As últimas do Minc Leão Dourado


  
Já sugeri que tirem de Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, aqueles coletes “papai-agora-eu-sou-livre” e, em seu lugar, metam um camisa-de-força. A quantidade de asneiras que este senhor diz dentro e fora do âmbito de sua pasta é assustadora. A propósito: é mais um dos ministros herdados da VAR-Palmares. A VAR-Palmares era aquela entidade terrorista de que Dilma Rousseff também foi membro, onde, segundo a própria, cometeu apenas “crime de organização”. Mas o que é que a VAR-Palmares organizava? Chá das Cinco? O concurso “As Panteras do Leninismo”? Leitura da Bíblia? Ih, me desviei do foco. Essa gente mexe com os meus instintos mais refinados. Volto.

 

Minc foi convidado a prestar esclarecimentos à Comissão de Segurança Pública da Câmara sobre a sua participação na Marcha da Maconha. O deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) considera, com razão nesse caso, que ele fez a apologia da droga. Minc, então, tentou se defender com um discurso, vamos dizer, embotado no que concerne à razão:

 “As pessoas têm o direito de expressar a sua opinião. No caso de pessoas públicas, isso é mais que um direito, é um dever. Eu não estava pedindo para descumprir alguma lei, eu estava questionando a necessidade de modificar a lei. A atual política em relação a drogas é ineficaz, no mundo inteiro a política repressiva aumentou o poder de traficantes, aumentou o número de usuário e a capacidade de corrupção desses traficantes”.

Errado! Ministros de estado expressam, sobre questões de estado, a opinião do governo que representam. Ou bem a gestão Lula reprime o tráfico de drogas e desencoraja o consumo, ou bem age para descriminar (ou “descriminalizar”, como se diz por aí) as drogas. As coisas que Minc sente nas áreas mais recônditas de seu ser não interessam. Aliás, prefiro mesmo que ele nos poupe. De resto, a despeito da repressão aos latrocínios, eles existem em grande número. Vai ver isso decorre na criminalização do assassinato. Se a gente liberasse sob certas condições, não é?, talvez o mundo fosse menos violento…

 

Apologia, sim. O ministro marchou ao som de “Vou apertar, mas não vou acender agora”, que, além da defesa óbvia da bagana, ainda ensina como dar um truque na lei. E, até que a lei não seja mudada, um ministro de estado é seu procurador e representante. Se quer outro texto legal, que vá para o lugar certo para debater: o Congresso. Mas esse é Minc. Quando jovem, assaltava bancos para a VAR-Palmares. Depois de velho, já militante “verde”, chegou a enfiar algumas batatas em escapamentos de ônibus no Rio. Vai ver era contra viagens. De ônibus…


Eu sempre digo que certas coisas indispõem as pessoas para sempre com a lógica. Não tem jeito. É como se uma nuvem impedisse a vítima de entrar no território da razão. Leiam o que ele diz ainda:

“Enquanto o álcool e o cigarro, que fazem mal, e você encontra no mercado, a maconha também faz mal, talvez tanto quanto o álcool e o cigarro, mas você compra na mão do traficante. Não são os delegados que defendem a política de drogas. Alguns traficantes de maconha ficam contemplados com a atual política que dá a eles o monopólio da venda dessa droga.”

 

Viram? Ele foi tentar estabelecer um paralelismo para tentar evidenciar por que a maconha deve ser liberada e consegue, no máximo, no ordenamento lógico, evidenciar que álcool e cigarro também deveriam ser proibidos. Intelectualmente falando, é um coitado! Politicamente, integra a turma do perigo.

 

Já lhes disse qual é o ponto — e nem é de natureza moral ou comportamental. O Brasil não poderia descriminar sozinho a maconha. O resto do mundo não optará por isso. Imaginem o que isso viraria. Logo, marchas dessa natureza são apenas licenças que alguns setores reivindicam, no seu esforço por uma sociedade sem limites. Ademais, lembrar do álcool e do tabaco é, sim, útil: liberada a maconha, haveria, certamente, uma explosão de consumo, chegando ao nível dessas outras drogas. Seria uma questão dramática de saúde pública.

 

A propósito: liberada a maconha, o que se faria com a cocaína? Continuaria na mão do tráfico? A maconha, diga-se, não é a preocupação central dos governos que efetivamente combatem o tráfico. E também não é o que mais dá lucro ao traficante. Por que é o caso de tirar o colete do homem e pôr no lugar  a camisa-de-força? Porque, segundo o “raciossímio” de Minc, a melhor forma de acabar com o poder do crime é tornar legais os atos criminosos. Os traficantes virariam o metro moral do que o ordenamento legal deveria ou não fazer.

 

Coloquem um Mico Leão no Ministério do Meio Ambiente. Mas do tipo dourado. O colete de Minc tem de ter um substituto à altura.
 

Posted via email from E Agora, Como Viveremos?

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