A mídia e os males do falso entretenimento


midiaPor Valmir Nascimento 

Sob o disfarce do entretenimento e da cultura popular de massa, nossas crianças, adolescentes, jovens e até mesmo adultos estão sendo seduzidos e negativamente influenciados pela mídia ímpia – aquela descompromissada com os valores morais e familiares. Prova disso é que nos últimos meses uma quantidade significativa de pesquisas sérias e imparciais trouxe à tona os efeitos nefastos efetivamente provocados por programas que incentivam a sexualidade precoce, a infidelidade conjugal e o consumo de álcool.

Apesar de o senso comum já ter detectado essas verdades há bastante tempo, os estudos a seguir relatados ratificam/confirmam/comprovam/reiteram que as “produções artísticas” possuem poder de fogo suficiente para levar à bancarrota o senso ético dos espectadores contumazes.

 

SEXO NA TV TEM CORRESPONDÊNCIA COM GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA (1)

 

Para começar, estudo feito nos Estados Unidos e publicado na edição de novembro da revista científica Pediatrics, concluiu que jovens que têm altos níveis de exposição a programas de televisão com conteúdo sexual tem o dobro da chance de se envolverem em uma gravidez na adolescência nos três anos seguintes do que aqueles que assistem poucos destes programas.

A pesquisa constatou ainda que a televisão pode ter um papel significativo nas altas taxas de gravidez adolescente, e que a exposição aos programas televisivos pode acelerar a iniciação do ato sexual e influenciar a gravidez adolescente ao criar a percepção de que há muito pouco risco em fazer sexo sem contraceptivos.

 

ÁCOOL NA TV ESTIMULA CONSUMO IMEDIATO DE BEBIDAS (2)

 

Outro estudo, realizado por cientistas da Universidade de Radboud, Holanda, sugere que as pessoas tendem a consumir álcool quando vêem pessoas bebendo em filmes ou em comerciais enquanto assistem à TV. Os pesquisadores monitoraram o comportamento de 80 jovens enquanto eles assistiam televisão e descobriram que os que viam mais referências a bebidas alcoólicas bebiam duas vezes mais do que os que não as viam.

A pesquisa, que foi publicada na revista especializada Alcohol and Alcoholism, indica ainda que “mostrar bebidas alcoólicas em filmes e propagandas não apenas afeta as atitudes das pessoas e as regras para bebida na sociedade, mas pode funcionar como uma sugestão que afeta o desejo e o subsequente consumo de bebida”.

NOVELAS PROMOVEM O AUMENTO DO DIVÓRCIO (3)

Quer mais? Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e o aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas. Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo – cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90.

Além disso, a pesquisa descobriu que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.

JOVENS QUE OUVEM MÚSICA SEXUAL TRANSAM MAIS CEDO (4)

Na esfera musical, em pesquisa realizada na Universidade de Pittsburgh constatou-se que jovens que ouvem músicas que contenham referências sexuais e degradantes, começam a fazer sexo mais cedo (ou investem nas preliminares, como masturbação).

As pesquisas foram feitas com 711 jovens de três grandes escolas em uma metrópole. Dos participantes que eram expostos a, em média, 14 horas de músicas “sexuais” por dia, um terço já havia feito sexo. Outro terço já havia tido “preliminares”, mas nunca havia praticado o coito, em si.

ONDE TUDO COMEÇOU?

Esses são somente alguns indicativos que comprovam os males provocados por programas que se escondem atrás das “cortinas do entretenimento” e da cultura popular de massa, que trazem em seu bojo forte apelo sexual e uma gritante indiferença à instituição familiar, demonstrando que, ao contrário do que muitos imaginam, os meios de comunicação possuem influência direta no comportamento das pessoas, principalmente jovens, adolescentes e crianças, os quais, em razão da exposição contínua acabam incorporando os valores e as idéias propugnadas pelos programas.

Sem prejuízo de outros elementos, o ponto de discórdia de tudo isso é que tais publicações ainda continuam sendo classificadas como “arte”, “cultura” e “entretenimento”. Historicamente existe uma explicação para tal concepção. Charles Colson & Nancy Pearcey observam que “… quando a ciência foi ungida como o único caminho para a verdade (cientificismo), a arte foi degradada à fantasia subjetiva e os artistas foram colocados na defensiva. Eles responderam criando uma filosofia que consequentemente lança a arte como ferramenta de subversão, uma maneira de enfiar o nariz na sociedade convencional” (5).

