A nossa terra de cegos


por Valmir Nascimento Milomem Santos

A cada dia que passa surge um fato que contribui ainda mais para a nossa certeza de que o mundo está virado. Ele está de cabeça para baixo. Tá tudo ao inverso. Os fundamentos estão transtornados.

Nessa feita o acontecimento que comprova isso é o seguinte: Um político, por nome Fernando Gabeira, defensor da legalização da maconha e da prostituição no Brasil foi considerado pela Revisa Veja como o atual “paladino da ética e da lucidez na política brasileira”. Ou ainda, como diz a jornalista Lucilla Soares: “Aos 65 anos, o ex-guerrilheiro coroa uma carreira de rupturas radicais como o principal nome da luta pela recuperação da ética e da credibilidade da política brasileira”.

Não é pegadinha, muito menos brincadeira. É isso mesmo o que você acabou de ler: Fernando Gabeira, o homem que já posou de tanguinha nas praias cariocas e dá uns “tapinhas” na cannabis/marijuana/haxixe quando vai em Amsterdã, está sendo considerado atualmente pela maior revista brasileira de notícias, como o grande paladino da moral e da ética na política brasileira atual.

Mas não era para ser diferente. Diz um ditado que em terra de cego, quem tem um olho é rei. Ora, e o Brasil o que é senão uma terra de cegos?! A nossa terra de cegos. Lugar de deficientes visuais quanto à ética na administração do bem público; quanto à utilização da política para melhorar a vida das pessoas; quanto à moral nas relações sociais; quanto à resolução dos problemas sociais. Tudo um bando de cegos!

Nesse sentido, Gabeira, o homem que profere vigorosos discursos no plenário da Câmara de Deputados, e não tem o seu nome indicado nas CPI’s, é o homem de um olho só. Sua deficiência, segundo entendem, resume-se somente em defender a causa da minoria sexual e a legalização do uso da maconha no Brasil. Mas isso atualmente não é nem bem um problema, argumentam. Isso não é uma gravidade, dizem. Portanto, deram-lhe o titulo de paladino da moralidade. O ícone da ética. O paradigma do bom caráter. Absurdo!

Não escondo que gostei de alguns de seus discursos, principalmente aquele em que proferiu contra Severino Cavalcanti, quando na Presidência da Câmara. Acho pertinente também suas manifestações contra o governo lulista-petista. Devo convir, portanto, que Gabeira é um extravagante, revolucionário e até pensador. Mas daí dizer que tal político é o padrão de lucidez na política brasileira. Que ele é o paladino da ética no Congresso Nacional. Isso já é demais!

Veja bem. Paladino é um herói cavalheiresco, errante e destemido, de caráter inquestionável que segue sempre o caminho da verdade, lei e ordem, sempre disposto a proteger os fracos e lutar por causas justas. A palavra Paladino vem do latim palatinus (relativo a palácio). Portanto, esse é um titulo muito pesado para o Gabeira. É muito adjetivo para pouco sujeito. É muita areia para pouco caminhão!

O motivo da atribuição do aludido titulo à Gabeira é simples: o mundo perdeu o referencial de ética e da moralidade. Todos estão completamente sem rumo e sem direção. Não sabem o que é certo ou errado, lícito ou ilícito. Ou melhor, até sabem, mas fingem que não sabem.

Nesse contexto, pessoas que defendem a liberação do comércio da maconha e a “profissionalização” da prostituição são absurdamente considerados como paladinos da moralidade. Afinal, tal forma de pensamento, segundo essa ótica, inclui-se na área de PREFERÊNCIAS e não na área de CERTO OU ERRADO da mente humana. Assim sendo, quando se defende o uso de drogas ou a liberação da promiscuidade a pessoa esta simplesmente fazendo uma opção. Não. De forma alguma! Apoiar a prostituição e a venda de entorpecentes e tão errado quando surrupiar dinheiro público. É tão grave quanto participar de mensalões e sanguessugas.

O problema de tudo isso é que tal forma de concepção de certo e errado é sutil. É algo que vai se tornando comum na sociedade. Corriqueiro. Normal. No caso em questão, por exemplo, na semana seguinte à publicação da matéria sobre Gabeira, nenhum leitor se manifestou. Ninguém debateu. Todos ficaram silentes, ou por não considerarem as posições de Gabeira equivocadas, ou por medo de represália.

Eis aí, portanto, um bom momento da manifestação dos cristãos convictos demonstrarem o fundamento de sua fé. Defenderam o nome de Cristo. Apresentarem o que é realmente certo e errado. E, por fim, evidenciarem que em terra de cego, quem tem um olho só também é um deficiente, e da mesma forma, precisa de ajuda divina para restabelecer sua visão.

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