EVANGELISMO PERSUASIVO EM UMA CULTURA PLURALISTA


ouvir.jpgpor J. P. MorelandTradução: Saulo Rodrigo do Amaral

“Fico feliz em saber que Jesus te faz bem. Cada um de nós deveria descobrir uma crença particular que nos faça feliz. E, desde que não tentemos forçar os outros a acreditar nela, está tudo bem”. Frases desse tipo são ditas tão freqüentemente hoje em dia que são tão familiares, rotineiras e automáticas como a pergunta “que horas são?”. Tenho feito evangelismo nas universidades desde 1968 e sei que nessa época as pessoas costumavam nos responder dizendo que eu devia estar delirando ou devia estar errado. A verdade importava para eles, mas eles acreditavam que ela não estava comigo. Hoje eles respondem que o que digo para eles é agressivo. A única verdade absoluta para eles é que a verdade foi substituída pela tolerância e pelo pluralismo relativista.

Em circunstâncias normais já é difícil testemunhar para amigos, mas parece mais complicado ainda em nossa sociedade, que prega o pluralismo politicamente correto. Gostaria de apresentar algumas ilustrações, algumas parábolas, que nos ajudam a fazer com que as pessoas saiam da visão do pluralismo relativista e, conseqüentemente, vejam que a verdade em religião é tão importante quanto a verdade em medicina. Com três rápidas ilustrações eu definirei o pluralismo. Mas, antes, gostaria de sugerir dois conselhos a respeito do testemunho que nós cristãos devemos dar.

O primeiro conselho é: quanto mais íntimo o relacionamento, menos efetiva será uma abordagem direta. Se você está evangelizando pessoas na rua que você não conhece, uma abordagem direta – mostrando, por exemplo, o Propósito Eterno de Deus – é a melhor escolha. Nesse caso, é interessante começar a conversa com duas perguntas: 1. Você já conhece Deus pessoalmente ou ainda está pensando sobre o que você acha do assunto? 2. Se você tiver alguns minutos, posso compartilhar com você como você pode conhecer a Deus de forma pessoal?

Se você está tentando evangelizar um amigo ou um parente que você vê freqüentemente, a melhor forma de abordagem é dar testemunho, dar exemplo com sua vida cristã e apresentar o evangelho ou doutrinas cristãs em conversas cotidianas, de forma natural. Desse jeito, com o passar do tempo, seu amigo estará inteirado a respeito da visão de mundo que o Cristianismo apresenta.

Segundo: tenha certeza de que você está enfatizando a verdade do Cristianismo, e não apenas que ele funciona ou transforma vidas. Conte seu testemunho e mostre como Cristo mudou sua vida e trouxe perdão, cura interior, etc. Mas certifique-se em dizer em algum momento que o Cristianismo é realmente verdadeiro. Afirmar isso é muito importante em uma cultura pluralista.

Pluralismo é a idéia de que existem diversas perspectivas sobre Deus e a realidade, sendo que cada uma delas é verdadeira para a pessoa que crê, e ninguém deve contrariá-la. A frase inicial deste artigo demonstra bem a doutrina do pluralismo. As três ilustrações que seguem são de grande ajuda para quem está testemunhando de Cristo, pois ajuda a termos sempre em mente que o que realmente interessa é a verdade.

A Ilustração de Wonmug é boa para aqueles que não ligam para a verdade e se importam apenas em saber se tal religião vai ajudá-lo a ser feliz. Todos sabemos o que é placebo, em medicina. É uma substância inofensiva que de fato não ajuda em nada na real cura da doença. Mas a crença do paciente de que aquilo realmente funciona traz um certo alívio mental. Infelizmente, o placebo funciona apenas para o ingênuo e desinformado. O triste é saber que o efeito placebo não se limita à medicina. Muitas pessoas têm uma espécie de placebo em relação as suas visões de mundo – crenças falsas, ingênuas e vazias que ajudam apenas porque a pessoa está vivendo em um mundo de fantasias criado pela sua própria imaginação e não porque a crença é realmente verdadeira. Para vermos como isso é triste, leiamos a pequena história de Wonmug.

Wonmug era um aluno quieto e sem esperança que estudava física em uma reconhecida universidade. Ele foi muito mal no primeiro semestre de aulas. Seu conhecimento de matemática estava no nível de um aluno de quinta série e ele não tinha a mínima condição de estar estudando física. Certo dia todos os alunos e professores decidiram pregar uma peça em Wonmug, fazendo-o pensar que ele era o melhor estudante de física daquela universidade. Quando ele fazia uma pergunta na classe, mesmo que fosse uma pergunta tola, os professores e alunos tratavam-na com fascínio, como se fosse uma questão profundamente importante. Os professores deram a ele ótimas notas em todas as matérias, quando na verdade ele merecia tirar dois ou três.

