Crise de autoridade e o caos nas escolas


 

por Valmir Nascimento Milomem

(Imagem: Fonte – Veja)

Inequivocamente, uma das principais características da sociedade contemporânea é a destruição de todo e qualquer tipo de autoridade. A Bíblia já não é considerada autoridade suprema em matéria de fé. Os filhos se rebelam contra os pais; e os alunos já não aceitam plenamente a autoridade dos professores. Além de outros fatores, essa crise tem como nascedouro a adoção popular (mesmo que sem saber) das idéias advindas de pensadores como Friedrich Nietzsche, Jacques Derrida e Michel Foucault. Nietzsche, o precursor, voltou-se contra a supremacia divina e a moral cristã. Derrida, retirou do autor a verdade única sobre os próprios escritos. Foucault, por seu turno, foi ainda mais longe. Segundo ele, toda espécie de autoridade é uma relação de poder, que traz consigo mecanismos de subjugação, exploração e dominação. Como exemplo, acerca do ministério pastoral, Foucault argumentava que o poder pastoral subjuga os indivíduos, agindo sobre a identidade das pessoas individualmente, impondo uma lei de verdade pela qual a identidade deve passar a ser guiada.

Mas, o que esses “pensadores” não haviam previsto é que a quebra do princípio da autoridade acabou por provocar um verdadeiro caos social. Exemplo evidente é a atual situação do sistema de ensino, com professores vivendo reféns de seus próprios alunos. Na matéria “Violência e disciplina nas salas de aula”, (revista Veja, 15/06/09), a jornalista Camila Pereira mostra a realidade atual das escolas públicas e privadas no Brasil. Segundo ela, “os relatos dos professores que aparecem na reportagem lançam luz sobre um problema hoje disseminado nas escolas – públicas e particulares – do país: a relação com os alunos é tensa, quando não violenta, e motivá-los nunca foi tão difícil. Para ensinar, é preciso enfrentar toda sorte de adversidades, da indisciplina que reina na sala de aula a, em casos mais extremos, agressões físicas”.

Segundo a matéria, “52% dos professores ouvidos em pesquisa da International Stress Management Association (Isma), feita em São Paulo e Porto Alegre, admitem atitudes agressivas com seus alunos, tendo sido irônicos ou até rudes. Não para por aí. Os próprios professores também são vítimas do ambiente ruim: de acordo com dados da Unesco, 47% já sofreram agressões verbais vindas de alunos. Nesse contexto, não causa espanto o que conclui um estudo de abrangência nacional conduzido pela educadora Tania Zagury: ele mostra que as maiores dificuldades enfrentadas pelos professores são justamente manter a disciplina e despertar a atenção dos estudantes – duas das condições básicas para uma boa aula. Diz Tania, em coro com outros especialistas: “Não há dúvida de que o desafio de ensinar ficou maior”.

O problema é grave. Entretanto, há quem tente tapar o sol com a peneira. Para o ex-professor François Bégaudeau, protagonista e roteirista do premiado Entre os Muros da Escola, filme que retrata a rotina de um colégio público no subúrbio de Paris, onde os alunos estão entediados, os professores vivem frustrados e o convívio é penoso – como em tantos colégios no Brasil. Uma das fontes do problema é o “choque de gerações”. Não é apenas que os professores lancem mão de referências que pouco têm a ver com o cotidiano dos estudantes: a própria moldura de pensamento nas duas pontas da sala de aula é diferente. Enquanto os professores preservam a tradição das aulas expositivas, como nas escolas do século XIX, os estudantes estão imersos numa cultura digital que estimula o raciocínio não linear.

Choque de gerações? Quer dizer então que o motivo de tanta violência, rebeldia e desobediência em sala de aula é resultado do “choque de gerações”? Ah, por favor. Nem aqui, nem na China. Qual a ligação existente entre a falta de adaptação tecnológica do professor ou da escola com os atos bárbaros de violência cometidos por jovens e adolescentes contra os mestres? Respondo: Nenhuma! Ou como escreveu um magistrado conhecido: “Nada, nadica de nada”.

