefa; e é exatamente aqui que a filosofia pragmática erra, empurrando para a periferia uma série de princípios fundamentais e elege, como único fator relevante, a questão: “Isso funciona?”, sem considerar os aspectos morais, sociais e psicológicos que cercam o ato.

Dito isto, vejamos os perigos do pragmatismo, tanto no que se refere à pregação, bem como em referência à metodologia de trabalho:

 
  • O perigo de considerar o evangelho como produto e não como dádiva
  • Lourenço Stelio Rega, em artigo publicado na Revista Eclésia escreveu que “nestes primeiros anos do terceiro milênio, a fé cristã está entrando pelo mesmo principio básico da lei de consumo – obter as maiores recompensas por meio dos menores custos. E se não for possível conseguir as dádivas, busca-se por discurso compensadores que possam substituí-la”. Nessas palavras é possível perceber um dos perigos contidos no discurso dprque transforma o evangelho em uma espécie de produto com vários benefícios àqueles que aceitarem a Cristo como Salvador. Esse evangelho de benefícios leva muitos a uma peregrinação de igreja em igreja, em busca daquela que lhe ofereça mais vantagens espirituais. A nocividade em transformar o evangelho em produto é que isso gera uma falsa expectativa naqueles que foram para as igrejas em virtude das “propagandas religiosas”. Prometeram-lhes felicidade, milagres e bênçãos terrenas. Acontece, então, que após tempos e tempos de falsas promessas e benefícios não efetivados, pessoas há que desanimam da fé, da igreja e até mesmo de Deus; atribuindo a Ele o fracasso de suas vidas por não terem recebido a prosperidade que esperavam e que haviam prometido. O resultado são vidas machucadas, feridas, apostatas da fé que criam escudos protetores. É o medo de serem enganadas novamente, de que tomem mais uma vez seu dinheiro em troca de promessas com as quais Deus nunca se comprometeu.

    Ser cristão, levando em consideração somente os benefícios dessa vida não pode e nem deve ser o nosso principal alvo. Segundo a Bíblia, “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.
     
    [continua]

     

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    12 comentários sobre “Os perigos do evangelho pragmático (3)

    1. Um aspecto importante do pragmatismo é tratar a igreja como uma empresa, pura e simplesmente. Sabemos que do ponto de vista organizacional a igreja é uma empresa. Mas quando metas, contingências, receitas, despesas e lucro são colocados em primeiro plano, a igreja se coisifica. Um perigo real que nos ronda a cada esquina. Que o diga as igrejas neopentecostais.

      Abraços!

    2. Daladier,

      De fato. Eficiência é uma coisa, gerenciar a igreja cono se fosse um comércio e os cristãos como clientes é outra. O pragmatismo não se preocupa como principios e valores, mas somente como resultados. Esse é um sério problema q tem atingido nossas igrejas.

      paz

    3. “Sabemos que do ponto de vista organizacional a igreja é uma empresa”

      O que é isso?! Desculpe mas ainda hoje uma frase como esta me choca profundamente… sem comentários desta vez…

    4. Embora chocado, prezado(a) Duda, não podemos fugir da realidade. A igreja é uma organização social e, conforme nossas leis, precisa ter um estatuto, registrar recebimentos e pagamentos, registrar funcionários, e , por isso, entre outras coisas, é uma empresa. Não vejo maiores problemas quando esta atividade é exercida com ética. Até louva ao Senhor, seu cabeça.

    5. Muito feliz e bem atual a reflexão!

      As nossas igrejas tem vivido este reflexo (não só as neopentecostais conforme cita o Sr. Daladier Lima) e na atualidade é só o que vemos.

      Temos percebido que algumas igrejas de confissão ortodoxa – tradicionais, históricas e denominadas protestantes. Esta praga, vem de longe e …vai longe!