Wonmug se formou e começou a fazer pós-graduação na mesma universidade. Os professores desta instituição enviaram uma carta a todos os físicos do mundo, informando sobre a brincadeira. Wonmug recebeu seu diploma, conseguiu uma cadeira como docente, viajava regularmente para a Europa para participar de conferências e freqüentemente aparecia em revistas como a Super-Interessante e a Veja. A vida de Wonmug estava carregada de sentimentos de felicidade, respeito e orgulho. Infelizmente, ele ainda não sabia nada de física. As pessoas odiavam Wonmug e o ridicularizavam pelas costas, mas Wonmug, sem saber da verdade, estava tão feliz quanto poderia estar.

Você tem inveja de Wonmug? Você deseja essa vida para os seus filhos? É claro que não. Por quê? Por que a sua sensação de bem-estar foi construída sobre uma visão de mundo placebo, falsa e vazia. Aqueles que não se importam com o que é verdade e apenas querem saber se uma idéia religiosa funciona para eles, são iguais a Wonmug. Se eles desejam ser como Wonmug, deveríamos ter pena deles, pois não levam sua vida de forma séria.

Se a verdade realmente importa, então a Ilustração da Mãe nos ajudará a mostrar que as religiões não podem ser todas verdadeiras. Certa vez, enquanto eu falava de Cristo a um grupo de amigos na Universidade de Massachussetts, um estudante manifestou-se a favor de uma visão pluralista das religiões. Pedi a ele e a outros dois que estavam na platéia que descrevessem minha mãe. Sendo que ninguém a conhecia, obtive três diferentes respostas: ela media 1.70, 1.58 e 1.80 metros; tinha cabelos loiros, ruivos e pretos; e pesava 60, 55 e 70 quilos. Eu os adverti dizendo que, sendo que as três respostas eram opostas umas as outras, elas não poderiam ser todas verdadeiras. Por exemplo: minha mãe não pode pesar 60, 55 e 70 quilos ao mesmo tempo. Também disse que não importava o número de pessoas que acreditavam que minha mãe tinha cabelos pretos, ou o quão piamente eles acreditavam nisso. A verdadeira cor dos cabelos da minha mãe independente do que os outros pensam ou dizem. Nesse sentido, a realidade é totalmente indiferente ao que acreditamos! Concluí ressaltando que as afirmações sobre Deus não podem ser todas verdadeiras. Os budistas negam que Deus exista, os hindus dizem que existem milhões de deuses, o judaísmo e o islamismo ensinam que há apenas um Deus, mas que é um grande pecado dizer que Ele é uma Trindade. O Cristianismo assevera que existe um Deus que é três pessoas. Assim como as afirmações sobre a aparência de minha mãe, as afirmações sobre Deus não podem estar todas corretas.

Se a pessoa crê que a verdade é importante (a Ilustração de Wonmug) e que o simples fato de acreditar em algo não faz com que isso seja verdadeiro (a Ilustração da Mãe), então precisamos buscar não o que queremos que seja verdade, mas o que as evidências apontam. Para esse fim, uso a Ilustração do Buffet Livre. Quando as pessoas vão em um buffet elas escolhem as comidas de acordo com seus gostos. Da mesma forma, quando as pessoas criam uma idéia de Deus escolhendo aspectos das várias religiões de acordo com o que elas gostam ou não gostam, elas sempre terminam por formar uma idéia de Deus que parece exatamente com a pessoa que o estava procurando. Se a pessoa é esquerdista, Deus torna-se um tolerante Ted Kennedy no céu. Se é conservadora, Ele parecerá um grande Rush Limbaugh.

Escolher uma versão de Deus de acordo com nosso gosto é garantia de que criaremos uma falsa idéia de Deus, que simplesmente expressa nossas próprias preferências. Esse não é o caminho certo. Devemos buscar a Deus pesando as evidências que as religiões apresentam. É nesse ponto que devemos utilizar os argumentos apologéticos, baseados na evidência de um Deus pessoal que criou todas as coisas; argumentos baseados na história e nas profecias cumpridas, que atestam a veracidade histórica do Novo Testamento e que, de fato, Jesus ressuscitou. Meu propósito neste artigo não era detalhar esses argumentos, mas apresentar três ilustrações que podem nos ajudar, quando evangelizamos, fazendo com que a pessoa saia da visão pluralista para aquela em que a verdade realmente importa. Dessa forma, as evidências para o Cristianismo não cairão em ouvidos desinteressados e, talvez, ganharão um bom ouvinte.

Artigo em inglês extraído de: http://www.boundless.org/departments/isms/a0000817.html

Fonte: www.apologia.com.br

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