OS BULDOGUES DE DARWIN – Parte 2


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Charge: Wilberforce x Huxley

Parte 1

SAM “ESCORREGADIO” CONTRA O “BULDOGUE” DE DARWIN

No início do texto escrevi que a defesa do darwinismo pelas Igrejas Católica e Anglicana faz-me voltar no tempo e recordar os embates entre Sam “Escorregadio” contra o “Buldogue” de Darwin. Pois bem, vamos a esses personagens.

Aproximadamente sete meses depois de Darwin ter lançado A Origem das Espécies por meio da seleção natural, e no meio do alvoroço provocado pela teoria do naturalista, com críticas tilintando de todos os lados, principalmente da Igreja da Inglaterra, era chegada a hora da tese ser colocada à prova, no âmbito da argumentação. Para isso, o salão na Universidade de Oxford estava apinhado de gente no sábado à tarde do verão de 1860; mais especificamente no dia 30 de junho. Mais de setecentas pessoas assistiam ao encontro anual da Associação Britânica para o Progresso da Ciência, palco de uma das maiores contendas de todos os tempos: evolução versus criação.

Ironicamente, o principal nome de todo o imbróglio não se estava presente. Darwin encontrava-se recolhido à sua casa, doente. Nessa época, anota Hellman, “ele se convertera de um jovem e vigoroso explorador em um homem recluso e de saúde frágil, que raramente saía à rua”. Porém, mesmo se estivesse presente, teria pouca valia, já que quem estava ali para atacar a teoria evolucionista era ninguém menos que o ilustre bispo de Oxford, Samuel Wilberforce; homem de pensamento rápido e palavras afiadas, contra quem o tímido Darwin não teria a mínima chance.

Wilberforce recebera dos estudantes o apelido de Sam “Escorregadio”, em virtude de sua habilidade nos embates discursivos. À época, Wilberforce era respeitado por sua destreza na oratória, especialmente por sua capacidade de injetar, quando necessário, charme e humor juntamente com o veneno. Além disso, tinha ele reputação com a matemática, e fora instruído especificamente para o debate por Sir Richard Owen, reconhecido como o maior expoente da época em fisiologia e anatomia comparada. Aliás, em sua Autobiografia, Darwin menciona a curta ligação que teve com Owen, chegando a afirmar que a separação entre ambos se deu pela inveja nutrida pelo anatomista. Darwin anota: “Encontrei-me freqüentemente com Owen enquanto morava em Londres. Tinha por ele enorme admiração, mas nunca pude compreender seu caráter e nunca tivemos intimidade. Depois da publicação de A Origem das Espécies, ele se tornou meu inimigo, sem que isso se devesse a qualquer altercação entre nós, mas sim, tanto quanto pude avaliar, por inveja do sucesso do livro.

Para fazer a apologia da teoria de Darwin, entre seus poucos defensores, foi chamado Thomas Henry Huxley (avô de Aldous Huxley, escritor de Admirável Mundo Novo), homem também respeitado, pesquisador  de zoologia, geologia e antropologia. Identicamente à Wilberforce, Huxley era orador de alta sagacidade.

R. W. Clark anota que na véspera do encontro, Huxley, sabendo do nervosismo de Darwin, escreve a ele dizendo: “E quanto aos curas que vão latir e uivar, você deve lembrar-se de que alguns de seus amigos, em todo caso, possuem uma boa carga de combatividade, que (embora você a tenha muitas vezes reprovado com razão) pode ser-lhe agora de boa serventia. Já estou afiando minhas garras e meu bico em prontidão”.

Em razão da amizade que tinha com Darwin e por ter atuado publicamente como advogado da causa evolucionista, recebeu ele a alcunha de “O Buldogue de Darwin”; sempre pronto a defendê-lo quando necessário, tal qual um cão de guarda. Darwin dá o testemunho da intimidade entre os dois:

“Um pouco mais tarde, tornei-me íntimo de Huxley, que tem a mente rápida como um relâmpago e cortante como uma navalha. É o melhor interlocutor que já conheci. Nunca escreve ou diz nada que seja banal. Por sua conversa, ninguém o imaginaria capaz de dilacerar seus adversários de maneira tão contundente quanto ele consegue fazer. Tem sido um bondoso amigo e sempre se dispôs a enfrentar qualquer problema por mim. Tem sido o grande esteio, na Inglaterra, do princípio da evolução gradativa dos seres orgânicos”.

