Tolerância zero


Por Valmir Nascimento

Publicado na Revista Defesa da Fé

Estou cismado. Cismado com uma palavra. Uma simples e pequena palavra. Segundo a classe dos “intelectuais” essa palavra é o motivo das guerras entre os povos, a razão dos embates religiosos, a fonte dos preconceitos raciais e sociais, e, por fim, o caos da humanidade. Que palavra é essa? INTOLERÂNCIA.

Estou cismado porque os evangélicos são freqüentemente ligados à essa palavra. Tacham-nos de intolerantes. Preconceituosos. Indiferentes. Fundamentalistas. Exclusivistas, etc, etc…

André Petry, colunista da Revista Veja, é um desses “intelectuais” que constantemente relacionam a palavra intolerância à fé evangélica. Na edição n.º 1929 de 02 de novembro de 2005, por exemplo, por meio de um artigo que teve como titulo “É só preconceito” assim argumentou: “O ruim da onda evangélica que cresce no Brasil é que, por trás dela, vem uma tonelada de preconceito religioso”. Mais adiante ele aduz: “Trata-se da mais abjeta intolerância religiosa – um câncer social que todos, ateus inclusive, devem combater”.

Petry é um dos grandes defensores brasileiro da assim chamada tolerância religiosa. Sua coluna na revista Veja, aliás, é palco de constante investida contra a fé evangélica. Quando não é desfazendo-a por causa do fundamentalismo bíblico contra o aborto e a eutanásia, é atacando-a pelo que ele denomina de “preconceito dos evangélicos contra as demais religiões”.

Petry não é tolo, isso devo admitir. Ele não possui o sentimentalismo de Lya Luft, nem escreve crônicas “ninguém-tá-entendendo-nada” no melhor estilo Millor. Por outro lado, ainda não atingiu a inteligência de Stephen Kanitz, nem o criticismo desenfreado “ ame-me ou odeie-me” de Diogo Mainardi.

Devo convir, portanto, que Petry muitas vezes acerta. Principalmente quando faz comparações na forma como a justiça brasileira diferencia as pessoas pelo seu nível econômico, apresentando casos absurdos de injustiça social. Seu estilo raivoso de escrever, porém, não poucas vezes, acaba por atacar ferozmente a fé evangélica. Ele coloca no mesmo saco todos os tipos de evangélicos depois soca-os até não sobrar nenhum gemido.

Mas o articulista da Veja não está sozinho. Recentemente a Folha de São Paulo deu a seguinte notícia: Ministério Público Federal da Bahia quer proibir a venda em todo o Brasil de um livro escrito por um pastor evangélico. Os procuradores federais, por meio de uma ação civil pública, alegam que a obra é “degradante, injuriosa, preconceituosa e discriminatória em relação a determinadas religiões”.

Nota-se, portanto, a existência de uma crescente onda anti-intolerância religiosa, em que os evangélicos são o núcleo desses ataques. Os reús do momento. Os culpados da ultima hora. Os responsáveis pelas mazelas sociais.

Tolerância: O deus da atualidade
Mas não era pra ser diferente. Afinal, como disse Erwin Lutzer , o novo deus da atualidade chama-se TOLERÂNCIA.

“Este novo deus é o nosso único absoluto, a única bandeira que é considerada merecedora de nossa honra. Este tipo de tolerância é usada como desculpa para o ceticismo perpétuo, para manter à distância qualquer compromisso com a religião (Deus); também é um entrada para ficar vulnerável a aceitar as idéias mais bizarras. A pressão para aceitar essa “tolerância acrítica” está crescendo ano após ano”.

O motivo do ataque aos cristãos evangélicos, portanto, é muito claro. Eis que baseados na Bíblia Sagrada temos posicionamentos claros acerca das principais questões que envolvem a vida do ser humano: Quem somos; de onde viemos e para onde vamos. E é exatamente aí que reside o problema. Pois, segundo a tropa de choque “anti-intolerância” somos fundamentalistas demais sobre nossas convicções sobre origem, natureza e destino do ser humano. Não aceitamos outros posicionamentos. Cremos que somente a nossa idéia esta correta. Não toleramos os ensinos contrários.

Eis o ponto que eu gostaria de chegar: o significado da palavra tolerância. Será que somente os cristãos são intolerantes? É possível que alguém seja completamente tolerante?

Recorrendo ao dicionário descobri que tolerância significa suportar com paciência; agüentar; permitir; conformar; consentir; transigir ou deixar que aconteça. Intolerante, destarte, é todo aquele que não se conforma; não consente ou não transigi com o posicionamentos contrários.

Feitas essas considerações é perfeitamente possível perceber que não existem pessoas completamente tolerantes no sentido estrito da palavra. Afinal, quando aqueles que se dizem tolerantes manifestam-se contrários e não permitem ou não consentem com as declarações dos chamados “intolerantes”, eles estão sendo na verdade os intolerantes da história.