Ora, uma coisa é ter desinteresse pela aula, outra, bem diferente, é querer “acertar as contas” com o professor fora da escola.

Mas, a matéria continua: “Uma pesquisa da consultoria nGenera, feita nos Estados Unidos, mostra que 67% dos jovens consideram que estudo e trabalho precisam ser prazerosos – dados que ecoam no Brasil. Já os professores sempre associaram tais atividades ao esforço, quando não ao sacrifício. “Os alunos esperam uma aula-show e os professores não acham que deva ser assim. Existe um descompasso”, conclui Márcia. Erodiu-se, por fim, um dos pilares do trabalho de transmissão de conhecimento – o princípio de autoridade do professor. Foi um processo de longo curso, iniciado nos anos 60, com a ascensão dos movimentos estudantis e da contracultura, que puseram em xeque o conceito de hierarquia. Poderia ter sido um bom passo para as instituições de ensino caso significasse apenas o fim do autoritarismo – e não a contestação absoluta da noção de autoridade. “Crianças e adolescentes sentem que podem agir como quiserem. A escola foi prejudicada por essa permissividade”, diz o especialista Claudio de Moura Castro.

Ah. Agora sim. Cláudio de Moura, que é especialista no assunto, aponta claramente que a gênese do caos nas escolas é exatamente o fato de crianças e adolescentes sentirem que podem agir como quiserem. A escola, segundo ele, foi prejudicada por essa permissividade. É claro! A quebra da autoridade dos professores é o núcleo gerador da desobediência nas escolas públicas e privadas. E observe. São escola públicas e privadas; o que demonstra que o problema não é somente de pobres; mas também de filhos provenientes de famílias de classe média alta e rica. Isso porque, bem sabemos, o desinteresse, a apatia e a falta de propósitos são problemas que afetam os jovens e os adolescentes atuais sem divisão de classe social.

É claro que as condições de estudos devem ser melhoradas, sempre. Não é isso que se discute aqui. Refuto, por outro lado, a indicação do fator principal do problema, de que a ausência de estrutura e capacitação dos professores seja o ponto de partida da violência. O problema é de concepção, não de estruturação. A raiz do erro está alojada no ideário da juventude, que vive e age sem ter que prestar contas a ninguém; de modo que o problema somente se resolve a partir de ações conjuntas, ou seja, investindo nos professores, mas, principalmente, trabalhando na base, que são as famílias.

Tanto é assim que a matéria termina citando um caso de sucesso que é o Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp-UFRJ), que, apesar de faltar ventiladores e recursos tecnológicos tão comuns nos melhores colégios particulares do país, conseguiu o expressivo resultado de 17º lugar no último ranking do Enem, à frente de 20 000 escolas públicas e particulares. A receita? Além de investir nos professores a escola também trabalha aliada às família dos alunos. Segundo a matéria: “Os pais também participam ativamente da vida escolar, o que contribui para o avanço dos filhos e também para o bom ambiente no colégio. Já na matrícula, eles são entrevistados pela coordenação, que, desse modo, consegue conhecer melhor cada família. Os professores reservam ainda um horário para atender os pais individualmente, pelo menos uma vez por semana. Fora isso, a escola é um espaço para festas, shows e eventos esportivos, os quais a Associação de Pais ajuda a organizar. Tudo isso aproxima não só as famílias, mas os alunos da escola. Tanto que, já adultos, muitos decidem colocar os próprios filhos no CAp.”

Portanto, quando a autoridade é desconsiderada, o caos se instala. Por esse motivo a Bíblia, como o manual de vida do homem, deixa evidente a necessidade de obediência aos pais (Cl. 3.20), aos pastores (Hb. 13.17), às autoridades (Rm. 13.3), e aos superiores (Ef. 6.5); para que tudo nos vá bem.

www.comoviveremos.com

 

 

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