Segundo eles, “essa filosofia de arte-como-rebelião migrou da Europa para a América. Na música, por exemplo, nossa cultura étnica produziu jazz, blues, folclore e música evangélica, mas como a filosofia de vanguarda alastrou-se, o resultado foi o Rock´n´Roll, Elvis, Beatles, os Rollings Stones… e o resto é história. Como essa nova filosofia de arte ganhou superioridade, o implacável ataque às crenças e aos valores tradicionais desenvolveu-se por um fervor de profanidade e perversidade, de modo que hoje temos letras que glorificam a morte e a violência” (6)

O problema é que a sociedade tem pago um preço alto demais por essa arte subversiva, por essa cultura irresponsável e, sobretudo, por esse entretenimento bestial. Além de provocar o “emburrecimento”, a mídia ímpia ainda induz as pessoas a uma visão de mundo desregrada, libertina e sem escrúpulos, cujos resultados não afetam somente a própria pessoa, mas toda coletividade. E o Estado (leia-se: todos), vai pagando a conta!

E AGORA, COMO VIVEREMOS?

Inseridos nesse cenário, voltamos a colocar em evidência a pergunta chave desse blog: E Agora, Como Viveremos?

Geralmente, a resposta simplista que se dá é que precisamos orar e pedir que Deus tenha misericórdia de todos nós. É claro que essas atitudes fazem parte da vida de todo cristão, porém, acredito que a oração deve vir acompanhada de um conjunto de ações efetivas; isso porque partimos do pressuposto de que o cristianismo está fundamentado numa verdade absoluta, a qual deve se inserir em todos os extratos da sociedade – nesse caso, a mídia.

O simples inconformismo com as condições atuais da mídia não nos levam a lugar algum. Aliás, em Romanos 12.2 o apóstolo Paulo vai além das palavras “e não vos conformeis com este mundo…”, ele continua dizendo: “…mas, transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Ser inconformado é fácil, difícil é promover transformação tanto em nós, quanto na sociedade. É isso o que chamamos de redimir uma cultura. Por essa razão, uso a mesma expressão de Colson & Pearcey: “Não me entendam mal. Precisamos de oração, estudo da Bíblia, adoração, comunhão e testemunho. Mas se nos focarmos exclusivamente nessas disciplinas – e se no processo ignorarmos responsabilidade de redimir a cultura que nos rodeia – nosso Cristianismo vai permanecer particular e marginalizado”. (7)

É claro que isso não é uma tarefa fácil. Vale dizer: “Cada um tome a sua cruz e siga-me”, disse o Mestre Jesus. Com relação à mídia, então, a transformação parece um trabalho utópico, motivo pelo qual Colson e Pearcey escrevem: “O chamado para redimir a cultura popular é certamente um dos desafios mais difíceis para a fé cristã hoje. Pois, graças à moderna tecnologia de comunicação, a cultura popular tornou-se uma intrusa em todas as partes. É impossível evitar a influência da cultura através das propagandas, fitas, CDs, televisão, rádio, filmes, revistas, jogos de computador, galeria de vídeos e da Internet. A cultura popular está em todos os lugares, moldando nossos gostos, nossa linguagem e nossos valores”. (8)

É claro que é difícil. A televisão, especificamente, tem um poder de afetação tremendo na mente dos seus telespectadores. Com efeito, os pais parecem sempre em desvantagem em relação à TV no que toca a influência sobre seus filhos. Enquanto os pais educam, programas da MTV, realitys shows, bandas de rock e vídeos games (des)educam.

Mas, repita-se: lamentar não resolve o problema. Os escritores Kennedy e Newcombe falam sobre isso no livro As portas do inferno não prevalecerão. Eles afirmam categoricamente que “… precisamos nos conscientizar de que o ataque ao Cristianismo que ocorre em nossa cultura resulta, em parte, de uma atitude mal orientada que os cristãos tiveram, no início deste século. Durante décadas, nos mantivemos afastados de nossa cultura. Deixamos a mídia, em sua maior parte, para os ímpios”. (9)

Nesse mesmo foco, tendo com esteio os princípios da cosmovisão cristã, os escritores afirmam a necessidade de termos mais âncoras, redatores de notícias, editores, produtores e diretores cristãos, já que estas pessoas estão em posição de influenciar muitos outros, em nossa cultura. Defendem ainda que “os pais cristãos deveriam encorajar seus filhos a seguir tais carreiras, se eles tiverem inclinação para isso. Porém, é claro, devemos sempre nos certificar de que transformamos a mídia, e não ela a nós”. (10)

A transformação da mídia através dos cristãos, dizem eles, não acontecerá da noite para o dia, se é que vai acontecer, mas sim ao longo de décadas. E nem pensem que é fácil para os cristãos entrar nessa área”.