Para ser mais claro, voltemos aos caso do André Petry. Quando esse colunista posiciona-se contrário aos evangélicos, não suportando com paciência as doutrinas bíblicas apregoadas e não consentindo com a sua forma de pensar, ele esta fazendo o papel de intolerante, intransigente e inconformado. Ora, tolerar não é deixar que aconteça? Então qual o motivo pelo qual ele não deixa os religiosos com as suas convicções e ele com a dele?

A resposta é simples: Nesse mundo não existem completos tolerantes. No final das contas, ou no frigir dos ovos, como queiram, todos somos intolerantes ante o mundo que vivemos. Seja para defender uma religião, uma cosmovisão, um partido político ou até mesmo um time de futebol. Os debates, as opiniões contrárias e os posicionamentos divergentes fazem parte da nossa vida.

As pessoas que se dizem tolerantes e ao mesmo tempo sãos contrárias à forma de
pensar de determinada religião, são também intolerantes. Intolerantes que se escondem por trás da capa da liberdade de expressão. Intolerantes intelectuais que argumentam que suas posições racionais anti-exclusivistas é a coisa mais sensata e inteligente que já existiu. Intolerantes que se dizem neutros, mas que na realidade pendem para determinado lado. Ou, ainda, tolerantes que se mostram intolerantes para com o denominados intolerantes.

Em última instância vivemos num mundo de intolerância. Em que os ateus não toleram os cristãos, quem não toleram os muçulmanos, que por suas vez não toleram os judeus. Mas isso não é o caos. Caos de fato seria se cada um desses grupos fossem coagidos e obrigados a aceitar o que os demais professam. O erro está em querer que todos sejamos tolerantes. Coniventes. Acríticos. Tapados.

Algo, porém, deve ficar muito evidente. A tolerância pode ser classificada de duas maneiras legítimas. Tolerância legal que é o direito que cada pessoa tem de acreditar em qualquer crença (ou em nenhuma) que se queira acreditar. E como disse Erwin Lutzer, “tal tolerância é muito importante em nossa sociedade, e nós, como cristãos, devemos manter nossa convicção de que ninguém jamais deve ser coagido a crer no que cremos.”

Segundo, existe a tolerância social, o compromisso de respeitar todas as pessoas mesmo que discordemos frontalmente de sua religião e idéias. Quando nos envolvemos com outras religiões e questões morais na feira ideológica, deve ser com cortesia e bondade. Temos de viver em paz com todos os indivíduos, mesmo com os de convicções e crenças divergentes.

Portanto, tolerância no sentido de direito de professar qualquer tipo de religião ou não professar nenhuma, ou como significado de respeito às demais não deve nunca ser combatido. Agora, no real significado da palavra, como relatado anteriormente, ser intolerante é algo natural. Não podemos ser coniventes com aquilo em que não acreditamos. Não podemos tapar os olhos quando vislumbramos que ideologias absurdas provocam males na sociedade. Não podemos transigir com posicionamos que são contra a vida. Não podemos ter paciência com opiniões que contrariam a essência da natureza.

O que dever ser atacado, portanto, não é essa intolerância, mas sim o fanatismo. Fanatismo cruel e sanguinário que provoca a morte de milhares de pessoas anualmente. Fanatismo religioso e não religioso que defende a guerra a qualquer custo. Fanatismo intelectual que tentar censurar os cristãos sob a alegação de liberdade. Fanatismo racionalista que tenta calar a boca dos evangélicos. Fanatismo pós-modernista que tenta nos obrigar a sermos relativistas. Isso sim devo ser combatido.
E lembre-se. O simples fato de você não consentir com o que foi escrito nesse artigo faz de você um intolerante. Portanto, quando encontrares um legítimo tolerante, por favor avise-me!

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3 comentários sobre “Tolerância zero

  1. Fazer manifestação contra a aprovação de uma lei que visa garantir o direito dos homens e mulheres que tem preferencia sexual com a qual não concordamos, é no mínimo uma insanidade. Pessoas do mesmo sexo estão vivendo juntas em união estável. Isto é fato. Crimes são praticados todos os dias contra os homossexuais. Isto também é fato. Querer impedir que uma lei garanta os direitos dos conviventes homossexuais e punição aos que ofendem a dignidade deles, é se opor aos fundamentos do Estado Democrático de Direito.
    O Pastor Silas Malafaia foi muito infeliz em liderar uma manifestação contra os homossexuais. Nem os evangélicos ou qualquer outra categoria de organização ou pessoas tem o direito de impedir que haja justiça.
    A religião é sem sobra de dúvida a maior fonte de intolerancia no mundo. Chega de intolerancia!

  2. Chega de Intolerância. O Pastor Silas foi muito infeliz em liderar uma manifestação de intolerância contra os homossexuais.

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