Anote essa última parte do registro de Darwin, onde afirma que Huxley “tem sido o grande esteio, na Inglaterra, do princípio da evolução gradativa dos seres orgânicos”, pois voltaremos a falar sobre isso mais adiante.

O DEBATE

A arena estava preparada para o embate. De um lado “Sam Escorregadio”, em defesa do criacionismo, e da outra banda “O Buldogue de Darwin”, na guarda do evolucionismo. Homens igualmente habilidosos na argumentação e na oratória, e tudo indicava que seria um debate interessantíssimo.

O primeiro a falar foi Wilberforce. Hellman descreve de maneira concisa:

“Com uma influência apropriada a um debate de alta classe, Wilberforce começou resumindo brevemente o terreno comum entre a ciência e a Igreja – pois tratava-se, afinal, de um encontro científico. Ele até cumprimentou Huxley, que, ele estava certo, estava prestes a demoli-lo. Então, pôs as mãos à obra. Mais uma vez, há dúvidas sobre as palavras exatas, mas ele acusou em parte a teoria de ser meramente ‘uma hipótese, alçada de forma muito pouco filosófica à dignidade de um teoria causal”.

Depois de uma boa meia hora de divagação retórica, ele observou quão extremamente desconfortável se sentiria se alguém pudesse demonstrar que um macaco no zoológico era seu ancestral. Voltou-se então para Huxley e perguntou-lhe maliciosamente se era através de seu avô ou de sua avó que ele alegava descender de um macaco. A audiência explodiu em gargalhadas e aplausos.  Huxley meramente murmurou: “O Senhor entregou-o em minhas mãos”.

Depois de Wilberforce, era chegada a vez de Huxley, o qual se levantou pelo coro da audiência, e começou a falar: “Estou aqui apenas no interesse da ciência, e não ouvi nada que possa prejudicar a causa de meu augusto cliente”. E, mais adiante, após outras observações, ele reverbera: “Finalmente, quanto a descender de um macaco, não vejo vergonha erguer-se de tal origem. Mas eu sentiria vergonha de ter descendido de um homem que prostituiu os dons da cultura e da eloquencia a serviço do preconceito e da falsidade”.

Depois do discurso dos dois interlocutores, o encontro continuou com acusações de ambos os lados. Alguns em defesa de Wilberforce; outros de Huxley. Até o capitão Robert Fitz-Roy, com quem Darwin havia navegado, reverberou contra a exposição de Huxley. Conta-se também, que uma mulher, por nome Lady Brewster, desfaleceu pelo choque. Nota-se, como foi o clima do debate.

De qualquer sorte, o que era para ser um grande evento da ciência, tornou-se em agressão verbal pelos lados oponentes. Assim, apesar de ser um marco na história dos embates científicos, o encontro ficou marcado não pela contribuição científica, mas como o início de uma batalha argumentativa que perdura até hoje. Isso porque, se o darwinismo fosse realmente verdadeiro, ele nem participaria dessa discussão, afinal, a ciência verdadeira não é feita somente de debates de oratória, mas com provas robustas. Mas, nem Huxley, nem mesmo Darwin conseguiram apresentar um pingo de comprovação científica sobre a teoria. Foram somente argumentações e mais argumentações, baseado em retórica filosófica.

Aliás, o encontro continuou a render muito mais nos dias que se seguiram. Wilberforce, ainda suspirando os ventos do encontro, escreveu pouco tempo depois:

“A supremacia obtida pelo homem sobre a Terra; o poder do homem de articular a fala; a razão que foi dada ao homem; a vontade livre e a responsabilidade do homem e a redenção do homem; a encarnação do Filho Eterno, a habilitação do Espírito Santo, – todas essas coisas são igualmente impossíveis de conciliar com a degradante noção de uma origem animalesca daquele que foi criado à imagem de Deus”.

