Aborto, estupro e risco de morte


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O fatídico evento ocorrido na cidade de Alagoinha que envolveu estupro de uma menina de 9 anos, gravidez de gêmeos, aborto e excomunhão da Igreja Católica, tem provocado um amplo debate na blogosfera. Não se trata de banalizar o assunto como querem alguns, mas sim, uma reflexão que se impõe em contrariedade àquilo que a mídia sensacionalista tem publicado.

Como afirmei no blog dos amigos César Moisés e Silas Daniel, talvez esse seja um dos assuntos mais difíceis para se analisar nos últimos tempos dentro do contexto social brasileiro. A complexidade dos acontecimentos envolvem uma multiplicidade de fatores, os quais, acredito, devem ser analisados separadamente para não incorrermos em erros de interpretação de modo a culminar em juízos equivocados.

Toda resposta simplista e emocional a despeito do evento deve ser descartada a fim de não tornar a discussão leviana, fruto de emotividade e não sustentado em principios éticos.

Tenho minhas convicções e também, como todo ser humano, minhas dúvidas em torno do tema. Por ora, participo de discussões nos blogs acima descritos, as quais acredito, em função da complexidade, não se esgotarão facilmente.  Mas, como dito, é o início de uma reflexão que se impõe.

Assim, em nome do debate saudável e salutar e com vistas a se evitar diálogos múltiplos, convido-os a acompanharem os comentários nos blogs de César Moisés e Silas Daniel.


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5 comentários em “Aborto, estupro e risco de morte

  1. O dr. Norman L. Geisler em seu livro Fundamentos Inabaláveis define ética como “um conjunto fixo de leis morais pelo qual se pode avaliar a conduta humana”. Segundo essa definição, a ética seria um conjunto inflexível de valores que fornecem a base dos nossos julgamentos morais. Essa é a definição mais comum dentro do cristianismo, e também a mais aludida fora dos arraiais da fé.

    A primeira metade do século passado foi marcada pelo terror de duas guerras mundiais. Na segunda metade experimentamos o caos da guerra fria, com suas ameaças atômicas que propagandizavam o medo como arma dominadora. Tudo isso fez com que alguns teólogos cristãos saíssem pouco de suas catedrais teológicas e se arriscassem no terreno da filosofia, a fim de repensar a questão da moral. Os resultados variam de bons a ruins, dependendo do caso. Joseph Fletcher se destacou muito nesse período, e hoje é lembrado como o pai da ética situacional, sistema segundo o qual os pressupostos morais podem variar conforme a situação.

    Recentemente se notíciou no Brasil o caso da menina de 9 anos que foi violentada pelo padrasto, a qual estando em processo de gestação, teve a gravidez interrompida. O caso tornou-se conhecido mundialmente logo após a excomunhão da equipe médica que realizou o aborto. José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e autor da excomunhão afirmou que a decisão foi baseada nos principios divinos, segundo os quais o aborto é um ato pecaminoso.

    Todo ser humano tem o direito a vida. Esse direito é garantido pela Constituição Federal em seu artigo 5º, e também por tratados e acordos internacionais, entre eles o Pacto de São José da Costa Rica, assinado também pelo Brasil, que em seu artigo 4º, reza que “toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. Concepção é, biologicamente, aquele momento em que um espermatozóide penetra no óvulo gerando vida, e não apenas o momento do nascimento.

    Segundo a cosmovisão cristã, Deus é o Criador de todas as coisas. Ele é o autor da vida e a base absoluta para todas as nossas ações morais, e todas as questões éticas devem ceder a essa verdade. Portanto, uma vez que consideramos a existência de Deus e entendemos que Ele mesmo concedeu valor à vida humana, ninguém mais pode desvalorizar o gênero humano no que concerne às questões de vida.

    Aqueles que se posicionam à favor do aborto costumam dizer que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo. Há algum tempo atrás havia uma propaganda pró-aborto na emissora do telebispo na qual uma jovem falava acerca dos direitos constitucionais que lhe foram concedidos (trabalho e voto, entre outros) enquanto reclamava do suposto direito sobre o seu próprio corpo que lhe fora vedado, referindo-se ao direito de decidir abortar ou não. Isso causou constrangimento entre os milhões de evangélicos do Brasil, pois o bispo – que se considera uma pessoa cristã evangélica -, estava defendendo uma tese anti-cristã. Ora, se considerarmos a criança no ventre não como uma pessoa individual, mas como um mero apêndice ou um tecido desnecessário, então esse argumento à favor do aborto será convincente. Mas, se consideramos a criança não-nascida como uma pessoa, então esse argumento se converte em um apelo emocional sem nenhuma base racional.

