Artigo: Analfabetos cardiacos


Você já imaginou se pudesse ouvir o que Deus ouve? Se por algum tempo fosse agraciado com um dom sobrenatural que lhe desse a capacidade de ler os sentimentos das pessoas ou conhecer seus pensamentos e necessidades como se elas os expressassem verbalmente?

Você já imaginou se pudesse ver o sofrimento das pessoas. Seus medos, angústias e inquietações? Se por um curto período de tempo fosse possível ler os corações daqueles com quem você convive. Daqueles que estão ao teu lado, com quem você trabalha ou estuda?

As perguntas acima são a tônica do livro “O leitor de corações”. O enredo é simples, porém, e apesar de não ser o meu gênero de leitura preferida, duas coisas despertaram a minha atenção enquanto lia esse trabalho tempos atrás.

Primeiro, o fato de o escritor manter-se no anonimato (motivo pelo qual comprei o livro). Onde deveria constar o seu nome, lê-se, simplesmente, a palavra anônimo, tendo o autor doado todos os seus direitos autorais referente a este livro para uma organização missionária cristã.

Segundo, o tema central do trabalho é exortativo, fazendo-nos refletir sobre a condição das pessoas com quem convivemos (motivo pelo qual gostei do livro).

O livro conta a história de Sam Bennet, um homem comum que em determinado momento de sua vida recebe um dom sobrenatural. Sam começa a ouvir coisas. Vozes das pessoas que o cercam. A garçonete, sua esposa, sua secretária, seus amigos. Basta olhar para eles, e Sam ouve as necessidades mais profundas de seus corações. Só que seus lábios não se mexem e parece que elas não se apercebem de haverem dito algum coisa.

O livro prossegue com uma reviravolta espiritual na vida de Sam e de sua família. Uma mudança de postura que rendeu excelente trabalho evangelístico e grandes frutos para o reino de Deus.

O final, é claro, não relatarei aqui, para não prejudicar a sua leitura, todavia, faço alusão ao momento em que Sam perde o dom de “ler corações”. Da mesma forma que o dom veio, ele também se vai. E é exatamente nesse momento que Sam começa e analisar se é ou não necessário o referido dom para entender o sofrimento das pessoas que o cercam.

Sam descobre, então, que para sentir o sofrimento das pessoas que nos circulam, não é necessário um dom sobrenatural. Para perceber as inquietações daqueles com quem convivemos não é preciso uma dádiva específica.
Conforme consta na contracapa do livro:

“A grande verdade é que, conquanto desprovidos deste dom ou atributo divino, e limitados nesse discernimento, há um mundo de pessoas à nossa volta atribuladas, inquietas, feridas, com necessidades espirituais profundas. Os problemas estão lá… bem no íntimo de suas almas. Um mundo de seres humanos opressos e reféns de um viver vazio e sem significado.”

De fato. Se refletirmos, por um pouco que seja, notaremos que não é necessário nenhum dom sobrenatural para ler os corações das pessoas e saber o que elas necessitam. Para ser um leitor de corações não é preciso ser profeta. Não é necessário participarmos de um curso de “leitura dinâmica de corações”, tampouco, cursar nível superior. A credencial de um leitor de corações chama-se – compaixão.

Compaixão por aqueles que sofrem.
Compaixão por aqueles que precisam de ajuda.
Compaixão por aqueles que carecem de salvação.

Nós, cristãos, além de lermos a Bíblia Sagrada, os livros teológicos e os livros devocionais; precisamos aprender a ler o coração das pessoas. É necessário pedir a Deus a sensibilidade para sentir os corações aflitos e as almas oprimidas. Além de nos aprontarmos para irmos à Igreja todo santo domingo e lermos nossas harpas, é imprescindível nos comover com a situação daqueles que perecem; não pela falta de pão, mas pela falta da graça divina em suas vidas.

Pessoas-livros não faltam para serem lidas. Homens ansiosos, estressados, afadigados do trabalho e da vida estão por aí aos montes.
Mulheres sem esperança, sem rumo e infelizes perambulam pelas ruas como se tudo estivesse bem. Falam como se suas vidas fossem mares de rosas.
Agem como se os seus casamentos estivessem a mil maravilhas, quando, na realidade, o seu mundo está completamente ruído e acabado.

Quando não há ninguém por perto, trancam as portas, e choram copiosamente. As lágrimas são o único consolo. O vazio, a única companhia.

As capas desses livros pode parecer bonita. Exteriormente tudo vai bem. Aparenta ser firme. Letras formosas. Escrita perfeita. Sorrisos. Notória felicidade. Porém, ao abrirmos a primeira página lemos histórias de depressão, opressão, amargura. Vidas acabadas e sem perspectivas de mudança. Almas sedentas de ajuda.
As histórias dessas vidas estão escritas sobre papéis opacos e sem brilho. Papéis que foram amassados, rabiscados e, alguns rasgados.

Nesses livros existem não poucos parágrafos de depressão, linhas de solidão e textos que expressam amargura.
Na redação existem pontos de exclamação que são, na realidade, gritos por socorro! Pontos de interrogação sobram, argumentando sobre o motivo pela qual encontram-se nessa situação. E o maior problema é que muitos estão a alguns centímetros do ponto final.

Com tantos corações para serem lidos nessa imensa biblioteca que se chama sociedade, literatura não falta para a igreja. No entanto, boa parte dos cristãos sofrem de um problema chamado analfabetismo cardíaco; que consiste em não saber ler os corações dos indivíduos que caminham para a perdição. Ou, ainda, apesar de saberem ler, não compreendem. Eis aí o pior dos analfabetos, aquele não entende o que lê.
Assim, dá próxima vez que você dialogar com uma pessoa, pense que ela é um livro. Pronta para ser lida. Parágrafo por parágrafo. E se você tiver a sensibilidade para lê-lo. Você verá em grandes letras, escritas naquele coração, a maior de todas as necessidades do ser humano: SOCORRO, PRECISO DE JESUS!

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