O “Buldogue” de Darwin, do mesmo jeito, continuou firme e forte no granido em defesa do evolucionismo. Falemos um pouco sobre ele.

HUXLEI, O BULDOGUE AGNÓSTICO

Mencionei, há pouco, a necessidade de anotar o texto de Darwin em que ele diz que Huxley “tem sido o grande esteio, na Inglaterra, do princípio da evolução gradativa dos seres orgânicos”. Realmente, o grande incentivador e marketeiro da teoria darwiniana não foi o próprio Darwin, mas sim o seu cão de guarda, Thomas Huxley.

Mas, por que Huxley estaria tão interessado em defender as idéias de Darwin? Será que ele acreditava realmente na tese da evolução das espécies pela seleção natural? Não, Huxley não aceitava plenamente a teoria exposta em A Origem das espécies. Ernst Mayr evidencia que o maior buldogue de Darwin nunca acreditou completamente no processo darwiniano de seleção natural. Huxley, inclusive, questionou Darwin sobre a sua insistência no gradualismo: pequenas mudanças que, somando-se, produzem finalmente as grandes diferenças entre as espécies.

Então, qual a razão do interesse de Huxley pelo tema?

Primeiro, toda idéia que confrontasse a Igreja da Inglaterra era considerada como positiva por Huxley. Ele confessou ao seu amigo Charles Kingsley: “É claro para mim que, se esse grande poderoso instrumento, para o bem ou para o mal, que é a Igreja da Inglaterra, tiver de ser alvo do estilhaçamento da maré crescente da ciência – um acontecimento que eu lamentaria muito presenciar, mas que irá inevitavelmente ocorrer se a direção de seu destino estiver a cargo de homens como Samuel Wilberforce”.

Huxley queria que a Igreja não interferisse no rumo da ciência. Ele acreditava na coexistência entre a ciência evolucionária e a religião, mas não em meio a um bombardeio extremista. Ocorre, que, nessa busca pela defesa da ciência, o próprio Huxley agiu como extremista, chegando a defender algo em que não acreditava e sem provas conclusivas. Talvez, por esse motivo, a alcunha impingida a Huxley, denominando-o de buldogue, não seja de toda desproporcional, já que o cão age somente pelo instinto animalesco; não fazendo qualquer tipo de análise ao defender o seu proprietário, mesmo quando ele esteja errado. A única coisa que o buldogue faz é obedecer avisos de comandos. Huxley, portanto, apesar de inteligente, tapou seus olhos para todas as incongruência contidas na teoria de Darwin.

Segundo, Huxley considerava-se agnóstico. Essa palavra provém do grego formado pelo sufixo “a” que representa negação, mais a raiz  gnose”, que quer dizer conhecimento. Portanto,  agnóstico é aquele que acredita que o homem não pode conhecer toda a verdade acerca de um ser superior; afirma a impossibilidade de conhecer o sobrenatural. Huxley, acreditava que o homem não conseguiria conhecer todos os mistérios do universo, principalmente aqueles de ordem metafísica. Assim, a teoria proposta por Darwin caiu como uma luva dentro da sua cosmovisão anti-teísta de Huxley. Como disse um dos atuais buldogues de Darwin, Richard Dawkins, a evolução tornou possível ser um ateu intelectualmente realizado.

Terceiro, Huxley tornou-se amigo íntimo de Darwin, conforme mostrado anteriormente. No direito, quando duas pessoas são amigas íntimas, uma não pode testemunhar em favor da outra, posto que é considerada como suspeita. É o caso de Huxley. Ele era suspeito ao defender seu amigo Darwin.

Portanto, esses três fatores (inimizade contra a Igreja da Inglaterra, agnosticismo e amizade com Darwin), fizerem de Thomas Huxley o maior propagador das idéias evolucionistas da sua época, mesmo não acreditando completamente nelas. Esse fato demonstra, sem pestanejar, que o evolucionismo já inicia com toda pecha de filosofia, e não de ciência, e por isso mesmo, não passa de mera especulação teórica.

Continua…

Aguardem! 

Notas 


Autobiografia, p. 90

Citado em Grandes Debates da Ciência, p. 117.

