A verdade e o conhecimento relativo


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Nessa semana conversei com um juiz de direito.
Ele disse que não acreditava na verdade absoluta.
Eu disse que não acreditada na verdade relativa.
Ele argumentou que o grande erro da humanidade foi a busca da verdade absoluta.
Eu contra-argumentei dizendo que o erro não foi a busca em si, mas a forma como fizeram a busca.
Ele citou Platão.
Eu usei Aristóteles.

Ele partiu do pressuposto de que frente a determinado fato, ocorrido no passado, o juiz não busca a verdade real, mas, simplesmente, indícios do que realmente ocorreu, posto que, conforme afirma, a verdade do fato exauriu-se logo após o seu acontecimento.

Excelência, data vênia, mas vosso pensamento está fadado ao fracasso. Acreditar que a verdade não é cognoscível é o mesmo que acreditar que a ilusão pode ser válida, e que qualquer versão dos fatos podem ser aceitos. Portanto, vossa magistratura não possui nenhum valor, afinal o propósito dela é aplicar a justiça de acordo com a verdade.

Aristóteles, numa série de ensaios chamado “Lógica” ou “Órganon”, mostrou que cada ciência começa com verdades óbvias que ele chamou de primeiros princípios, explicando como esses princípios constituem o fundamento sobre o qual repousa todo o conhecimento.

O primeiro princípio é o do não- contradição, segundo o qual duas afirmações não podem estar corretas ao mesmo tempo, sendo uma contrária à outra. As duas podem estar corretas ou uma correta e a outra errada, mas nunca ambas estarão certas ao mesmo tempo.

A verdade, define Geisler, é a representação, a expressão, o símbolo ou a declaração que corresponde o referente ou seu objeto referente (aquele ao qual se refere, seja um conceito abstrato ou uma coisa concreta). Quando a afirmação ou expressão diz respeito à realidade, ela deve corresponder à realidade para ser verdadeira.

A questão é que, assim como o juiz, muitos confundem verdade absoluta com conhecimento absoluto, e verdade relativa com conhecimento relativo. Nenhum ser humano possui o conhecimento pleno sobre a verdade absoluta, portanto, nesse caso, o conhecimento é relativo. Porém, o fato do conhecimento ser relativo, não torna a verdade também relativa.

Para reconstruir a verdade o juiz deve se valer das testemunhas para ajudá-lo a formar o seu convencimento acerca daquilo que ocorreu, portanto, ele sempre estará em busca de uma verdade objetiva, real e única. Quando as testemunhas apresentam versões divergentes sobre o mesmo fato, obviamente que o magistrado não considerará que todas elas estão corretas, pelo contrário, deverá analisá-las em conformidade com outros indícios, a fim de reconstruir o fato.

No caso da morte de Isabela, por exemplo, a busca dos peritos foi pela elucidação de um fato. Não se cogita a existência de vários fatos, ou de várias verdades, mas somente de uma, que, como peças de um quebra-cabeças deverão ser montados em conformidade com as provas colhidas, baseados no conhecimento parcial de cada testemunha.

Portanto, a verdade absoluta existe, e por isso, estamos em busca do seu pleno conhecimento. O que nos prova que a verdade a qual defendemos corresponde à realidade, é o fato de que os indícios contidos no nosso conhecimento relativo demonstram claramente que essa verdade existe e que estamos no caminho certo, de forma que aquilo que nos resta diz respeito ao aspectos acessórios e não fundamentais daquilo em que acreditamos.

Por isso Jesus disse: Eu sou a caminho, e a verdade, e a vida!

Notas
Fundamentos Inabaláveis, Norma Geisler e Peter Bocchi no, Ed. Vida.

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5 comentários sobre “A verdade e o conhecimento relativo

  1. A verdade absoluta existe, isto é um fato. Se a verdade fosse relativa, logo não seria verdade, mas apenas uma grande, enorme, gigante interrogação.

    Dois mais dois será sempre quatro, não importa o lugar do planeta ou do universo. Mesmo que a grande maioria da humanidade aceite que dois mais dois são cinco, esta verdade absoluta não será mudada pela vontade e onda da maioria.

    Logo, não trata-se de uma questão objetiva, mas sim de uma questão subjetiva do homem individualmente querer aceitar ou não esta verdade absoluta.

    A verdade, portanto, é que existe uma verdade absoluta. Sempre existe um refencial fixo e imutável.

    Abraços fraternos.

    Anchieta Campos

  2. Anchieta,

    Como disse, a idéia de que a verdade é relativa não subsiste à lógica filosófica, afinal ela é objetiva.

    O simples fato de se dizer que a verdade é relativa, por si só cria uma “verdade absoluta”, onde ninguém pode contestá-la. Assim, se os defensores da verdade relativa acreditassem realmente em tal postulação, não poderia em hipótese alguma se opor a nossa argumentação de que a verdade é absoluta, pois ambas estariam certas ao mesmo tempo.

    Como se vê, tudo isso é um tremendo absurdo.

    Na paz

    Valmir

  3. Prezado Valmir,

    Gostei imensamente desse texto, a respeito da Verdade e o Conhecimento Relativo. Eu também me dediquei aos estudos. Fiz faculdade de Letras, Bacharel em Teologia, Mestrado em Teologia e, embora tenha me deparado com tantos “mestres e doutores”, eles nada tinham para dizer em relação à verdade absoluta, porque gostavam de seguir o caminho do “racionalismo” e negando a própria “racionalidade”. Foram muitos “confrontos” e pude observar que, mesmo ostentando o título de “pastor”, nenhum desses mestres defendia ou abraçava esse conceito da “verdade absoluta”. Eles se perderam no labirinto do liberalismo ou racionalismo.
    Em contrapartida, meus trabalhos procuravam refutar tais idéias. Por isso, fiz um estudo cujo título era “Razão e Revelação”, no qual precisei desses autores lúcidos como Francis Schaffer, Norman Geisler e muitos outros. Além disso, concentrei minha dissertação no tema, ” A Unidade das Escrituras”. Isso me levou a recorrer aos diversos níveis de conhecimento, mostrando uma questão da Lógica Clássica. Ou seja, uma verdade não pode contradizer outra verdade. Isto é, se A é verdadeiro, Não-A é falso. Além disso, a verdadeira ciência tem seu fundamento na verdade. Sem verdade, não existe ciência. E toda verdade tem sua Fonte em Deus. E assim por diante, afinal foram mais de duzentas páginas.

    Agora, ao ler sua mensagem, fiquei muito feliz, porque me identifico com essa linha de pensamento. Ficou bem claro que a verdade é sempre absoluta, mas o conhecimento – pelo menos das criaturas racionais – é relativo.
    Estamos no caminho da verdade absoluta, buscando também o conhecimento absoluto. Chegaremos lá, porque Jesus é o caminho e a verdade e a vida, e só permanecer nEle e esperar o dia em que as cortinas da eternidade se abrirão e nos revelem todos os mistérios do conhecimento. Deus o abençõe sempre com essa sabedoria e com essa lucidez, tão rara em nosso dias. Se eu falei algo que você não concorda, por favor, faça sua crítica. É bom aprender sempre com os homens sábios. E você é um homem sábio. Ana

  4. a morte e o pricinpio da vida?

    e verdade ou ñ?

    como podemos saber si nois ñ somos inteligente o sufisiente para saber disso?
    o nosso conhecimeto ñ e sufisiente.

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