    6. Olá.

      Desculpe Daladier Lima, mas qualquer EMPRESA construída em cima da FÉ me choca…

      O Jesus em que creio pregava abertamente, não tinha folha de pagamento, não vendia livros, não produzia eventos, não tinha campanhas publicitárias e nem canais de TV como máquina de propaganda…

      Jesus tinha seguidores voluntários. Hoje os que se dizem seguidores precisam de carteira assinada.

      Isso me choca sim, caro Daladier. Se não choca a você, é porque sua fé já se assujeitou demais às regras mundanas da organização empresarial: você já deve estar acostumado… eu vou rezar por você.

      Abraço!

    7. Prezado Daladier Lima: eu volto e releio seu comentário.

      E serei ainda mais claro na minha resposta: questiono QUALQUER que seja a ÉTICA que misture “O QUE É DE DEUS COM O QUE É DE CÉSAR”, entendeus? Esta sua ÉTICA é materialista demais, pragmática demais, para tratar de assuntos ESPIRITUAIS.

      Mas essa é apenas a minha humilde opinião, você deve ter a sua opinião, assim como tem a sua ética.

      Não ligue pras besteiras que eu digo, eu sou um “cabeça”, como você mesmo julgou: só não sei se foi uma ofensa ou elogio. “Cabeça” é alguém inteligente nessa sua opinião?

      Abraço Daladier!

    8. Tenho pavor ao que vou fazer, mas é o jeito.

      “Embora chocado, prezado(a) Duda, não podemos fugir da realidade. ”

      Ou seja, você fica chocado (eu não disse que não fico, mas isto não vem ao caso dentro do contexto), mas é uma realidade a dimensão organizacional da igreja. Não exclua as situações em que isto é imprescindível, como nos casamentos. A lei 1.110 só permite às pessoas jurídicas de natureza religiosa a celebração do casamento religioso. E a autoridade eclesiástica responde perante a Lei se usar a prerrogativa de maneira errada. Diante da sociedade podemos ficar perplexos, mas são exigências que nossa perplexidade não resolve. Condições sine qua non para funcionar. Como a igreja requer um alvará numa prefeitura sem estatuto ou CNPJ?

      “A igreja é uma organização social e, conforme nossas leis, precisa ter um estatuto, registrar recebimentos e pagamentos, registrar funcionários, e , por isso, entre outras coisas, é uma empresa. ”

      Ou seja, para ter fucionários, e eles são necessários para atender às demandas mais comezinhas como dia-a-dia, precisamos existir como pessoa jurídica. Para comprar e justificar as saídas de dinheiro, também precisamos de tal registro. A Lei obriga, por exemplo, a apresentação de um balanço periodicamente.

      “Não vejo maiores problemas quando esta atividade é exercida com ética. Até louva ao Senhor, seu cabeça.”

      Não vejo problemas de a Igreja ser, para os objetivos enunciados acima, entre outros, uma empresa. O problema, como já falei, é a Igreja usar sua condição de empresa para fazer dinheiro e atender a projetos pessoais de pastores que atuam como donos. Quando a Igreja atua com ética, e isso pressupõe agir dentro da Lei (frise-se que quando a Igreja foge do ser empresa ou usa esta condição de maneira diversa está contra ela) louva ao Senhor Jesus, que é o cabeça da Igreja.

    9. Quem disse que minha FÉ precisa estar amparada por um ALVARÁ da prefeitura?!

      Quem disse que o amor por minha mulher só se torna um casamento legítimo depois da BUROCRACIA?

      Daladier, desculpe, mas sua fé é muito burocrática, tem muitas exigências empresariais pra que eu consiga entender…

      É que meu contato com Deus é mais simples, humilde e simpático: é DIRETO, sem tanta burocracia, sem nenhum alvará, sem estrutura empresarial. A minha fé é sem carimbo.

      Mas não fica chateado comigo não, é que eu sou meio lento mesmo pra entender as coisas.

      Abraço!

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