Idem, p. 91

Idem, p. 117

Idem, p. 118

Mayer, E; citado em Grandes Debates da Ciência, p. 119.

Idem, p. 115

Idem

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13 comentários sobre “OS BULDOGUES DE DARWIN – Parte 2

  1. Olá, Valmir!! Muito boa a continuidade do trabalho! Quanto mais leio sobre a teoria da evolução e o seu desenvolvimento histórico, mais fico convencido do seu caráter filosófico a-científico e, como tal, ela tem o seu lugar em meio a tantas outras filosofias naturalistas e humanistas. Difícil é vê-la, em pleno século XXI, rotulada de ciência e sendo ensinada nas escolas públicas e privadas como sendo a verdade acerca da origem das espécies em detrimento da explicação criacionista. Na ânsia por eliminar o verdadeiro Deus de sua História, a sociedade criou uma teoria monstruosa que não apenas falha grosseiramente na tentativa de explicar o que aconteceu no passado como agora é usada para moldar uma nova sociedade, cada vez menos humana. Na recusa em reconhecer e servir a Deus, pessoal, inteligente e bom, os homens agora tornaram-se escravos da obra de suas próprias mãos, a Seleção Natural, impessoal, casual e cruel.

    Que o Senhor continue te abençoando!!

    Rubens Jr

  2. Graça e Paz

    Parabéns pelo site e que o Senhor Jesus continue-o abençoando. Convido-o a ler meu recente post “Porque nem todos os que são de Israel são israelitas” de meu blog *Entendes tu o que lês?*/ http://eduneves.blogspot.com/

    Um abraço!!!

    Eduardo Neves.
    “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” Tito 2:11

  3. Paz do Senhor,

    Não há dúvidas de que a teoria da evolução nada mais é que uma tentativa de o ateísmo fundamentar-se “cientificamente”, nada mais que isso, há tantas incongruências nele que, não poucos cientistas, recusam-se a serem chamados de darwinistas.
    E os buldogues? Estão soltos ainda, são muitos, semana passa um se manifestou em meu blog após eu publicar algo sobre ” EVOLUCIONISMO, CIENTIFICAMENTE INSUSTENTÁVEL”, mordeu-me e tudo mais.
    Continuemos a lutar pela pela verdade que liberta: ” Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;
    Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” II CO 10.4,5

    Abraço,

    http://www.joaopaulo-mendes.blogspot.com

  4. olá valmir. gostaria de deixar meu comentário aqui apesar de minhas idéias serem um pouco destoantes das suas, mas acho o conflito de idéias é algo fundamental. Primeiro, digo que por coincidência li este trecho do livro também no dia de hoje… e aqui vai minha opinião a respeito de algumas coisas.
    O homem “antigo” costumava atribuir a deuses tudo aquilo que ele não conseguia explicar, logo, tínhamos o deus da chuva. Hoje sabe-se claramente que a chuva é decorrencia de fenomenos de carater fisico-quimico que envolvel o “ciclo da água. O homem também nao sabia explicar o sol e a lua e porque os movimentos desses e sugeriam que ambos eram divindades. Porém hoje, o homem sabe que isso nao passa de movimentos regidos por leis da astronomia qe sao muito bem elucidados. Outra coisa que o homem nao sabia explicar era: 1 – De onde viemos? 2 – Para onde vamos?
    Bom para a pergunta 1 já temos uma resposta. hoje sabe-se que moléculas orgânicas sao capazes de ser “geradas” a partir de reacoes de moleculas inorganicas, e é a partir dessas reacoes nos “caldos primitivos” recheados de moleculas inorganicas que fazem parte da composicao quimica da terra, que teriam surgidos moleculas organicas como o DNA que sao a fonte das modificacoes posteriores por meios dos processos de selecao natural proposto por Darwin. Além de explicar isso, ainda temos a história do processo evolutivo via registro fóssil que nos mostra como a evolucao dos grupos de organismos na terra. O próprio Darwin falou sobre o registro geológico: “Vejo o registro geológico como uma história do mundo imperfeitamente preservada (devido a dificuldades de para a fossilizacao) e escrita em um dialeto mutável (porque sempre estamos descobrindo novos fósseis); uma história da qual possuimos somente o último volume”. Bom fica claro que já podemos nao atribuir a deus a criacao da vida na terra, porém é dificil para o homem aceitar isso, pois essa é a ultima coisa que ainda nos ligaria a deus e nao aceitar a criacao divina seria romper o ultimo laco com deus.
    Para a pergunta 2 a resposta também e simples. O homem ao curso da evolucao desenvolveu o pensamento intelectual até um certo ponto que pra ele é dificil aceitar a sua condicao efemera no planeta, e que apesar do planeta ter 4,5 bilhoes de anos e o homem surgido ha poucos milhoes (o primeiro hominideo fossil após a separacao da linhagem do homem com o chipanzé data de 7 milhoes de anos e chama-se Toumai (pode estar escrito errado) é dificil aceitar que nossa passagem na terra se resume aos poucos anos em que vivemos aqui e tenta-se acreditar em outras vidas como uma vida no céu. essa idéia de uma vida no céu, paraíso também serve como base para evitas as mudancas da vida do homem na terra, tentando manter ainda mais a sociedade estática.
    Bom essa é a minha opiniao. Como paleontologo até gostaria de que a resposta da pergunta 2 fosse outra pois ae quem sabe um dia poderia ver os dinossauros e outros bichos que já habitaram nosso planeta há alguns milhoes de anos atrás no paráiso. Se bem que, já vivemos no paraíso!