Por isso, eles propõem o seguinte desafio: “Eu desafiaria sua igreja a assumir como meta um jornal, uma emissora de televisão ou uma estação de rádio e começar a orar e testemunhar por eles”. E mais: “acabou o tempo de apenas reclamarmos entre nós sobre o ataque ao Cristianismo nos filmes e na TV. É tempo de agir. É tempo de fazermos nossas vozes audíveis por aqueles que estão envolvidos na perseguição contra os cristãos. É tempo de escrever aquelas cartas ao editor. É tempo de demonstrarmos nosso apoio de uma forma prática, não apenas falando, mas investindo. É tempo de orar pelos que estão na mídia e de levar mais pessoas a Cristo, inclusive aqueles que estão na mídia. Enfim, é tempo de os cristãos entrarem corajosamente nos meios de comunicação”.  (11)

Notas

1. Disponível em http://hypescience.com

2. Ibid.

3. Disponível em http://gentesemfuturo.blogspot.com

4. Ibid

 5. E Agora, Como Viveremos, p. 544.

6. KENNEDY, D. James & NEWCOMBE, Jerry. As portas do inferno não prevalecerão. CPAD. Rio de Janeiro. 1998, p. 280.

7. Ibid, p. 281.

8. Ibid. p. 280.

9. Ibid. p. 280.

10. Ibid.

11. Ibid. p. 283.

 

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15 comentários em “A mídia e os males do falso entretenimento

  1. Caro irmão Valmir, a paz do Senhor!

    Acompanho seu blog há algum tempo e sempre encontro aqui matérias edificantes. Esta questão da influência da mídia impia sobre a sociedade como um todo, e sua influência também agora, mais sentida na igreja se deve como o irmão bem colocou, a inércia da igreja em ocupar um espaço na mídia para contrapor esta má influência.

    Algo que me entristece é que atualmente a igreja tem aos poucos ocupado um espaço cada vez maior em alguns canais, mas não com intuito primário de pregar o evangelho, mas sim de auto-promoção de alguns tele-evangelista$ e tele-bispo$, de fazer comércio, e até “lavar roupa suja eclesiástica”. Temos não só que ocupar espaço na mídia, mas também colocar irmãos que levem a um genuíno evangelho, que pregem a Cristo e deem ao mundo uma cosmovisão realmente cristã.

    Forte abraço!
    Marcelo Oliveira
    http://blogdomarcelooliveira.blogspot.com/

  2. A paz do Senhor irmão passei aqui por curiosidade e achei um conteudo maravilhoso e rico.

    Que o Senhor Jesus continue te usando cada vez mais.

  3. Prezado irmão Valmir, infelizmente aconteceu o seguinte: a igreja tinha ojeriza à mídia, de certa justificada. Mas os membros foram se liberando, sem quaisquer instrução por parte das lideranças. Deu no que estamos vendo.

  4. Acredito no que vc escreveu, pois os jovens e adultos, sem falar nas crianças, querem ter alguém como referencial. O problemas é quando escolhem pessoas da novela, ou de “Filmes” e com isso acabam vivendo de forma errada.

  5. Que bom saber que tem mais pessoas cristã, que também tem repudiado os males da tv brasileira. è muito importante divulgarmos isso o mais possivle nas igrejas, nas células, nas escolas dominicais e emo nossa sociedade. Eu vejo que o diabo tem usado a tv, para destruir as fámilias não só as impias mas também as que estão nas igrejas cristãs. na minha igreja tenho trabalhado para concietizalos desse perigo.

  6. Caro Daladier,

    Entramos realmente num círculo vicioso, em que a contrariedade à mídia provocou o distanciamento dos cristãos à administração da mesma, que por sua vez foi se degenerando ainda mais.

    Por isso, repito a necessidade dos cristãos influenciarem os meios de comunicação.

  7. Roni,

    A principal instituição a ser afetada pelo conteúdo negativo dos meios de comunicação é exatamente a família. E, bem sabemos, quando ela é afetada, toda a sociedade também será.

  8. eu sou palestrante na igreja e tnho bregdo muito sobre o assunto da midia , quero te dar o parabens não deixe de falar sobre esse assunto

  9. Maravilha . Deus tenha misericórdia de nós e nos mostre o melhor caminho para revertermos esse quadro

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