Síndrome do Éden


[Por Marcos Guimarães] “o ser humano não tendo conseguido curar a morte, a miséria e a ignorância, lembraram-se, para ser felizes, de não pensar nisso tudo” Blaise Pascal.

 

Conforme a narração do primeiro livro do cânon Bíblico – Gênesis, o Éden foi um jardim que Deus criou, para que o homem pudesse viver bem, da sua parte, apenas seria exigido que servisse ao seu criador e lhe prestasse culto, todavia, seria uma decisão voluntária.

Apesar de todas as condições possíveis para uma vida abençoada, o homem decide rejeitar tudo. Este ato trouxe conseqüências inimagináveis, introduzindo na história humana, a morte e o sofrimento, estabelecendo um quadro de dúvidas e incertezas.

Um pequeno diálogo ainda no jardim, revela por parte do ser humano, a consciência do pecado, e junto com ela, a certeza do juízo. As palavras proferidas por Adão e por sua mulher, foram prenuncias de uma síndrome que seria peculiar ao ser humano de todas as épocas.

O primeiro sinal da síndrome do éden se manifesta, quando nossa nudez espiritual é exposta à medida que Deus se aproxima de nós, a nudez se torna visível, pois, a sua santidade revela nossa condição de pecado, e tão logo isto acontece não somos capazes de olhar para nós mesmos e considerarmos nossos erros, antes, transferimos a culpa.

O segundo sinal da síndrome do éden pode ser observado na atitude de fuga do ser humano. Podemos até ouvir a voz de Deus, mas não suportamos encará-lo de frente.

Os reflexos da síndrome hoje

Os sintomas da síndrome, expostos no diálogo entre Deus e o homem, são perceptíveis em nossos dias – sempre damos conta de alguém que é o culpado pelos nossos erros, e estamos sempre fugindo. Segundo Blaise Pascal o ser humano não tendo conseguido curar a morte, a miséria e a ignorância, lembraram-se, para ser felizes, de não pensar nisso tudo.

Penso não haver outro escritor que tenha sido capaz de expressar certos desejos impregnados na alma dos seres humanos, tais como, a maximização da vida e do prazer, o sexo livre e descomprometido, e a constante fuga da morte, do sofrimento e do medo, entre outras mazelas, quanto o escritor inglês Aldous Huxley em seu livro Admirável Mundo Novo.

No contexto descrito por Huxley, a vida é uma eterna alegria. Para tanto, os seres humanos seriam “fabricados” de acordo com a necessidade – desde os alfas, responsáveis pela produção intelectual, até os gamas (serviçais). Quase todas as mulheres seriam esterilizadas, e os “produtos” defeituosos seriam eliminados, não há espaço para o amor, nem para a misericórdia, só o sucesso e a alegria é que importam.

Quem sabe Aldous Huxley e os intelectuais de sua época, avessos à influência do pensamento judaico-cristão na cultura ocidental, não tenham imaginado quanto esta visão degradante e individualista iria se tornar o padrão de pensamento do homem pós-moderno.

As palavras iniciais do famoso poema de Francis Thompson, “perdigueiro do céu”, refletem o pensamento supracitado: “Eu fugia dele noite e dia/ fugi durante o passar dos anos/ fugi dele nos labirintos dos caminhos de minha própria mente/ no meio das lágrimas eu me escondia dele/ e em meio aos risos fugazes das esperanças passadas/ eu acelerava”.

A consciência dos sintomas

A consciência do erro é inerente ao ser humano de tal forma, que o apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos disse “porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis (indesculpáveis)”.

As palavras de Paulo revelam que o pecado é a recusa do homem por reconhecer a verdade que ele sabe no tocante a Deus. Verdade revelada também pela natureza, sendo esta perceptível a todo ser humano, daí serem indesculpáveis.

Prosseguindo o comentário, o apóstolo Paulo reitera – “portanto, és inescusável quando julgas ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo”. Apesar da consciência do juízo, o ser humano não consegue viver de acordo com os padrões estabelecidos por Deus. Sequer consegue viver sob os padrões estabelecidos por ele mesmo.

Estas questões, profundamente ligadas ao homem, levam aos grandes questionamentos acerca do significado da vida, e revelam a necessidade premente que o ser humano tem de Deus. E acerca deste assunto transcrevo as reflexivas palavras de um escritor indiano – “quando eu falo sobre propósito e significado, não me refiro apenas a um sentimento de paz existencial. Refiro-me a uma direção na vida que sustenta a razão e a emoção”.

A humanidade precisa ouvir Deus falar. Doses crescentes de hedonismo tem produzido um efeito anestésico na alma dos seres humanos, neste aspecto posso entender o que C. S. Lewis quis expressar quando disse “Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido.” Talvez esta seja a razão pela qual muitos tem experimentado alguma dor, e mesmo assim, não notam que Deus está querendo falar-lhes.

É possível se desvencilhar?

Encontramos a resposta para esta pergunta no mesmo lugar onde os sintomas foram gerados – no Éden. Ali ficou claro que o homem não poderia se esconder de Deus para sempre, ao mesmo tempo em que a humanidade ganhou a oportunidade da reconciliação – Jesus, a “semente da mulher” que esmagaria a cabeça da serpente. Somente através da comunhão com Ele, é que o ser humano alcançará a liberdade.

No anseio de reafirmar a necessidade de Jesus, transcrevo as palavras do erudito historiador W. E. H. Lecky, citado por Ravi Zacharias: “O caráter de Jesus não foi somente o mais elevado padrão de virtude, mas também o mais forte incentivo em sua prática, e exerceu uma influência tão profunda que podemos dizer com verdade, que o simples registro de três anos de atividade fez mais em prol da regeneração e da suavização da humanidade do que todas as reflexões dos filósofos e todas as exortações dos moralistas”.

Diante do exposto, é possível concluir citando as palavras de Agostinho: “Tu nos fizeste para ti, e nossos corações não acham paz até que descansem em ti” .

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Um comentário em “Síndrome do Éden

  1. è dificil imaginar um paraiso uma paraiso é egocentrico e egocentrismo é contra Deus paraiso é paz exterior lugar bom agradavel um amplo jardim poucas pessoas e agradaveis e não uma cadeia com pessoas demoniadas que refletem nossa nudez esperitual, e que o odio interior briga com o amor o horror visual mas o misterio interior e do outrolado a beleza exterior felicidade alegria intença mas o lado negro ,…. em uma rua podemos um dia nesta vida ser muito feliz e no outro ver o horror da miséria odio pobreza espiritual pertubação medo e repgnancia de estar numarua miserável com pessoas meseráveis demonios em forma de gente feio no aspecto exterior e também no aspecto interior….. que paraiso é este tanto falado que reino é esse ???? um mistério a alma é oposta da carne ?? cheia de acessorios pecaminosos que vão quem sabe causar um fardo torturante no futuro inesperado ….mas porque o Diabo e solto e foi criado ???? e ele esta ai causando dor confusão no mundo .
    È confuso o paraiso da nossa imaginação egocentrica e o paraiso religioso (fartura de bens mas é ilegal) O que o cego vê o mundo interior que mundo é este?? medo mas medo do que? do que tememos tanto?

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