  5. Caro Mário e Valmir, já que estamos em um espaço de discussão, permitam-me intrometer neste conflito de idéias!!

    Uma vez que que o tema das perguntas 1 e 2 são basilares para a construção de qualquer cosmovisão, seja teísta ou ateísta, cristã ou darwinista, creio que o Mário conduziu a discussão a um ponto crucial e em cima disso gostaria de levantar algumas considerações ao Mário.

    Responder a pergunta 1 é fundamental para sabermos quem ou “o que” nós realmente somos. O contexto de toda essa nossa discussão gira em torno do seguinte fato: o darwinismo ou teoria da evolução enquadra-se melhor numa teoria filosófica-especulativa ou teoria científica comprovada?? Cá entre nós, paleontologia é ciência!! Admiro muito esta ciência que procura correlacionar a biologia com a geologia!! Como engenheiro de petróleo, sou não apenas admirador mas interessado nas produções científicas desta disciplina, ainda que a maioria dos paleontólogos já iniciem suas pesquisas com a fé de que o Deus criador tanto da terra como dos fósseis não exista!! Agora, considerar a teoria da evolução uma teoria cientificamente comprovada já é forçar a barra!! O processo especulativo certamente faz parte do método científico, mas até que os fatos especulados sejam comprovados, continuarão apenas sendo especulação. E como procurarei mostrar, o darwinismo é especulação filosófica vestida de linguagem científica. Como o Mário mesmo mostrou em seu texto, o darwinismo, enquanto especulação filosófica, pressupõe que matéria e energia não-criados e debaixo do acaso, interagiram em processos não-supervisionados e desgovernados para criar o que agora existe no universo, incluindo o homem. A partir de uma análise lógica destes fatos e a respeito do que você disse, Mário, podemos concluir unicamente que nós, seres humanos, somos meros frutos do acaso. E eu fico pasmo diante das seguintes considerações: como, na sua cosmovisão, este acaso impessoal (randômico ou caótico) pode ter gerado algo tão complexo e organizado como você mesmo, um ser humano?E por falar em impessoalidade, pergunto-lhe mais uma vez: na sua visão, você realmente considera que somos meras engrenagens neste seu mundo mecanicista “governado” por leis fortuitas e incriadas?? Em minha cosmovisão cristã, vejo você como uma pessoa dotada de sentimentos, razão, vontade, livre-arbítrio e que, apesar de não ter as mesmas crenças que tenho, dotada de concepções morais. Como você me vê, enquanto cristão?? Um filho rebelde da seleção natural que está falhando em reconhecê-la, que pasmo, diante desta vida tão efêmera que o acaso está me proporcionando, abraçei a crença irracional em um Deus pessoal que criou de maneira proposital, racional e inteligente este universo e tudo o que nele existe??

