Darwinistas sufocam liberdade de expressão


por César Moisés Carvalho

O bicentenário do nascimento de Charles Darwin, o naturalista inglês (o mais interessante é que a sua formação era em teologia) que inventou o mecanismo da evolução – a seleção natural – (é isso mesmo, as idéias sobre a evolução já eram ventiladas 100 anos antes de Darwin) e os 150 anos de publicação de Origem das Espécies, rendeu capa da Revista Veja e ensejou algumas dicussões interessantes nos vários segmentos (Veja uma delas no blog O Tempora, O Mores!, postada por Solano Portela, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo).
Como no início do ano passado havia escrito um artigo-resposta (e que foi publicado no MP) por causa da mesma controvérsia (ensinar o criacionismo nas escolas), iniciado naquela época por causa de uma declaração da então ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, resolvi postar o texto na íntegra para iniciar um debate com os blogueiros. Devo estar postando alguma coisa também no blog O Mundo de Rebeca.

Darwinistas Sufocam Liberdade de Expressão


Charles Colson, eminente pensador cristão, ao discursar sobre ética, foi questionado em uma de suas palestras sobre fidelidade e integridade. A dúvida era acerca de qual delas é mais importante. Por ter sido fuzileiro naval e ter vivido sob a égide do semper fidelis (“sempre fiel”), Colson sabia que lealdade significa obediência inquestionável. Entretanto, sem titubear, ele respondeu: “Integridade vem primeiro”. Isso por uma simples razão: “Lealdade”, disse ele, “não importa o quão admirável seja, pode ser perigosa se investida em uma causa indigna”, contrariamente, integridade não, pois, continuou, “vem do verbo grego integrar, que significa tornar-se unido para formar um todo completo ou perfeito”. Por conseguinte, nossas “ações devem ser coerentes com nossos pensamentos”.
Acredito que seja bem por isso que alguns, após descobrirem que estão equivocados em suas pressuposições, não têm coragem de se retratar e desfazer seus erros. Seu compromisso e “lealdade” com tudo que é “politicamente correto” (na verdade as conveniências e os benefícios), o fazem “crer” mesmo com uma infinidade de evidências contrárias. E já que tais pessoas se valem de uma ética situacional, seletiva e dicotômica, ficam estarrecidas quando vêem alguém íntegro.

Foi o que aconteceu recentemente à ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva. Por emitir uma opinião acerca da necessidade de a educação propiciar uma visão alternativa à teoria evolucionista, recebeu uma onda de críticas improcedentes vinda de diversas partes. Mesmo correndo o risco de ser simplista, posso afirmar que as críticas possuem, ao menos, dois aspectos. O primeiro é muito positivo, pois mostra que a referida ministra, a despeito de ser crente (o que para muitos soa como sinal de obscurantismo), tem sido reconhecida por seu trabalho como ambientalista. Tanto que recentemente apareceu na lista do jornal britânico The Guardian, como uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta das conseqüências do aquecimento global (MP, nº 1.474). Portanto, o seu parecer é, no mínimo, razoável. O segundo fator é extremamente negativo, pois denota que uma pessoa pública não pode exercer seu direito de liberdade de expressão. Isso, claro, se a sua afirmação não estiver em consonância com os postulados anormais, relativistas e imorais do sistema (caso em que a ministra se enquadra).
Se o cientista, pensador, formador de opinião ou político cristão, não pode expressar nenhum parecer, principalmente se o enunciado aparenta estar calcado em sua predisposição religiosa, restam-nos, então, duas perguntas: É correto que estas mesmas pessoas, sendo, ateus, marxistas, eugenistas e liberais, emitam juízos de valor acerca de questões científicas? O que garante que suas afirmações não estão sob a influência de suas preferências ideológicas?
Se as palavras finais da obra de Thomas Kuhn — “O conhecimento científico, como a linguagem, é intrinsecamente a propriedade comum de um grupo ou então não é nada. Para entendê-lo precisamos conhecer as características essenciais dos grupos que o criam e o utilizam” (A Estrutura das Revoluções Científicas, pp.259-60) —, forem a resposta a estas questões, então não há mais dúvida.

O novo dogmatismo

Em 1922, G. K. Cherterton, já denunciava que a linguagem científica se tornou um “credo”, e um “sistema de pensamento que começou na evolução e terminou na eugenia”. O que se quer impor hoje — o novo dogmatismo —, é que devemos aceitar toda e qualquer sandice, desde que esta apóie o neodarwinismo. Ou seja, só se pode pensar nos estritos limites da teoria darwiniana como se isso fosse o mesmo que pensar cientificamente!
Assim, se você questiona o evolucionismo logo é acusado de retrógrado, obscurantista e reacionário. Acontece que não são apenas os cientistas cristãos que questionam os postulados da cartilha darwinista. É grande o número de cientistas não-cristãos que, íntegros ao seu ofício e à sociedade, utilizando as ferramentas científicas, descobriram diversas lacunas na teoria. Um exemplo recente, foi noticiado pelo mesmo jornal britânico já citado. Richard Lewontin, da Universidade Harvard, na reunião anual daAmerican Association for the Advancement of Science (Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência), admitiu que os darwinistas ainda não sabem “nada sobre a evolução do cérebro”, e que os “cientistas ainda estão completamente no escuro sobre porque o cérebro humano evoluiu para ser tão grande”.

