A ESCATOLOGIA DOS INCRÉDULOS


por Valmir Nascimento | E agora, Como Viveremos? | www.comoviveremos.com

O futuro nos encanta e nos fascina. Muitos escritores já se lançaram ao desafio de escrever livros acerca dele. Escritos de ficção que tentaram elucidar os dias que ainda estão porvir. Entre os escritores mais famosos estão Júlio Verne, George Orwell e Aldous Huxley.

Orwel, no ano de 1948, escreveu o livro intitulado “1984”. Este escritor concebeu de modo visionário um futuro sombrio, invertendo o ano no título para criticar que o totalitarismo vigente no ano de 1948 não era obra apenas de ficção-científica. Nesta obra, Orwell compõe uma distopia (utopia negativa) onde os cidadãos são vigiados todo o tempo pelas “teletelas” (aparelhos que transmitem e captam voz e imagem) sob a liderança do Grande Irmão (Big Brother – de onde saiu a idéia dos atuais programas de TV).

Além das “teletelas” o livro traz outros conceitos mirabolantes. A “novilíngua” era a redução do idioma inglês usado oficialmente e baseado em unir e destruir palavras para que o pensamento fosse cada vez mais igual entre os cidadãos. “Duplipensar” era a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias e aceitar ambas; e, finalmente, “crimidéia” que era a junção das palavras crime e idéia, ou seja, qualquer pensamento que fosse contrário à decisões do Partido (Ingsoc), cujo acusado era sentenciado a tornar-se uma “impessoa”, que resultava na sua “vaporização”; no bom português: a sua eliminação.

Na visão de Orwelll, a sociedade era divida em duas castas: O Partido e a prole. O Partido por sua vez subdividia-se no Partido Interno onde estão os melhores postos e os membros pertencentes às classes mais altas e o Partido Externo que é formado por funcionários secundários.

Huxley, por sua vez, em 1932, escreveu “Admirável mundo novo”, onde ele nos dá a mais trágica, profética e aterradora visão do mundo, de uma civilização escravizada pela máquina e dominada pela tecnologia. Uma sociedade onde as crianças são geradas em laboratórios e especialmente treinadas para desempenhar futuras funções no meio social. Um mundo em que a família foi abolida e onde não há lugar para os sentimentos e o amor. Um futuro em que a Bíblia é um livro proibido e as pessoas são introduzidas na vida sexual desde a sua meninice. Mais ainda, Huxley vislumbra um futuro em que é proibido ter relacionamento somente com uma pessoa, quem o faz, aliás, é considerado anormal.

Os motivos

Ambos autores tiveram seus motivos para escrevem seus respectivos livros. Orwell, residia num país que apresentava prenúncios do inicio de uma ditadura totalitarista, onde o poder se concentraria única e exclusivamente nas mãos de um pequeno grupo de pessoas. O livro “1984” é, portanto, uma denúncia contra esse regime tirano que começava a adquirir força naquele contexto. Era, na verdade, um grito de Orwell contra toda e qualquer dominação antidemocrática que começava a dar os seus primeiros passos.

Aldous Huxley, neto de Thomas Huxley (médico e zoólogo de renome que defendeu com unhas e dentes a teoria evolucionista de Charles Darwin), escreveu “Admirável Mundo Novo” num tom de cinismo contra o crescente progresso científico e materialista daquela ocasião. O tema da obra de Huxley não é, como ele mesmo asseverou, o simples progresso da ciência; é o progresso da ciência na medida em que atinge os indivíduos humanos.

O livro é, portanto, uma denúncia contra a libertinagem ocasionada pelo repentina evolução da ciência; tanto que quinze anos após ter escrito sua obra, quando Huxley finalmente produz o prefácio, ele diz:

Nem parece tão remota a promiscuidade sexual do Admirável Mundo Novo. Já há certas cidades americanas nos quais o número de divórcios é igual ao número de casamentos. Sem dúvida, dentro de poucos anos, as licenças de casamento serão adquiridas como as de cães, com a validade por um período de dozes meses, sem leis que proíbam mudar de cão ou possuir mais de uma animal de cada vez”.

Apesar dos livros acima citados possuírem abordagens distintas e visões diversas acerca do futuro, num ponto eles convergem: o totalitarismo. Em “1984” isso é evidente, já em “Admirável Mundo Novo” trata-se de um totalitarismo “intelectual” que poderia passar despercebido. Conforme Huxley,

“Não há razão, sem dúvida, para que os novos governos totalitários se assemelhem aos antigos. Governos baseados no porrete e no pelotão de fuzilamento, na miséria artificial, não são apenas desumanos (hoje ninguém se preocupa muito com isso); são ineficientes por demonstração e, numa época de tecnologia avançada, a ineficiência é pecado contra o Espírito Santo. Um estado totalitário realmente eficaz seria aquele em que o executivo todo-poderoso constituído de chefes políticos e de um exército de administradores, controlasse um população de escravos que não precisassem ser forçados, porque teriam amor à servidão. Fazê-los amá-la é a tarefa atribuída, nos atuais estados totalitários, aos ministérios da propaganda, editores de jornais e professores”.