    Quanto ao propósito de nossa vida, você argumentou que o homem ao curso da evolução desenvolveu o pensamento intelectual até um certo ponto que pra ele é dificil aceitar a sua condicao efemera no planeta. Quem desenvolveu?? O próprio homem?? O acaso??? A seleção natural?? Ou a gente apenas acha que desenvolveu, quando na verdade pode ter sido um gene enganador que nos dá a falsa sensação de que somos livres para criar qualquer coisa que seja! Na verdade, independente do fato de você ser capaz de responder estas perguntas de forma clara ou não, você concordaria comigo que segundo a cosmovisão darwinista, não há propósito algum na vida humana, que somos apenas joguetes nas mãos de um processo casuístico, iludidos a respeito de nossa própria condição??

    Saiba, Mario, que creio que você e eu somos mais do que isso. Que ambos somos pessoas, criados por um Deus pessoal-infinito, com um propósito bem definido de viver para a Sua glória. Como você, sou cientista. Pesquiso o mundo de Deus, porque acredito que este Deus inteligente criou este mundo e o governa com leis naturais inteligíveis. São essas leis que eu procuro conhecer e utilizá-las a partir da ética e da moral para o bem da humanidade. Não esgoto a discussão, apenas digo em vindo ao debate!! Bem vindo às discussões!!

    Fica uma última colocação bem pessoal pra você pensar enquanto a gente debate idéias. Baseado em uma aposta que o filósofo e cientista Blaise Pascal fez, peço a você que faça a seguinte consideração: se você está certo acerca de sua cosmovisão, ao final de nossa vida você e eu deixaremos de exitir e ponto final. Se eu estiver certo acerca de minha cosmovisão, ambos seremos julgados por Deus!! Você estaria pronto??

    Um abraço, Rubens

  6. primeiro – não acredito que serei julgado por deus algum e não tenho medo de ir para o inferno ou algo do tipo pois isso não existe. mas esse é um assunto interessante. Para Dawkins uma das coisas que fez a ideia deus ter conseguido tamanha aceitacao e propagacao foi o fato de ela estar agregada a uma condenacao caso voce nao aceite, ou seja, quem nao cre em deus sera julgado e sera mandado ao fogo do inferno; e é dificil para alguns perder esse medo e parar de acreditar no tal deus.
    outra coisa de ponto interessante: todo criacionista sempre diz que a lei da evolucao, da selecao natural é obra do acaso. Em nenhum momento nenhum evolucionista diz que o acaso é o responsavel por tudo que ocorre, mas sim que ele é uma das coisas que geram o processo evolutivo.
    Como poderia ter surgido formas tao complexas como nós? Simples, analise o registro fossil, nele vemos claramente entre outras coisas para organismos com quatro patas (tetrapodas), transicao para bipedalismo em dinossauros como para a linhagem de hominidios.

    A teoria da evolucao que na verdade para alguns deveria se tornar a lei da evolucao na minha opiniao é muito mais cientificamente comprovado do que a teoria da criacao divina ou a teoria de que um deus exista. è facil de se observar a selecao natural no dia a dia e através de exemplos classicos como os das mariposas brancas e pretas (deve saber caso eu te explico) que é um exemplo até certo ponto sempre falado mas valido pra quem esta iniciando no assunto. agora, me prove a existencia de deus! Lógico, voce pode me dizer: entao me prove a nao existencia de deus. mas entao se eu inventar que no meio do espaco existe uma garrafa de agua voando voce nao tera como me negar? entao eu estarei correto?

    Outra coisa: voces defendem a ideia do ensino do criacionismo na escola. Até onde eu sei o ensino no Brasil é laico, logo, seria inconstitucional ensinar o criacionismo em salas de aula.