É interessante que, como já virou lugar comum em nosso meio, a tolerância dos liberais só não vale para suas “verdades”, ou seja, tudo é relativo, menos o relativismo, esse sim, é “absoluto” e “inquestionável”. Conforme abordado no editorial do Mensageiro da Paz, edição de setembro de 2007, os “liberais atacam dogmas, mas têm eles mesmos um dogma que não aceitam de forma alguma que seja criticado: o relativismo”. Este é o novo fundamentalismo secular ateísta: o dogmatismo teórico e o relativismo moral.
Sob este aspecto, é “normal” que haja uma reação agressiva ao pronunciamento da ministra, pois o simples fato de a escola ficar ciente de que existem outras teorias — por sinal, mais plausíveis —, para explicar fenômenos naturais observáveis, ameaça a estabilidade e o futuro da visão de mundo darwinista, pois os alunos informados ficarão “curiosos” (elemento indispensável à investigação científica) para conhecer as outras visões.

Predisposição cognitiva


O compromisso epistêmico com o dogmatismo teórico, fere a mais elementar premissa do método científico: a neutralidade do pesquisador. Claro que devemos estabelecer a distinção entre o “é” e o “deve ser”. No entanto, é dever do agente aproximar-se do objeto com o máximo de isenção possível e aceitar a evidência, remeta ela para a direção que ele queira ou não. Quando o a priori se sobrepõe às evidencias empíricas resultantes do método, é realmente lamentável e vergonhoso. Em outras palavras, partindo de qualquer premissa e inferência (seja de que há ou não um projetista inteligente), ocorre um problema conhecido como “predisposição cognitiva”. Em outras palavras, muitas vezes os dados são “estrategicamente manipulados”, para se chegar ao resultado que se quer.
Isso significa supervalorizar as evidências, mesmo remotas, que parecem fundamentar minha visão de mundo e desprezar outras, ainda que abundantes, que estão na contramão do meu pensamento.

O reducionismo (neste caso, o científico, mas pode ser qualquer outro) é a obtusa repetição de um erro de quem já experimentou duros golpes com tal comportamento. Não vamos longe, voltemos ao exemplo de Richard Lewontin, que ainda afirmou: “Nós estamos em dificuldades muito sérias tentando reconstruir a evolução da cognição. Eu nem estou certo do que nós queremos dizer com o problema”.

Não se intimide


Equiparar leis físicas ou naturais (a da gravidade, por exemplo) com teorias (modelos de explicação para os fenômenos) é uma prática comum e intimativa dos novos dogmatistas darwinianos. Mas isso só funciona com pessoas crédulas que se impressionam com as afirmações e com a “autoridade” de quem as pronunciou, e não cobram evidências para sustentá-las.

Sermos contra a ciência seria um suicídio intelectual, entretanto, aceitar factóides de uma teoria eugenista como evidências é, não somente, irracional como anti-humanitário.

Sinceramente, apelar para o registro fóssil como evidência para o darwinismo, revela, das duas possibilidades uma: ou a pessoa não conhece nada sobre o assunto, ou está sugerindo que somos muito ingênuos.
Como essa evidência foi escolhida, espero que saibam explicar, à luz da paleontologia, alguma coisa sobre a explosão abrupta no período cambriano dos fósseis das espécies formadas plenamente (algo que contraria o gradualismo), bem como sobre a tentativa de racionalizar o darwinismo, com a idéia dos “equilíbrios pontuados”. Ambas não podem estar certas, pois são auto-excludentes. Onde estão os elos perdidos ou fósseis de transição? Não vale apresentar as representações artísticas como dados, pois não passam de fruto da imaginação da “predisposição cognitiva”.

A Humanidade melhor


Ninguém acusaria a Bíblia de transmitir “idéias eugenistas”, pois o erro recai justamente em sua má interpretação — o que a eximi, bem como seus autores e quem os inspirou. O mesmo não acontece com os postulados darwinistas que, em sua essência, traz uma sobrecarga egoísta e elitizadora (basta conhecer as idéias de Darwin e ler o primeiro livro de Dawkins). A Bíblia fala sim de aperfeiçoamento e excelência (Ef 4.12-16), mas das pessoas, para ser bem claro, as de carne e osso que existem. Aí está o desafio. Ela não propõe a dizimação e muito menos o genocídio para tornar o mundo melhor. Mesmo porque o problema não está na constituição biológica (o que equivocadamente alguns interpretam por “carne”), mas na propensão pecaminosa — pode chamar de egoísta, se quiser —, surgida em decorrência do descumprimento da razão de nossa existência.
CARVALHO, César Moisés. Artigo: Darwinistas sufocam liberdade de espressão. Mensageiro da Paz. Ano 78, nº1475, CPAD, Rio de Janeiro: Abril de 2008, p.27.
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2 comentários em “Darwinistas sufocam liberdade de expressão

  1. Penso que já estamos atrasados no tempo. a igreja, bem como as lideranças evangélicas não deveriam se calar ante as falácias do Darwinismo. Em pleno século XXI, se aceitar uma teoria (ainda bém que é uma teoria) como essa ser ensinada nas escolas, se constitui uma aberração. Como professor de Filosofia no ensino médio, tenho batido nessa tecla, quando o assunto é aberto não deixo barato. Se Darwin estivesse vivo, penso que se ele fosse um homem de verdade se envergonharia do que escreveu. Muito embora a Bíblia seja o apenas dos cristãos, acredito que ela tem a resposta para tudo sobre as origens do homem.

  2. Gostei muito do artigo!
    Sobre este tema sugiro a leitura do livro abaixo
    Evolucionismo: Mito e Realidade
    Jorge Pimentel Cintra
    Ed. Quadrante

    Abraços

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