    Nestes últimos dias, enquanto acompanhava o caso da menina estuprada pelo padrasto que, grávida de gêmeos, teve a gravidez interrompida, vi alguns reflexos de conservadorismo em figuras seculares e outros de liberalismo dentro da esfera eclesiástica. Que o diga o presidente Lula, que na sexta-feita (07), declarou que o caso faz parte de um “processo de degradação da estrutura da sociedade”. E que o digam também os blogueiros cristãos que têm se posicionado à favor do aborto devido aos apelos emotivos da Rede Globo e congêneres que se aproveitam do acontecido para aumentar a audiência os seus telejornais e disseminar seus pressupostos pseudo-progressistas.

    Embora a dramatização realizada pelos meios de comunicação tenham trazido à tona e com mais força as discussões acerca do aborto, nós cristãos devemos permanecer alicerçados nos pressupostos sagrados endossados pelo Criador e Dono de toda vida. Ora, se até a ciência genética tem declarado que a vida começa no instante da concepção e que todas as características de um ser humano individual estão presentes no feto, que razão temos nós, além das nossas próprias emoções afloradas, para justificar o aborto, qualquer que seja o caso?

    Quanto ao fato da menina de Recife, entendo que houve uma dupla violência: primeiro pelo padrasto, através do ato do estupro. Logo, pelos médicos, ao realizarem o aborto, violando novamente o corpo indefeso da pobre criança. Justificativas não faltam: Segundo os médicos, duas vidas em troca de uma é uma matemática perfeita. É a ética situacional retornando com força no cenário filosófico-teológico brasileiro.

    ***
    Fonte: blog Púlpito Cristão
    http://pulpitocristao.blogspot.com

  2. Olha concordo plenamente e sou contra o aborto.
    Porem vc ja pensou se fosse sua filha ou irmã ou alguem q vc ama muito o que vc faria ?

  3. Duas palavras: Estado laico.

    Você não pode imputar a terceiros uma escolha pessoal (sua).

  4. Diante do caso da menina de 09 anos estuprada, vejo muita hipocrisia no caso…. e como os hipócritas não herdarão o reino de Deus, segundo o Evangélio- é possível que o estuprador, a estuprada e todos os excomungados herdem o reino de Deus. Assim, dizia o mestre: os primeiros serão os últimos e os últimos os primeiros. Esses sacerdotes, em geral, não tem nenhuma sensibilidade religiosa na verticalidade, são apenas obedientes cegos da Instituição humana – Igreja, que situa-se na horintalidade da miserável história humana. O mal da religião não é a Religião dos homens, mas a religião da igreja. A igreja de Roma que se coloca como única timoneira da vida, como num disfarce para encobrir sua história de tirania, desde o edito de Milão – 312 dc, de perseguida, passa a perseguidora cruel. Quer um ecumenismo pela exclusão e excomunhão do outro-diferente porque tolera somente o outro-igual. Religião, deve ser no mínimo, religar-se ao outro-diferente, porque ligar o igual, não tem mérito nenhum.
    Fico perplexo com a arrogância da Igreja, que mais semelhança tem com os Cezares e Augustus de Roma, que com o Jesus de Belém. O bispo, diz que os Médicos devem estudar Teologia e eu diria que os sacerdotes deveriam estudar Biologia. Suspeito que a Biologia e a Medicina salvaram muito mais que a religião e que esta última matou muito mais que as piores epidemias. Penso que queirmar alguém na fogueira e sem anestesia é bem pior que abortar um embrião de poucos dias- que nem sistema nervoso tem. Os biólogos não sabem definir o momento certo quando a vida começa. Sabe-se que uma célula é viva, não importando se é n ou 2n. Se para os biólogos, o início da vida é um dilema, para os teólogos que nada sabem de biologia, é coisa resolvida. Penso que o deus dos teólogos deve ser tão pequeno ou menor que uma célula por que eles sabem tudo sobre deus, e em sabendo tudo sobre deus, é de se supor que eles são superiores a Deus. Por isso, temo que em breve queiram julgar e condenar o próprio Deus, como os sacerdotes de outrora condenaram Jesus. Ainda bem que Jesus ressurgiu e que o deus deles é pouco mais que uma ameba.
    De outro modo quero falar de um aborto muito mais cruel. Trata-se do aborto social, onde milhares de crianças morrem de frio, fome, meséria…, adolescentes e adultos sendo mortos e excluídos, guerras violentas, que piores que uma cureta abortiva, expulsam impiedosamente esses seres humanos do úterro da terra. Se os embriões da Biologia, quando abortados, são quase sempre um blastocisto, e sem sistema nervoso desenvolvido, o mesmo não ocorre com os abortos sociais. Estes são arrancados da mãe terra à bala perdida, e por toda sorte de barbaridade humana, às barbas da igreja e neinguém fala nada e nem manda para o inferno via excomunhão. Meu Deus, que requinte de hipocrisia e maldade! Nero teria inveja.

    Abraços, querido leitor.

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