    Continua…

  7. o homem é o topo da evolucao? voce disse como o processo evolutivo pode ter gerado algo tao complexo como voce ser humano? vejo na natureza formas tao complexas ou mais que o homem? o voo dos insetos e das aves, os mamiferos que voltaram a vida aquatica, bactérias que vivem em condicoes totalmente adversas para nós seres humanos como temperaturas altissimas, os vegetais além de outros organismos que tem a capacidade de produzir o seu próprio alimento. O homem é só mais um nesse mundo de formas tao complexas, e não há nada de especial em nós que nos faca superior a qualquer outro organismo.
    O homem nunca destruirá a natureza, essa é independente da gente e nós somos apenas mais uma espécie que está de pasagem pela terra, e possivelmente um dia passaremos pelo processo de extincao como ocorreu com a maioria das especies que aqui ja habitou.

    mario

  8. esqueci de responder uma pergunta: a unica proposta que vejo para os seres humanos é a mesma que vejo para todos os outros organismos. a proposta da sobrevivencia, cada especie (organismo ou até mesmo cada gene segundo Dawkins) busca a sua sobrevivencia. e é isso que faz rodar a engrenagem da maquina da evolucao….

  9. Olá Mário,

    Sua participação nesse espaço é sempre bem-vinda!

    Baseado em suas anotações e na brilhante participação do Rubens faço as seguintes considerações-indagações iniciais.

    1. O Richard Dawkins, o novo buldogue de Darwin, resume suas obras literárias em simples ataques à fé cristã e ao Deus bíblico, apresentando-o como um Deus totalitário, raivoso, injusto e ciumento. Pergunto: Qual a razão de um cientista do porte dele desenvolver esse tipo de raciocínio e atacar de forma veemente a religião daqueles que professam um fé, já que se a cosmovisão anti-teísta for realmente verdadeira esse tipo de ação monstrar-se-á de toda desproposital, haja vista que a religião pode ser compreendida como um processo evolutivo do homem. Ademais, onde o Dawkins encontra parâmetro para analisar se Deus é justo ou não, já que esse tipo de análise somente pode ser feita baseado em uma lei moral; mas, como somos resultado da evolução biológica e não temos um Legislador Universal (segundo o Dawkins compreende), onde ele encontra base para dizer o que é certo ou errado? (pode um leão dizer para outro: por que você está adorando uma pedaço de madeira?) Outra coisa, por que a raiva dele é somente contra o Deus cristão? E não contra todo tipo de deus ou de religião? E mais, quais as contribuições científicas do Dawkins?

    2. Você argumenta que “em nenhum momento nenhum evolucionista diz que o acaso é o responsável por tudo que ocorre, mas sim que ele é uma das coisas que geram o processo evolutivo”. Gostaria que esse ponto fosse explicado com mais lógica e clareza afim de que possamos delineá-lo. Acaso, segundo se entende, é o evento cuja realização não obedece a padrões regulares e que independe de um agente causador. O contrário do acaso é o evento determinado e organizado que necessita em si de um agente provocador. Pois bem, se você diz que os evolucionistas não defendem que o acaso é o responsável por tudo o que ocorre, então, quem ou o quê teria provocado os eventos regulares?

    3. Escreve ainda que nos registros fósseis “vemos claramente entre outras coisas para organismos com quatro patas (tetrapodas), transicao (sic) para bipedalismo em dinossauros como para a linhagem de hominidios”. Nesse aspecto solicito ajuda para entender, sob o ponto de vista evolucionista, onde estão as demonstrações científicas das espécies de transição. Peço, ainda, que fosse explicado como foi possível a mutação das espécies aquáticos – anfíbios – réptil e como foi possível a sua sobrevivência de uma transição para outra já que as estruturas orgânicas apresentam grandes divergências.

    4. Você diz ainda que defendemos o ensino do criacionismo na escola; e que isso não poderia ser aceito pois o Brasil é laico, logo, segundo afirma, seria inconstitucional ensinar o criacionismo em salas de aula. Mário, solicito gentilmente, para prosseguirmos no debate, qual a sua concepção de Estado laico?