Após essas sínteses dos trabalhos de Orwell e Huxley, é possível concluir que “Admirável Mundo Novo” é mais assertivo que “1984”. Passados mais de setenta anos após a sua primeira publicação e apesar de se tratar de um trabalho de ficção, ele possui alguns fragmentos que condizem com realidade do presente e muito do que ainda está porvir.

Não que fosse a intenção do autor pintar o futuro tal qual poderia ser; não se trata de um livro de cunho profético, porém, sua visão hilária e cínica do futuro correspondeu em alguns pontos (não poucos) com o que estamos vivenciando. Um mundo que parecia improvável e talvez impossível no ano de 1972, começa a ganhar traços da crua realidade nesse inicio do século XXI: relativismo ético e moral, ausência de amor, declínio da entidade familiar, imposição de um padrão único e mundano pela mídia, etc.

Alguém pode perguntar: E a Bíblia? Não oferece ela muito mais informações acerca do futuro? É óbvio que sim. Reuna todas os livros que abordam-no que nem mesmo assim superarão as profecias bíblicas. Uso, porém, escritores seculares simplesmente para demonstrar que o declínio moral da sociedade e o crescimento do relativismo ético é tão certo, ao ponto de um escritor que descende de uma família agnóstica, tal qual Huxley, vislumbrar um futuro sombrio e decaído, ante a sua propagação.

Isso é o que eu chamo de Escatologia do Incrédulos. A visão do futuro dos próprios ímpios, que vêm os resultados da sociedade que expulsou Deus de suas vidas. Aboliu a Palavra e relegou a fé.

Como base no nosso presente, prever o futuro não é algo muito difícil. Não é necessário muito esforço para prever um futuro não muito distante. Ao contrário da visão de Orwel que tinha como foco a política e o totalitarismo do Estado, e de Huxley que abordou a ficção científica dos tempos vindouros, minha visão futurística centra-se no âmbito da propagação do pensamento relativista contraposto à fé cristã.

Vejo, portanto, um futuro em que medicamentos para abortos sãos vendidos como analgésicos em qualquer esquina da cidade. Um futuro em que o casamento entre pessoas de sexos opostos é proibido. Um futuro em que as drogas sãos distribuídas nos colégios gratuitamente. Vislumbro um porvir em que não se sabe a diferença entre o certo e o errado, entre o verdadeiro e o falso. Um porvir em que o casamento entre homossexuais é completamente permitido. Um porvir em que as leis reprimem veementemente qualquer posição contrária à “liberdade sexual”.

Desculpem se a minha visão é pessimista. Mas se ela o é, não é por falta de conhecimento da realidade que nos cerca. Assim como Orwell e Huxley analisaram o presente e vislumbraram o futuro, assim também o faço. O presente que agora vivemos demonstra que o relativismo será o “deus” mais aclamado dos anos que virão. O pluralismo, em pouco tempo, será a maior bandeira entre as nações. Afinal, o futuro é e sempre será o reflexo do presente!

O que fazer? A Palavra de Deus tem duas respostas: 1) “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” Rom. 12:2. 2) “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade e tendo por capacete a esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”. I Tes. 4:6-9. Enfim, aguarde-mos a volta de Cristo, ao mesmo tempo em que defendemos a fé cristã.

E Agora, como viveremos?

www.comoviveremos.com

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4 comentários em “A ESCATOLOGIA DOS INCRÉDULOS

  1. Caro Valmir,

    Este artigo está excelente! E parabéns pelo blog também, uma preciosidade nesses dias difíceis em que vivemos.

    Se o irmão me permite, gostaria de dar apenas uma sugestão quanto à frase citada em vermelho. Seria bom colocar o nome de Oscar Wilde entre parênteses, quem sabe, logo depois da frase, para que fique bem caracterizado que ele é o autor APENAS da frase em vermelho. Do jeito que está, um leitor desatento poderá pensar que o artigo é de Wilde, que, como o irmão sabe, não é nenhum referencial para nós…

    Um grande abraço!

  2. Pr. Ciro, obrigado pela sua visita, e mais grato ainda por seu comentário. Tens raZão, farei a correção.

    Em tempo, parabenizo-o pelo seu blog, onde tem postado ótimos textos. Sou um assíduo leitor do mesmo.

    Paz

    Valmir Nascimento

  3. Dizer que Oscar Wilde não tem nada a falar para nós é um pouco forçado. Leia os contos do Principe Feliz e do Gigante Egoísta, por exemplo. São lindos e, perdoem-me, com ensinamentos cristãos. Agora, a vida dele, realmente, nada tem a nos acrescentar, a não ser as lições de como não se deve ser. Aliás, tem um livro do maior apologista cristão de hoje, chamado Ravi Zacharias, sobre Oscar Wilde. Chama-se Sense and Sensuality. Vale a pena ser lido ou ouvido.

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