    No aguardo…

  10. Olá Mário, Rubens e Valmir,

    O que o Mário escreveu” Simples, analise o registro fossil, nele vemos claramente entre outras coisas para organismos com quatro patas (tetrapodas), transicao para bipedalismo em dinossauros como para a linhagem de hominidios “, também chamou-me a atenção, não ouvi ainda que a paleontologia tenha conseguido provar tal afirmação.
    Se eu fosse um darwinista, algumas afirmações me causariam dúvidas e levariam-me à investigação imparcial e desprovida de um preconceito acerca do Deus dos cristãos:

    1-“ A Teoria da Evolução ainda é, como era na época de Darwin, uma hipótese altamente especulativa ,inteiramente desprovida de apoio factual direto e muito distante do axioma autocomprobatório no qual alguns de seus defensores mais agressivos gostariam que acreditássemos”
    Jacques Barzun

    2 – “ A Teoria da Evolução ainda é, como era na época de Darwin, uma hipótese altamente especulativa ,inteiramente desprovida de apoio factual direto e muito distante do axioma autocomprobatório no qual alguns de seus defensores mais agressivos gostariam que acreditássemos”
    Michael Denton

    3-“ Se algum dia for descoberto que a célula não é simples, a minha teoria cai totalmente por terra” ( introdução à Origem das espécies p 20).
    Darwin
    Pergunto: Será que uma célula é complexa?

    4 – “ o objetivo da ciência é prover uma teoria única que descreva todo o universo” (p30), contudo, assevera: “é muito difícil descobrir uma teoria que descreva todo o universo” (p31)
    Stephen Hawking

    5 – O que dizer sobre os cientistas relacionados aqui http://www.dissentfromdarwin.org/ ?

    São apenas questões interessantes para se pensar.

    Abraço,

    http://www.joaopaulo-mendes.blogspot.com

  11. Irmão Valmir,

    Deixe-me fazer uma correção, quando citei o nome do notável historiador Jacques Barzun o comentário que citei não foi dele, erroneamente repeti do Denton, segue agora o comentário de Barzun sobre o darwinismo em entrevista à Veja em 2002:

    “O caso de Darwin talvez seja o mais polêmico. Creio, no entanto, que a importância dada a ele está em descompasso com suas conquistas reais. A idéia da evolução das espécies já circulava 100 anos antes dele. O que Darwin fez foi propor um mecanismo para a evolução, a célebre idéia da seleção natural. Ora, se esse mecanismo realmente funciona como ele descreveu, é algo que os biólogos discutem acaloradamente hoje em dia. Anos atrás, um biólogo do Instituto Pasteur, na França, me disse que ninguém mais lá dentro aceitava ser chamado de darwinista. Não quero dizer com isso que devemos retornar ao criacionismo, à idéia de que as espécies foram criadas por Deus da forma como são hoje. Quero dizer apenas que o desenvolvimento da ciência tem postona como ele descreveu, é algo que os biólogos discutem acaloradamente hoje em dia. Anos atrás, um biólogo do Instituto Pasteur, na França, me disse que ninguém mais lá dentro aceitava ser chamado de darwinista. Não quero dizer com isso que devemos retornar ao criacionismo, à idéia de que as espécies foram criadas por Deus da forma como são hoje. Quero dizer apenas que o desenvolvimento da ciência tem posto em questão vários postulados da cartilha darwinista, algo que passa despercebido por quem não está enfronhado nas discussões. ”
    O comentário está em http://veja.abril.com.br/100402/entrevista.html

    Paz.

  12. Toda discussão, por mais honesta que seja, acaba por levantar um grande abismo entre as pessoas. Mas o interessante, é que nos hospitais de pacientes terminais em que visitei a alguns anos, não vi ninguém ali apresentando aos pacientes a teoria da evolução, para trazer alívio ao desespero e agonia daquelas pessoas. Não vi ninguém propondo as estórias de Darwin para amenizar o sofrimento de ninguém. Penso que se o cristianismo é motivo de desdém para muitos ateus, continua sendo um bálsamo para aquele que se acham em um leito de enfermidade. Afinal, o cristianismo trás esperança para pessoas que já não mais apresentam atrativos para propaganda ateísta. Fora da tela de um computador, a realidade é bem diferente. Se o cristianismo se prestasse somente para esta realidade (o que sabemos que não é vedade) eu já seria uma seguidora incondicional de Jesus Cristo

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